terça-feira, 10 de dezembro de 2013

PARÁBOLA DO CEGO QUE GUIA O OUTRO CEGO



Porventura pode um cego guiar outro cego? não cairão ambos no barranco? (Lucas, VI, v. 39)
Sabes que os fariseus, ouvindo o que disseste, ficaram escandalizados? Mas ele respondeu: Toda a planta que meu Pai celestial não plantou, será arrancada pela raiz. Deixai-os; são cegos, guias de cegos. Se um cego guiar outro cego, cairão ambos no barranco. (Mateus, VI, 12-14)

INTERPRETAÇÃO
Que o Divino Rabi vos ilumine para todo o sempre.
Meus irmãos, minhas irmãs! Depois de tantas parábolas, vem esta, pequenina e humilde, trazer ao mundo as palavras do Mestre de grande e reconhecido proveito.


Dizeis ser impossível um cego guiar outro cego, mas nós dizemos que no planeta Terra, infelizmente, isto é um fato, porque, como sabeis, há duas cegueiras: a do corpo material e a do corpo espiritual.
A do corpo material pertence àquelas almas que vêm à Terra liquidar pesados débitos ou àquelas que acolhem esta privação de sentido como um caminho mais rápido para chegar ao ponto desejado, isto é, à sua elevação espiritual.
Esta cegueira, meus irmãos, minhas irmãs, é momentânea; termina com o corpo físico ou se assim a vontade do Pai determinar, numa operação ou num passe magnético.


Muito maior, como sabeis, é a outra cegueira; aquela contraída por espíritos que, dominados pelas suas imperfeições, não querem ver a verdade verdadeira que é Deus, porque, para chegarem a Ele, terão de se transformar, terão de se despojar das vestes da maldade, do orgulho, renunciar a si mesmos, para poderem ver a luz do Supremo Sol.



Esta cegueira, meus irmãos, minhas irmãs, é a mais difícil de ser debelada, porque para dela se livrar, a alma terá de ter força de vontade, usar de esforço próprio para superar a si mesmo. O nosso maior inimigo não está naquele que nos ofende, naquele que não nos compreende e, sim, dentro de nós mesmos, com raízes profundas em nossa mente, em nossos corações, dominando os nossos sentimentos, não permitindo que avancemos em nome da Verdade.



Esta cegueira, meus irmãos, minhas irmãs, quantos na Terra a têm! E, por serem cegos, são dominados pelos sentimentos de prepotência; querem chefiar sem estarem, para este posto, preparados. Daí, usarem da maldade, da prepotência, procurando, através do sofrimento imposto aos seus irmãos, elevar-se, porque eles, por si próprios, não têm meios para fazê-lo. São dominados pelo egoísmo, não se importando ferir a quem quer que seja, contanto que subam, conquistando altos postos.
E o que acontecerá?
Se não enxergam o seu próprio caminho, não poderão saber escolher o que é certo ou errado; não saberão distinguir o verdadeiro do falso. Fazendo-se passar por líderes, conseguem dominar as massas, arrastando-as para os abismos profundos do egoísmo e da vaidade.



A História está aí, para provar que esses povos feneceram com os seus líderes, porque foram cegos, guiando outros cegos, ao passo que se a criatura, investida, por mais humilde que seja o cargo, a assumir ou o mais importante, invejado por toda a humanidade, procura ver que por mais que suba, esta subida é efêmera, porque pertence ao mundo material; se, de olhos abertos, contemplar aqueles que afastou de si, então, com amor, carinho e compreensão, será amado e o seu esforço será correspondido.
Poderá ele guiar cegos, porque saberá escolher os caminhos, evitando os precipícios, as amarguras, as decepções.




Eis porque, meus irmãos, minhas irmãs, o Divino Rabi, por muito enxergar, compreendia a pequenez dos sentimentos humanos, a fragilidade daqueles que, ao seu lado, conviviam e para isto não perdia uma oportunidade para lhes ensinar, tocar em suas almas ainda cambaleantes.
Viera ao mundo numa mensagem de amor e de paz.
Teria necessidade de cumpri-la, não importando sacrificar até a sua própria vida.


E, assim, de parábola em parábola, de ensinamento em ensinamento, dando o seu exemplo, deixava marcada no caminho, a sua elevação e aqueles que O quisessem seguir, que enxergassem o amanhã como Ele enxergava, teriam de se despojar de tudo aquilo que os impedisse de pleitear e abandonar todas as ilusões à beira da estrada. Seguiu Ele à frente, carregando a sua cruz, para que do alto do monte a sua palavra, os seus ensinamentos, ficassem plantados para todo o sempre.


A sua bondade, porém, irradiou-se por toda a humanidade e aqueles que O feriram, aqueles que concorreram para que expirasse o seu último suspiro, receberam o seu amor, uma palavra de perdão e, através deste perdão, foram saindo da cegueira das suas paixões e, por meio de outras encarnações, levaram ao Gólgota de suas vidas a sua cruz, espalhando o perdão, o amor e a tolerância, porque, empunhando a cruz da fé, puderam vencer a si próprios, tornando-se guias daqueles que, cegos, ainda permaneciam.
Que o sublime Rabi vos oriente e que possais ver, ouvir e calar, servindo sempre ao Pai.

(Extraído do livro: As Divinas Parábolas – Autor: Samuel (Espírito), médium: Neusa Aguiló de Souza – Centro Espírita Oriental “Antônio de Pádua”, Recife, PE – 1982, p. 105-108).





JULIO FLÁVIO ROSOLEN é Espírita, participa da Sociedade Espírita Casa do Caminho (SECCA), em Piracicaba, Estado de São Paulo, é Coronel (da reserva) do Corpo de Bombeiros e colabora com o nosso Blog.


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