domingo, 24 de setembro de 2023

O ENTERRO DA BORBOLETA - Por David Chinaglia


 

Roberto acordará naquele domingo qualquer, com fortes dores, como vinha enfrentando a meses, ainda sem um laudo efetivo das causas, e com variantes outras da saúde, largou a televisão, onde sempre assistia a seus documentários, e foi ter uma conversa com sua esposa, que lavava o quintal da casa, onde estavam por residir momentaneamente.

Inquieto, Roberto reclamava das dores que poucos passam desde que surgiu o problema, alertado por Ruth a esposa, de que precisava parar, de centralizar na dor, seus pensamentos, olhou para um pé de acerola que está ao fundo da casa onde ele reside, plantado pela antiga moradora e que ele raramente saca um dos frutos ao pé.

Foi então, que viu uma linda borboleta preta, de listras brancas, Roberto em sua vida, sempre fora atento a tudo, mas de uns tempos para cá, anda sobrecarregado com seu mal estar, e saúde, e ali estava a linda borboleta, mas, para tristeza de Roberto, ela estava morta, aos pés da pequena árvore de mamão, plantada também pela antiga moradora da casa.

E o novo morador avisou a esposa, ela morreu exclamou, e a esposa disse, "sim a uma semana, ela está ai, esperando você ver os detalhes que sempre viu e que deixou de ver".

Rutinha, tem certeza que me contou isto, indagou Roberto, juro, eu não me lembro, e ela o alertou isto, e "mais citava a interlocutora, quatro ou cinco fatos" que o marido não havia ouvido que ela falou, foi então que Roberto, no meio deste calor, sorriu a esposa, e disse vamos enterrar a borboleta.

Então nosso companheiro de jornada foi para algo inusitado, enterrou a Borboleta, e agradeceu, antes tinha comido no pé de acerola um fruto, e sorriu para a borboleta, quem sabe ao te enterrar eu consiga seguir.
Após o feito digamos raro, do ato fúnebre com a borboleta, se dirigiu a Rute e disse, "amada, estas coisas marcam a gente, eu sinceramente não vi esta esta borboleta, e ela respondeu, cirurgicamente," é porque você deixou de ver a vida passando do seu lado, e está pensando somente na ausência de seus filhos em sua vida, esperando demais deles e castigando você, o mundo não para, temos que sorrir mais, falar nisto, ouviu o áudio do Sr.Antonio.

Logo nosso personagem, respondeu, "sim, cantando é Primavera do Tim Maia, para alegrar os amigos".
Rute então logo respondeu, "andas tão desligado, e  já pensou que as vezes nos alegramos, alegrando os amigos, eu mesma, achei diferente e animador."





Eis que Roberto, que é meu amigo, resolveu me dar este texto, ao me contar o que ocorrera com ele telefonicamente.

Isto logo me levou a Allan Kardec, ao espiritismo, a vida, e ao meu saudoso Richard Simonetti, que deixou o planeta, aos 83 anos, e dizia sempre que as vezes, nós espíritas, reclamamos muito, agradecemos pouco, o que temos, sem ver em volta a riqueza que temos, de pelo menos ver, e sentir mais a vida, como ver uma borboleta, viva, ou morta, um pé de acerola, um passarinho, de agradecer pelo dom de poder ver.

Talvez Roberto, assim como você, querido leitor, como eu as vezes, não tenha visto, que durante o enterro da Borboleta, ele riu, agradeceu a ela, comeu fruto no pé, algo que muitos pacientes já em hospital não podem faze-lo, conversou com a esposa, falou de um amigo distante que gosta muito, e sempre alegra com suas brincadeiras, as pessoas do seu entorno, esqueceu a dor.

Kardec dizia, que aprendera com os imortais, que a maior parte dos problemas do ser humano estava na mente das pessoas, no carregar pesos dos erros ao longo da jornada, Kardec poderia ter vivido pelo menos mais 10 anos do que viveu, era comprometido com a missão espírita, mas, embora nunca tenha deixado um amigo para trás, deixou a vida dele Rivail, e sua saúde, para trás.

Mesmo alertado pelos imortais, seguiu horas sem descanso, pesquisando a luz de velas, conversando e entrevistando pessoas, e foi se esquecendo dele mesmo, algo que os amigos espíritos não puderam mudar, foi escolha dele, e partiu em 1869.

Aprenda uma coisa estimado leitor, espírito nenhum, nem mesmo o todo poderoso vai intervir em sua vida, para as coisas que você tem que fazer, as mudanças que precisa implantar, para o curso de sua vida seguir, eles não agem para uns e para outros não, motivam, mas o ato em si, será sempre seu, livre arbítrio e escolhas que todos fazemos.

No relatar sua história sem saber da minha, Roberto nosso personagem,  me fez sorrir, e gerou este texto, aos senhores, as vezes as dores que sentimos seja física, seja moral, seja espiritual, em sua maioria das vezes diria, são causadas por nós mesmos, pelos ecos to passado, lamentos, alguns falam coisas que não acreditam.

Outro dia em uma capela estava sozinho, uma senhora entrou e sentou atrás de mim e se ajoelhou, pego de surpresa, disse a ela desculpe estava com pensamento, em voz alta, as vezes falo sozinho, nas capelas, porque sinto espíritos por lá, ainda mais que era uma capela de hospital.

E ela disse, não amigo, eu só vim agradecer, sorriu deu a mão, e saiu, cheguei a pensar que era um espírito de tão rápida que foi para tudo isto, se tanto 3 minutos, mas, ela achou um tempo, para dizer a Jesus, a Deus, OBRIGADO, universo, obrigado, provável que alguém de sua família tenha sido salvo, na dor, achamos o amor, deveríamos achar sempre.



Cabe neste texto lembrar, para poder completar, que,

Águas passadas, não movem moinhos diz o ditado popular, e este é um fato, nada, absolutamente nada que você venha a fazer, vai mudar o certo ou errado que já ocorreu em sua vida, nem para melhor nem para pior.

Roberto dentre suas dores, parou de reclamar, e nas horas que se passou do enterro da borboleta, sorriu, contou piada a Rute, foi brincar com o cachorro, que desde o raiar do dia estava ao lado dele, sentindo que ele precisava deste momento, que nos deu, de realizar o texto.

Nós preocupamos muito, em quem rezou contra nós, quem fez "macumba", quem nos xingou, e esquecemos que a cada um de nós de acordo nosso merecimento, ninguém do mal, poderá te atingir se seus pensamentos estiverem firmes no bem, no que ensinou Jesus.

Plantou colherás, não plantou não colherás, Roberto, deu tudo que pode aos filhos, hoje lamenta a ausência deles em sua vida, e talvez mesmo não tendo sido materialmente tanto assim, tenha esquecido de ensinar a eles, a importância de um pai e uma mãe, serem acolhidos quando já na velhice precisam de atenção.

Logo colhe o que plantou, os fatos são simples, não precisa de psicólogo, para resolver coisas simples da vida, nem ser enfeite de centro espírita indo lá só quando os problemas chegam, esquecendo de agir.

Problemas amados, todos tem, com dinheiro, sem dinheiro, dificuldades todos temos, e como disse, o dia apesar de quente, está lindo, então, aproveite mais, o seu tempo, a sua vida, mesmo que acredite que esteja saindo dela, e lembre algo que sempre repito aqui.

A única data certa na sua vida, é seu nascimento, a morte é certa que virá, quando, bem isto, ninguém sabe, antecipadamente.
Seria até injusto, com a maioria, mas, ela a morte física, virá, o que acontece entre o dia do seu nascimento e sua partida, é você, quem faz, ninguém é responsável pelos acertos, ou erros que são seus, colha os morangos como dizia meu amigo Shinyashiki, psiquiatra, escritor, lembre de seus talentos.

E mais meu amigo, ser espírita não é ser santo, nem melhor, pois lembre,  a quem mais souber, mais será cobrado, logo, não espere o enterro da borboleta em sua vida, para agradecer o tanto que já tem, perto de milhões, por exemplo,  hoje nem conseguiram comer pela primeira vez, ou ter acesso a médicos e remédios como Roberto, eu, ou amigos que sempre o acolhem em sua jornada.

Antes de terminar o texto disse a quem o originou, ou seja o Roberto, obrigado, pelo exemplo que originou, e bom domingo á todos.







David Chinaglia, 65 anos, jornalista, radialista, escritor, espírita de acordo a codificação e ensino do professor Allan Kardec, e editor deste blog, criado por Rogério Sarmento para divulgar o espiritismo, e textos com inúmeros colaboradores famosos, que nos permitiram ser conhecidos até fora do Brasil.

Comentários, pelo davidchinaglia@gmail.com