terça-feira, 31 de dezembro de 2019

A DOENÇA MENTAL - POR NUBOR ORLANDO FACURE.



Hoje, um termo mais adequado para doença mental, possivelmente, seria,Transtornos neuro-comportamentais.
Os novos conhecimentos sobre sobre o cérebro, principalmente, após a ressonância funcional, o EEG quantitativo, os exames genéticos e neuropsicológicos, revolucionaram nossa abordagem nos transtornos mentais.
Os neurocientistas estão trabalhando em diversas linhas de avaliação dando aos diagnósticos uma abordagem mais abrangente.
Hoje é assim que se pode avançar nessa análise:
1- O estudo por imagem para indicar áreas cerebrais afetadas
2 - Os critérios clínicos para diagnóstico das síndromes reconhecidas
3 - A avaliação neuropsicológica para reconhecimento de disfunções neuro-comportamentais
4 - O perfil genético familiar
5 - Os testes de DNA para uso de medicação específica


1- Estudo das regiões cerebrais comprometidas:
A RNM funcional permitiu-nos identificarmos as áreas cerebrais afetadas, lesionadas ou em mal funcionamento em diversas situações clínicas nos transtornos mentais
Hoje sabemos quais grupos de circuitos neurais estão comprometidos nos transtornos mentais
Conexões e redes podem estar lesadas ou em mal funcionamento
Esse paradígma tem se revelado mais abrangente que a hipotese química que atribue ao aumento ou diminuição dos neurotransmissores a origem dos transtornos da mente
As regiões mais importantes são:




Cortex pré-frontal dorso lateral 
Essa região nos permite o planejamento consciente, idealizar metas, flexibilizar nossas ações, optar por rotas paralelas ou esquemas heurísticos para solução de problemas, refletir sobre nossos atos e usar a memória de trabalho.
Córtex pré-frontal ventromedial Relaciona-se com o comportamento afetivo, com a correção de erros como, por exemplo, corrigir o Email que escreví errado, com a percepção e expressão das nossas emoções, e com o esforço de focalizar a atenção.



Córtex Órbitobasal 
Comportamento social, tomada de decisões, avaliar os riscos de uma ação, inibir respostas inapropriadas, principalmente, num contexto social para não desagradar o chefe ou a cunhada.
Ínsula de Reil
Faz parte do sistema límbico, o nosso cérebro emocional.
Ela nos dá o significado emocional para os sons, o sabor e os cheiros
Daí sua ligação com desejos, nojo, medo, vingança e culpa
Giro Cíngulo 
Sua porção anterior monitora nossos erros 
Substância negra 
Atua no controle da marcha e outros movimentos automáticos
Núcleo Accunbens 
Tem relação direta com nosso sistema de prazer e recompensa
Hipocampo 
Porta de entrada para a memória de curto prazo e sua transferência para a memória de longo prazo
Mesencéfalo
Possue núcleos relacionados com o estado de alerta e os ritmos de sono.
Cada uma dessas regiões descritas acima, se forem afetadas física ou funcionalmente, produzirá um tipo específico de transtorno neuro-comportamental que o paciente passa a manifestar.
2- As síndromes clínicas
O manuais clínicos da psiquiatria estão sempre se atualizando para nos fornecer protocolos e questionários que apontam os critérios para o diagnóstico clínico
Esquizofrenia
Depressão
TOC
TDAH
Ansiedade generalizada
Crises de pânico
Demências
Transtorno bipolar


3 - A avaliação neuropsicológica permite confirmar
Desatensão
Hiperatividade
Perda de memória
Impulsividade
Distúrbios do pensamento
Delírio
Alucinações 
Dislexia
Agressividade
Apatia
Perda da libido
Prejuízo motor
4 - Teste genético 
Nos esclarece sobre a ocorrências de um padrão genético específico, geralmente com múltiplos genes afetados

5 - A identificação do perfil genético nos permite testes químicos para a melhor 
escolha de medicamentos inficados na terapia.


A reeducação do Espírito
Já aprendemos que não basta corrigirmos os sintomas mediados por desvios químicos
É preciso atuar em vários domínios cognitivos: 
funções executivas, 
comportamentos afetivos, sociais e motivacionais
O conhecimento atual que analisamos nos sugere acrescentarmos outras formas de terapia ao uso corriqueiro de medicação fartamente popularizada .                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                
Como recompor as conexões neurais afetadas?
Reeducar a mente, sugerindo um novo padrão de pensamentos
Estímulos magnéticos transcranianos
Terapia cignitiva comportamental
Neurofeedback
Terapia ocupacional em tempo integral
Meditação
Desenvolvimento espiritual, com apoio e prática de normas de conduta.



Nubor Orlando Facure,80, é médico, neurologista, espírita, e colabora com este blog.



quarta-feira, 25 de dezembro de 2019

COMO ME VEJO NELE - POR MARCELO HENRIQUE




O mundo ocidental praticamente para... É hora de comemorar a vinda daquele que, prometido há milênios, pelas previsões e predições do Judaísmo, haveria de apascentar o rebanho e restabelecer o Reino de Justiça, Amor e Caridade.

É fato que os judeus esperavam um novo libertador que, a peso de espada, dor e sofrimento, impingisse aos dominadores romanos uma grandiosa e definitiva derrota. O Reino esperado era, portanto, uma vindita, uma revanche, uma desforra.

"Então ele veio, e disse já é hora de seguir", como diz uma canção espiritista, mas "ensinou o caminho tortuoso, mostrou as pedras e os espinhos". Não veio como um juiz, um rei, nem, tampouco, como um salvador... Não foi aquele que desembainhou uma espada, nem o que com o poder de suas mediunizadas mãos, fizesse cair, um a um, os exércitos a seus pés. Nem ousou discutir com os doutores da lei, nem com o imperador romano que tinha, àquele tempo, poder de vida e morte sobre os homens. Apenas ouviu, calado, os ataques, as acusações e a sentença derradeira.


Dizem que teria vencido o aguilhão da morte e ressuscitado até ascender aos céus, naquele que seria considerado seu derradeiro milagre, para consolidar o mito místico que seria, três séculos depois, reconhecido pela igreja oficial romana e expandido por todo o ocidente como o Filho de Deus, cordeiro redentor da Humanidade.

E assim tem sido... A cada ano, seja agora, no Natal, seja na Páscoa, as duas datas principais da "cristandade", as fábulas se repetem, as estórias são recontadas, revivendo o mito do Cristo-Deus que é reverenciado pelas centenas (?) de igrejas que, surpreendentemente, foram derivadas da primeira igreja, subtraída dos pequenos camponeses e pescadores (de homens), pelo interesse mundano e de poder dos políticos de então. Cada uma destas igrejas se avoca como detentora da "real mensagem", da "verdade" e da condição de "caminho para a eternidade", mediante prescrições, mandamentos, sacramentos, exigências, dízimos ou, quem sabe, boas ações e muitas orações...

Nenhuma delas o representa, para usar jargão dos últimos tempos. Todas, invariavelmente, dele se afastaram ou produziram um arquétipo simbólico do que ele teria dito, feito ou pregado. Como se existissem - e existem - dois seres bem distintos: Cristo, o enviado e pastor das religiões; e Jesus, o Homem real, de carne e osso, com a característica de alguém que viveu intensamente o seu tempo.


Jesus, que teria nascido da carne (e não apenas pelo sopro "divino" da encarnação pelo "poder do Espírito Santo", numa grávida que jamais teria tido conjunção carnal e desejos de mulher, em essência e vivência. A despeito da fábula e sem o risco de blasfêmia, deve ter sido mágico o momento da fecundação que trouxe Ecce Homo à vida física, mais uma vez...


Da gravidez à luz, desta à infância - com parcos relatos dos "evangelistas" reconhecidos como oficiais - e desta à adolescência, da qual pouco se sabe, porquanto nem era interessante à Igreja Oficial tratar destes temas, já que preferiu concentrar as narrativas nos três últimos anos de sua idade adulta, quando reuniu os discípulos e saiu "a semear"... Suposições, livros apócrifos (ou nem tanto) e discussões filosóficas apontam para um longo período de preparo e aprendizado do "filho do carpinteiro", a léguas dali, de sua cidadezinha, entre o povo que, àquela época, representava a possibilidade de uma (vera) iniciação nos "ensinos ocultos", nas "coisas divinas" e nos "prodígios espirituais". Teriam sido os Essênios, esse povo? Possivelmente...

No retorno, Jesus foi homem - em completude. Teve direito a rir e a chorar. A alegrar-se e entristecer-se. A comer e beber daquilo que seu povo costumeiramente fazia uso. A dançar e gargalhar, nas muitas festas de que teria participado, bodas, festejos populares, aniversários, comemorações judaicas e tantas outras. Em algumas delas, deve ter se enamorado por uma jovem de beleza ímpar - tal qual sua mãe, como a mais bela mulher das cercanias - e com ela falado sobre o Futuro, sobre o Plano Maior, sobre a Eternidade...


Com o passar dos meses - e, até, anos - deve tê-la preparado (assim como fez em relação à Myriam, sua mãe) para os dias finais de sua trajetória, cunhados em sofrimento, decepção e dor (tanto moral quanto física). Todos teriam de ser fortes, e o foram...

E, por que não, teriam tido a ideia de ter um filho para coroar essa relação de amor? Por que não poderiam exemplificar a Lei da Vida, com mais um "milagre" de um rebento que tivesse a consanguinidade daquele belo casal e um pouco do conhecimento e da vivência de Yeshua e Myriam (de Migdal)? Só para não "contrastar" com a "parábola" inventada pela Igreja Romana? Só para não "descaracterizar" o "mito de pureza" do "Filho do Altíssimo"?

Em que seria contrário às Leis de Deus que o homem mais adiantado na escala espiritual pudesse ter as mesmas experiências, gostos, envolvimentos, desejos e práticas dos demais de sua geração? Será possível justificar isso sem atentar contra a lógica e o bom senso, talvez apelando para teorias esdrúxulas como a de um ser "fluídico", uma "aparição materializada" ou um homem "purificado e santificado", sem as necessidades "mundanas", opção, esta, adotada pela "Cristandade"?

O Jesus que está nascendo (novamente nos nossos corações e mentes) neste Dezembro (de 2015) deve ser encarado, mais e mais, como um bebê de carne e osso, de mente e espírito, de realidade e existência, não como um protótipo de absoluta perfeição ou um fantasma acima das realidades materiais daquele e do nosso tempo.


Jesus é, porque foi, e será sempre, um Espírito idêntico ao que somos nós, com uma bagagem maior (é verdade), mas ainda em caminhada, como todos... Não seria "obra de Deus" conceber e fazer crer em um ser diferente de todos os outros - seus irmãos - para dar azo às crenças dos povos ancestrais, de que Emmanuel (Deus conosco), Cordeiro, Salvador, Rei dos Reis ou outras adjetivações tivessem que ser superiores à natureza (humana) de mais um avatar que seria disponibilizado à Humanidade em marcha ascensional.


Se eu tivesse de crer - penso que não preciso, porque a crença é inferior, em entendimento, ao saber e ao conhecer - eu creria num homem realmente formidável e fabuloso, com antevisão de muitas coisas, com saberes conquistados em função de múltiplas existências, e com a mediunidade de que foi portador como faculdade NATURAL dos homens que a podem (e querem) exercitar. Uma criança que foi inocente e singela; um adolescente que foi sonhador e estudante; um homem que sabia, mais do que todos os outros, entender a "menoridade" de muitos que o cercavam, mas que aproveitou, deles, sempre, a "melhor parte".

Quando entre elas, as crianças, esse Jesus certamente se fazia como elas, brincando, rindo e até galhofando. Com seus familiares e amigos mais próximos, exercitou todos os valores da convivência mais estrita, seus bons e maus momentos. Diante do público, foi irmão e foi pai, cumpridor de sua missão maior que era a de prescrever o Caminho da Verdadeira Vida, a espiritual, para os que quisessem percorrer tais sendas.


Antes das derradeiras horas, no silêncio de seu lar, com aqueles que lhe eram, mais próximos, mulher e filho, deve ter se despedido carinhosamente, para enfrentar o que iria vir. "Em tuas mãos, Abba, eu entrego o meu espírito", como dizem as Escrituras (oficiais).


É esse Jesus que me preparo para receber, em mais um 25 de dezembro, não só no meu lar e no de meus familiares, mas no meu coração...

Seja bem vindo, menino!


MARCELO HENRIQUE, é advogado, espírita, escritor, palestrante, divulgador da doutrina espírita de acordo com a codificação de Allan Kardec, e desde 2012, colabora com este blog.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

O ESPIRITISMO NÃO FAZ MILAGRES - POR ALLAN KARDEC


Uma das obras menos estudada de Allan Kardec, que no passado foi adulterada em sua tradução para defender interesses escusos, de espíritas, corrigida recentemente, foi sempre ignorada nos centros espíritas que preferem fantasias, a estudar a verdade da doutrina, creditando coisas, e milagres, que jamais serão feitos, não existe ajuda sem merecimento.

Kardec, racional, lógico, pensante, aberto, e autorizado pelo plano superior a informar, ensinar, e sempre a defender os interesses da Doutrina, jamais se usou, como fazem alguns hoje de atos, curas, e milagres, vamos ao mestre. (Editoria).





. Na acepção etimológica, a palavra milagre (de mirari, admirar) significa: admirável, coisa extraordinária, surpreendente. A Academia definiu-a deste modo: Um ato do poder divino contrário às leis da Natureza, conhecidas.


Na acepção usual, essa palavra perdeu, como tantas outras, a significação primitiva. De geral, que era, se tornou de aplicação restrita a uma ordem particular de fatos. No entender das massas, um milagre implica a idéia de um fato extranatural; no sentido teológico, é uma derrogação das leis da Natureza, por meio da qual Deus manifesta o seu poder. Tal, com efeito, a acepção vulgar, que se tornou o sentido próprio, de modo que só por comparação e por metáfora a palavra se aplica às circunstâncias ordinárias da vida.


Um dos caracteres do milagre propriamente dito é o ser inexplicável, por isso mesmo que se realiza com exclusão das leis naturais. É tanto essa a idéia que se lhe associa, que, se um fato milagroso vem a encontrar explicação, se diz que já não constitui milagre, por muito espantoso que seja. O que, para a Igreja, dá valor aos milagres é, precisamente, a origem sobrenatural deles e a impossibilidade de serem explicados. Ela se firmou tão bem sobre esse ponto, que o assimilarem-se os milagres aos fenômenos da Natureza constitui para ela uma heresia, um atentado contra a fé, tanto assim que excomungou e até queimou muita gente por não ter querido crer em certos milagres.


Outro caráter do milagre é o ser insólito, isolado, excepcional. Logo que um fenômeno se reproduz, quer espontânea, quer voluntariamente, é que está submetido a uma lei e, desde então, seja ou não seja conhecida a lei, já não pode haver milagres.


2. Aos olhos dos ignorantes, a Ciência faz milagres todos os dias. Se um homem, que se ache realmente morto, for chamado à vida por intervenção divina, haverá verdadeiro milagre, por ser esse um fato contrário às leis da Natureza. Mas, se em tal homem houver apenas aparências de morte, se lhe restar uma vitalidade latente e a Ciência, ou uma ação magnética, conseguir reanimá-lo, para as pessoas esclarecidas ter-se-á dado um fenômeno natural, mas, para o vulgo ignorante, o fato passará por miraculoso. Lance um físico, do meio de certas campinas, um papagaio elétrico e faça que o raio caia sobre uma árvore e certamente esse novo Prometeu será tido por armado de diabólico poder Houvesse, porém, Josué detido o movimento do Sol, ou, antes, da Terra e teríamos aí o verdadeiro milagre, porquanto nenhum magnetizador existe dotado de bastante poder para operar semelhante prodígio.


Foram fecundos em milagres os séculos de ignorância, porque se considerava sobrenatural tudo aquilo cuja causa não se conhecia. À proporção que a Ciência revelou novas leis, o círculo do maravilhoso se foi restringindo; mas, como a Ciência ainda não explorara todo o vasto campo da Natureza, larga parte dele ficou reservada para o maravilhoso.


3. Expulso do domínio da materialidade, pela Ciência, o maravilhoso se encastelou no da espiritualidade, onde encontrou o seu último refúgio. Demonstrando que o elemento espiritual é uma das forças vivas da Natureza, força que incessantemente atua em concorrência com a força material, o Espiritismo faz que voltem ao rol dos efeitos naturais os que dele haviam saído, porque, como os outros, também tais efeitos se acham sujeitos a leis. Se for expulso da espiritualidade, o maravilhoso já não terá razão de ser e só então se poderá dizer que passou o tempo dos milagres. (Cap. I, nº 18.)

4. O Espiritismo, pois, vem, a seu turno, fazer o que cada ciência fez no seu advento: revelar novas leis e explicar, conseguintemente, os fenômenos compreendidos na alçada dessas leis.

Esses fenômenos, é certo, se prendem à existência dos Espíritos e à intervenção deles no mundo material e isso é, dizem, o em que consiste o sobrenatural. Mas, então, fora mister se provasse que os Espíritos e suas manifestações são contrárias às leis da Natureza; que aí não há, nem pode haver, a ação de uma dessas leis.

O Espírito mais não é do que a alma sobrevivente ao corpo; é o ser principal, pois que não morre, ao passo que o corpo é simples acessório sujeito à destruição. Sua existência, portanto, é tão natural depois, como durante a encarnação; está submetido às leis que regem o princípio espiritual, como o corpo o está às que regem o princípio material; mas, como estes dois princípios têm necessária afinidade, como reagem incessantemente um sobre o outro, como da ação simultânea deles resultam o movimento e a harmonia do conjunto, segue-se que a espiritualidade e a materialidade são duas partes de um mesmo todo, tão natural uma quanto a outra, não sendo, pois, a primeira uma exceção, uma anomalia na ordem das coisas.

5. Durante a sua encarnação, o Espírito atua sobre a matéria por intermédio do seu corpo fluídico ou perispírito, dando-se o mesmo quando ele não está encarnado. Como Espírito e na medida de suas capacidades, faz o que fazia como homem; apenas, por já não ter o corpo carnal para instrumento, serve-se, quando necessário, dos órgãos materiais de um encarnado, que vem a ser o a que se chama médium. Procede então como um que, não podendo escrever por si mesmo, se vale de um secretário, ou que, não sabendo uma língua, recorre a um intérprete. O secretário e o intérprete são os médiuns de um encarnado, do mesmo modo que o médium é o secretário ou o intérprete de um Espírito.

6. Já não sendo o mesmo que no estado de encarnação o meio em que atuam os Espíritos e os modos por que atuam, diferentes são os efeitos, que parecem sobrenaturais unicamente porque se produzem com o auxílio de agentes que não são os de que nos servimos. Desde, porém, que esses agentes estão na Natureza e as manifestações se dão em virtude de certas leis, nada há de sobrenatural, ou de maravilhoso. Antes de se conhecerem as propriedades da eletricidade, os fenômenos elétricos passavam por prodígios para certa gente; desde que se tornou conhecida a causa, desapareceu o maravilhoso. O mesmo ocorre com os fenô- menos espíritas, que não são mais aberrantes das leis naturais do que os fenômenos elétricos, acústicos, luminosos e outros, que serviram de fundamento a uma imensidade de crenças supersticiosas.

7. Entretanto, dir-se-á, admitis que um Espírito pode levantar uma mesa e mantê-la no espaço sem ponto de apoio; não está aí uma derrogação da lei da gravidade? — Sim, da lei conhecida. Conhecem-se, porém, todas as leis? Antes que se houvesse experimentado a força ascensional de alguns gases, quem diria que uma pesada máquina, transportando muitos homens, poderia triunfar da força de atração? Ao vulgo, isso não pareceria maravilhoso, diabólico? Aquele que se houvera proposto, há um século, a transmitir uma mensagem a 500 léguas e receber a resposta dentro de alguns minutos, teria passado por louco; se o fizesse, teriam acreditado estar o diabo às suas ordens, porquanto, então, só o diabo era capaz de andar tão depressa. Hoje, no entanto, não só se reconhece possível o fato, como ele parece naturalíssimo. Por que, pois, um fluido desconhecido careceria da propriedade de contrabalançar, em dadas circunstâncias, o efeito da gravidade, como o hidrogênio contrabalança o peso do balão? É, efetivamente, o que sucede, no caso de que se trata. (O Livro dos Médiuns, 2ª Parte, cap. IV.)

8. Uma vez que estão no quadro dos da Natureza, os fenômenos espíritas se hão produzido em todos os tempos; mas, precisamente, porque não podiam ser estudados pelos meios materiais de que dispõe a ciência vulgar, permaneceram muito mais tempo do que outros no domínio do sobrenatural, donde o Espiritismo agora os tira.


Baseado em aparências inexplicadas, o sobrenatural deixa livre curso à imaginação que, a vagar pelo desconhecido, gera as crenças supersticiosas. Uma explicação racional, fundada nas leis da Natureza, reconduzindo o homem ao terreno da realidade, fixa um ponto de parada aos transviamentos da imaginação e destrói as superstições. Longe de ampliar o domínio do sobrenatural, o Espiritismo o restringe até aos seus limites extremos e lhe arrebata o último refúgio. Se é certo que ele faz crer na possibilidade de alguns fatos, não menos certo é que, por outro lado, impede a crença em diversos outros, porque demonstra, no campo da espiritualidade, a exemplo da Ciência no da materialidade, o que é possível e o que não o é. Todavia, como não alimenta a pretensão de haver dito a última palavra seja sobre o que for, nem mesmo sobre o que é da sua competência, ele não se apresenta como absoluto regulador do possível e deixa de parte os conhecimentos reservados ao futuro.


9. Os fenômenos espíritas consistem nos diferentes modos de manifestação da alma ou Espírito, quer durante a encarnação, quer no estado de erraticidade. É pelas manifestações que produz que a alma revela sua existência, sua sobrevivência e sua individualidade; julga-se dela pelos seus efeitos; sendo natural a causa, o efeito também o é. São esses efeitos que constituem objeto especial das pesquisas e do estudo do Espiritismo, a fim de chegar-se a um conhecimento tão completo quanto possível, assim da natureza e dos atributos da alma, como das leis que regem o princípio espiritual.

10. Para os que negam a existência do princípio espiritual independente, que negam, por conseguinte, a da alma individual e sobrevivente, a Natureza toda está na matéria tangível; todos os fenômenos que concernem à espiritualidade são, para esses negadores, sobrenaturais e, portanto, quiméricos. Não admitindo a causa não podem eles admitir os efeitos e, quando estes são patentes, os atribuem à imaginação, à ilusão, à alucinação e se negam a aprofundá-los. Daí, a opinião preconcebida em que se acastelam e que os torna inaptos a apreciar judiciosamente o Espiritismo, porque parte do princípio de negação de tudo o que não seja material.

11. Do fato, porém, de o Espiritismo admitir os efeitos, que são corolário da existência da alma, não se segue que admita todos os efeitos qualificados de maravilhosos e que se proponha a justificá-los e dar-lhes crédito; que se faça campeão de todos os devaneios, de todas as utopias, de todas as excentricidades sistemáticas, de todas as lendas miraculosas. Fora preciso conhecê-lo muito pouco, para pensar assim. Seus adversários julgam opor-lhe um argumento irreplicável, quando, depois de haverem feito eruditas pesquisas sobre os convulsionários de Saint-Médard, sobre os camisardos das Cevenas, ou sobre os religiosos de Loudun, chegaram a descobrir fatos patentes de embuste, que ninguém contesta. Mas, essas histórias serão, porventura, o Evangelho do Espiritismo? Já terão seus adeptos negado que o charlatanismo haja explorado em proveito próprio alguns fatos; que a imaginação os tenha criado; que o fanatismo os haja exagerado muitíssimo? Ele é tão solidário com as extravagâncias que se cometam em seu nome, como a Ciência o é com os abusos da ignorância e a verdadeira religião com os abusos do fanatismo. Muitos críticos julgam do Espiritismo pelos contos de fadas e pelas lendas populares, ficções daqueles contos. O mesmo seria julgar da História pelos romances históricos ou pelas tragédias.

12. Os fenômenos espíritas são as mais das vezes espontâneos e se produzem sem nenhuma idéia preconcebida da parte das pessoas com quem eles se dão e que, em regra, são as que neles menos pensam. Alguns há que, em certas circunstâncias, podem ser provocados pelos agentes denominados médiuns. No primeiro caso, o médium é inconsciente do que se produz por seu intermédio; no segundo, age com conhecimento de causa, donde a classificação de médiuns conscientes e médiuns inconscientes. Estes últimos são os mais numerosos e se encontram com freqüência entre os mais obstinados incrédulos que, assim, praticam o Espiritismo sem o saberem, nem quererem. Por isso mesmo, os fenômenos espontâneos revestem capital importância, visto não se poder suspeitar da boa-fé dos que os obtêm. Dá-se aqui o que se dá com o sonambulismo que, em certos indivíduos, é natural e involuntário, enquanto que noutros é provocado pela ação magnética. *

Resultem, porém, ou não esses fenômenos de um ato da vontade, a causa primária é exatamente a mesma e não se afasta uma linha das leis naturais. Os médiuns, portanto, nada absolutamente produzem de sobrenatural; por conseguinte, nenhum milagre fazem. As próprias curas instantâneas não são mais milagrosas, do que os outros efeitos, dado que resultam da ação de um agente fluídico, que desempenha o papel de agente terapêutico, cujas propriedades não deixam de ser naturais por terem sido ignoradas até agora. É, pois, totalmente impróprio o epíteto de taumaturgos que a crítica ignorante dos princípios do Espiritismo há dado a certos médiuns. A qualificação de milagres emprestada, por comparação, a esta espécie de fenômenos, somente pode induzir em erro sobre o verdadeiro caráter deles.
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* O Livro dos Médiuns, 2a Parte, cap. V — Revue Spirite; exemplos: dezembro de 1865, pág. 370, agosto de 1865, pág. 231.


13. A intervenção de inteligências ocultas nos fenômenos espíritas não os torna mais milagrosos do que todos os outros fenômenos devidos a agentes invisíveis, porque esses seres ocultos que povoam os espaços são uma das forças da Natureza, força cuja ação é incessante sobre o mundo material, tanto quanto sobre o mundo moral.

Esclarecendo-nos acerca dessa força, o Espiritismo faculta a elucidação de uma imensidade de coisas inexplicadas e inexplicáveis por qualquer outro meio e que, por isso, passaram por prodígios nos tempos idos. Do mesmo modo que o magnetismo, ele revela uma lei, senão desconhecida, pelo menos mal compreendida; ou, melhor dizendo, conheciam-se os efeitos, porque eles em todos os tempos se produziram, porém não se conhecia a lei e foi o desconhecimento desta que gerou a superstição. Conhecida essa lei, desaparece o maravilhoso e os fenômenos entram na ordem das coisas naturais. Eis por que tanto operam um milagre os espíritas quando fazem que uma mesa se mova sozinha, ou que os mortos escrevam, como um milagre opera o médico, quando faz que um moribundo reviva, ou o físico, quando faz que o raio caia. Aquele que pretendesse, com o auxílio desta ciência, fazer milagres seria ou um ignorante do assunto, ou um enganador de tolos.

14. Pois que o Espiritismo repudia toda pretensão às coisas miraculosas, haverá, fora dele, milagres, na acepção usual desta palavra? Digamos, primeiramente, que, dos fatos reputados milagrosos, ocorridos antes do advento do Espiritismo e que ainda no presente ocorrem, a maior parte, senão todos, encontram explicação nas novas leis que ele veio revelar. Esses fatos, portanto, se compreendem, embora sob outro nome, na ordem dos fenômenos espíritas e, como tais, nada têm de sobrenatural. Fique, porém, bem entendido que nos referimos aos fatos autênticos e não aos que, com a denominação de milagres, são produto de uma indigna trampolinice, com o fito de explorar a credulidade. Tampouco nos referimos a certos fatos lendários que podem ter tido, originariamente, um fundo de verdade, mas que a superstição ampliou até ao absurdo. Sobre esses fatos é que o Espiritismo projeta luz, fornecendo meios de apartar do erro a verdade.

DR.INÁCIO FERREIRA - POR NUBOR ORLANDO FACURE



Convivi com  Dr. Inácio Ferreira, médico, espírita, em contatos esporádicos, mas, muito proveitosos, me deixava acanhado porque ele me tratava com muita distinção, invertendo os valores.



Ele experiente e famoso e eu um simples estudante de medicina, assisti suas aulas no Centro Espirita Uberabense, e conversei mais demoradamente no Sanatório espirita No Centro todas reuniões eram abertas ao publico, assisti algumas vezes, nas sessões de sexta feira as palavras de encerramento da dona Modesto. Incorporada com voz suave, inesquecível, um discurso fluindo, fácil que terminava com uma prece proferida pelo irmão José.
Pelo que sei o Antônio Correia de Paiva anotava esses textos e publicava na Flama Espírita, nas quintas feiras eram reuniões de desobsessão dirigidas pelo enfermeiro do Sanatório Sr. Manoel Roberto. 

Os enfermos assentavam à mesa e vez por outro alguém entre o público passava mal, sofrendo uma espécie de crise epiléptica. Cheguei na Faculdade de Medicina com essa vivência espírita, ali, todos conceitos para justificar a origem das doenças tinham fundamento materialista, mas, eu precisava passar por essa fase, o conhecer a Ciência com toda sua frieza.
Dois dos meus professores da psiquiatria eram espíritas: Homero Pinto Valada e Aldroado Modesto Gil, com quem tive uma convivência tão fraterna que ainda me fazem pulsar o coração, mas eu, por mim mesmo, precisava aprender o diagnóstico diferencial.
Quando sei que a doença é física como me ensinaram os professores da Faculdade ou quando ela é espiritual como testemunhei no Centro Espirita?
Fui atrás do Dr Inácio e perguntei na buxa, " Dr Inácio me ensine como resolver esse problema."
Foi então que ele disse mais ou menos assim:
"Você precisa contar com a ajuda de um bom médium, alguém de confiança que vai lhe descrever o drama espiritual que compromete esse irmão Tenho o consultório literalmente mais aberto do mundo."
Os que convivem comigo sabem disso Mas, introduzir um médium no atendimento setia inviável, mas eu frequentava o Centro do Chico Xavier nas noites de sexta-feira, e Ele antes de iniciar os trabalhos atendia uma extensa fila de necessitados.


E eu, curioso, ficava por perto tentando ouvir suas palavras Vez por outro ele erguia o indicador apontando o alto e ouvia Chico dizer:


"Vamos esperar, Vamos confiar, Vem de lá a solução Hoje",nos anos e anos ouvindo a dor dos que me procuram, eu aprendi com o Chico: Nosso compromisso é espiritual e o que ocorre no corpo é casca vai se depurando.



Nubor Orlando Facure, 80, é médico, espírita, escritor, divulgador da doutrina espírita, durante 50 anos conviveu com Chico Xavier, de quem foi amigo e médico.
Nubor tem contato seus casos, em Uberaba, nos anos 50,60,70, clássicos momentos de sua amizade com grandes espíritas que passaram pela cidade de Minas Gerais.



domingo, 22 de dezembro de 2019

O FUMANTE É SUICIDA ? - Por David Chinaglia








Conversando com meu amigo espírito, Miguel, falamos, desta questão, que tem a mim, em especial, incomodado por várias perguntas de leitores do blog.

Possuo vários amigos fumantes, eu mesmo já fui um, e desde 1998, não fumo, muito embora não tenha sido daqueles seguidores viciados no cigarro.

Este tema tem incomodado muitos espíritas, que além de não conseguir deixar o vício, tem sobre seus ombros a logomarca, de trabalhadores da Seara Espírita, e são internamente muito cobrados.

Gosto de falar e citar nomes, do que aprendi sobre o assunto, tive vários professores de espiritismo em minhas jornadas de vida, Walter Accorsi saudoso amigo de meu pai, na União Espírita, Alvaro Vargas no Fora da Caridade não há salvação, e Paschoal Nunes Filho, da Sociedade Espírita Casa do Caminho, diria que com estes três, tive muito espaço de questionar, de trocar informações, sempre brinco com este papo, de professor de doutrina, na verdade é um técnico, todos precisam conhecer a base para poder falar, Paschoal, foi um dos que mais me tocou, pela sua disciplina, lealdade, e clareza ao explicar, as responsabilidades do espírita, daquele que deseja servir, aprender, e tecnicamente, aprendemos com disciplina, disciplina, disciplina.

Citei estes três, poderia ter citado amigos especial com quem sempre conversei, sobre a temática do suicídio, voluntário, e daquele praticado de forma involuntária.




Qual o maior bem que recebemos do Universo, de nossos pais, e para os seguidores do espiritismo, claro é nosso corpo, nossa chance de viver, nossa chance de aproveitarmos a reencarnação, a volta, e finalmente triunfar.

Qual o maior legado que recebemos portanto do Universo? ou como preferem alguns de Deus? claro que é nosso corpo, aquele que vamos viver 80,90 anos, quem sabe 100 e qual é a lei para todos nós?

Preservar, cuidar, e impedir males que o levem a doença, a mal estar, a danos que marquem não só o corpo, mas o perispírito, e toda nossa história.

Quando deixamos de nos cuidar, e entramos em vários vícios, dentre eles o cigarro, estamos fazendo o que? Destruindo nosso corpo, nosso legado.

Com o passar do tempo, estamos nos matando, com pulmões, rins, ou as vezes até um tumor, vindo do cigarro, logo, estamos no livre vão do suicídio, a única coisa, que não podemos, que não devemos fazer.

Fumar é sim uma auto morte, além de danificar a vida de segundos e terceiros que vivem com a gente, eu sei que fomos vítimas, do cinema, dos filmes, da sociedade moldada em cima destas cenas, e o cigarro entrou com um clima de charme, de classe, porém nos dias atuais sabemos que estamos errados se mantivermos, este vício ou qualquer outro, além do teor que tenhamos controle.



No filme e na obra Nosso Lar, de Chico Xavier, o médico André Luiz, ao acordar, ouve que ele é um suicida, e se revolta, dizendo: "Não o senhor está errado, eu sou um médico, que isto, que absurdo é este, jamais cometeria tal despautério."

Lembraram da cena?

Pois certamente alguns estão repetindo de outra forma e ainda vivos, que não são suicidas, mas se seguirmos a regra clássica de vida, e do que nos ensina a doutrina espírita, sim o fumante é um suicida, e claro a seu tempo vai responder por isto.



Sempre vemos nas aulas de centro espírita, ou nas palestras, cenas de obsessão, e de espíritos vampiros, que ainda buscam a energia do encarnado, ou seja, da terra, e assim ficam ligados, em fumantes de alto consumo, bêbados, seguidores de prostíbulos, mesas de jogos, etc.

O que buscam estes espíritos,? sugar energias do cigarro, da bebida e do sexo sobretudo o feito em demasia, e aleatoriamente.

Para cada vício que carreguemos, bom lembrar que carregamos espíritos a fins, sobretudo se formos trabalhadores de casa espírita, e estivermos envolvidos na ajuda a terceiros, então orai e vigiai suas próprias atitudes, amigo.

Minha atual companheira, espírita, Eliane, diz sempre que quando a pessoa está com o coração peludo, não adianta se afastar dos vícios, dos males, que os problemas estarão dentro de cada de um conforme sua capacidade de enfrenta-los, ou não, e o melhor ela sempre diz, não adianta falar que é bom, é preciso ser bom, não ter o coração peludo.

Tenho falado com amigos meus, alguns até palestrantes, professores e que fumam, questionando como fiz com o velho Agenor, na querida Águas de São Pedro, Agenor já está no plano espiritual, e fui ao palco falar da MORAL, BONS COSTUMES, e EXEMPLOS DE VIDA, usava ele aquele dia uma camisa branca, onde o maço de Malboro reluzia, e diante do momento que citou vícios em sua palestra, ouviu do outro lado, então seo Agenor, o Sr. pode ter vício e fumar? ele lembrou do cigarro, que o assistido na segunda fila viu, e disse : "Eu nunca fui exemplo de nada, então, sim eu fumo, mas não sou suicida."

Anos mais tarde, Agenor morreu de males do Pulmão, pouco antes de partir, disse," registrem que eu estava errado, eu era um suicida eu não dei exemplos, deveria ter largado, antes de ter me confrontado com aquele senhor, que me mostrou que eu aplicava aos outros o que não fiz a mim mesmo."

E este exemplo do velho Agenor, cabe aqui, quando citei meus professores buscava trazer a minha mente, palavras do amigo Paschoal, quando me disse: "Vai ensinar? lembre que vai virar vidraça, lembre que irão cobrar o que você faz fora do centro, fora da palestra, e seus exemplos ditarão se eles vão acreditar no que você fala, e o que pratica."

Daquela conversa em diante, no meu caso, que nada tinha a ver com cigarros, comecei, a analisar que temas apresentaria, que não fossem conflitantes com meu momento.

Então, sim claro que o fumante é Suicida, tema que todos adoram que escolhi, para intercalar outros assuntos, o que estamos dando para os outros é nosso melhor?





O que estamos fazendo para nós na casa espírita e fora dela, está dentro do que os espíritos ensinaram a Allan Kardec?

Na obra maior desta doutrina, o Livro dos Espíritos, encontramos Kardec, em vícios, e atos, que praticamos nos deixando bem claro sobre nossa moral, nosso caráter.

Muitas vezes, temos procurados livros de mais, verdades de mais, atitudes de menos.

Certa vez o amado Accorsi, me disse caminhando pela escola de agronomia: "David ser espírita, é fácil, difícil meu amigo, é entender nossas responsabilidades diante da doutrina e da vida. Se quiser um dia ajudar as pessoas, faça da maneira correta, dando seus melhores exemplos junto a tua família, a sociedade, o seu melhor, pois serás visto de acordo com a moral e o caráter que praticar."

Se você meu amigo e minha amiga que está me lendo, ainda está amarrado num vício qualquer, cigarro, mulheres, bebida, jogos, veja bem que postura anda tomando diante dos demais.

Quanto aos males que tem praticado contra você mesmo, seja cigarro, como o tema aqui, bebida, tudo em demasia, lembre você está destruindo seu próprio corpo, então você está se matando, achando caminhos para sua mente, quando o problema, está em você, em suas teimosias, em seu orgulho, muita vaidade, e por isto se agarrar em vícios só irá te prejudicar.

Se recupere, e não aponte o dedo, não seja professor de Deus, seja consolador, a começar de ti mesmo, porque muitas vezes fazemos e falamos coisas, que não cabem, e queremos ser mais do que realmente somos.

A grande caridade da jornada na terra, é primeiro se perdoar, depois perdoar o próximo, é o de ter atitudes para consigo mesmo, primeiramente, depois com nossos irmãos.

O cigarro, bem meu amigo e minha amiga, se não largou, vou te dar uma sugestão, largue,; Assuma você no controle da sua vida, de verdade, e não com caminhos alternativos.

Antes de melhorar a vida, de alguém, melhore a sua, seja você um exemplo, para depois aceitar, que para mudar alguém, temos que mostrar dentro de nós clareza de atitudes.


Como diz um amigo, também professor, sigamos, e sigamos, na fé, no auto perdão, na caridade ao próximo, sem que nos tornemos, senhores frios e donos da verdade.







David Chinaglia, 61, é espírita, escritor, palestrante, jornalista, e divulgador da doutrina espírita de acordo a codificação de Allan Kardec, é editor deste blog, e recebe e-mails pelo davidchinaglia@gmail.com para falar da vida, e da doutrina espírita.





sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

A BUSCA DO OUTRO - POR MARCELO HENRIQUE




A solidão do ser gera a busca do outro. Não se pode pesquisar o Amor nos livros, nas opiniões dos sábios, nem nas relações humanas ou nas relações do homem com outros seres ou com as coisas. A pesquisa do "Amor" exige o método existencial da vivência individual. Se quisermos compreender o Amor Divino temos de partir do Amor Humano.” Herculano Pires.
A busca do outro. Que busca é essa? A procura com interesse, na intenção de encontrar. Quem é o outro? Genericamente, o próximo - ilustrativamente, na definição do carpinteiro de Nazaré, remete à ideia da fraternidade universal, em que todos são irmãos e filhos de um mesmo Pai, que é Deus. Mais restritivamente, considerando as necessidades físico-espirituais humanas, a busca do outro nos remete à ideia/experiência da completude, sob o império da lei de atração, o nítido e marcante interesse interpessoal.





O ponto de partida para a busca do outro é, como acentua Herculano, a solidão, a impossibilidade de ficar sozinho e a necessidade de “estar com” o outro. Para entendê-la e superá-la, exige-se o método existencial da vivência individual. Daí brota o sentimento que se traduz em ato, pessoal, individual e ôntico (o ser em si mesmo). Tem-se que o homem começa, na vida física, uma existência solitária (no útero). Antes, espiritualmente, também ele experimentou a solidão metafísica (dado que a criação é individual).

Pelo amor humano, cada vez mais aperfeiçoado a partir da evolutividade de cada ser, compreende-se o amor divino, a expressão maior, traduzida na Criação. É imprescindível, então, ao amor (e ao próprio ser) a experiência, isto é, a vivência desde os impulsos iniciais e o seu desenvolvimento em fases sucessivas. Com seus sucessos e fracassos.





Oposição Amor-Ódio é mera incapacidade psicológica de compreensão dos problemas humano-existenciais. O ódio não é a antítese do amor, mas resquício da ferocidade ancestral de nossa espécie e, portanto, expressão passageira. Se fosse a antítese, existiria sempre, como dualidade, na Natureza.

O amor é, assim, a busca real do outro. É o preenchimento do vazio existencial que todos temos. No sentido humano-corporal, traduz-se na busca das metades (ainda que passageiras ou temporárias), os opostos (nem sempre totais), para concretizar a unidade biológica e espiritual que sustenta a espécie humana. Sobrevivência e continuidade.

É físico, como visto, mas, igualmente, sociológico, visto que a união entre os indivíduos, gerando grupos (tribos, inicialmente) é fundamental para o sentido da defesa e da perpetuação da espécie.







O amor ao próximo é um conceito altamente difuso, abstrato, ideológico. Quando considerado genericamente, alcança a Humanidade como um todo. Daí a dificuldade de “amar a todos”, indistintamente, em face das diferenças transindividuais e do distanciamento, nosso, de grande parte dos outros homens. Mas tal noção se concretiza e se centraliza no conceito do humano, quando materializado em relação a tantos quantos, específica e presencialmente, nos relacionarmos.

A essência do amor é a afinidade, a sintonia (ainda que imperfeita, mas em busca da perfeição) entre dois (ou mais) seres. Evolui o conceito e a vivência do amor à medida que os próprios seres avançam na senda evolutiva. Então o amor ao próximo se aproxima, em essência, do amor a Deus: amando e fazendo ao próximo o que queres que te façam, estás amando e fazendo, sobretudo, a Deus.

O Amor ao Próximo, quando bem vivenciado, é a legítima expressão do Amor a Deus, pois Deus está no próximo e o próximo representa, como nós, a Divindade “encarnada”.




Contudo, não há uma “fórmula de sucesso” para o amor. O amor se aprende amando. E, nisto, a busca pelo outro transmuda-se, em quantidade e qualidade, a partir da evolução do Ser, que substitui o amor egoístico (posse) em amor altruísta, e que amplia o foco da “cara-metade” ou do(a) companheiro(a) para várias pessoas, tantas quanto sejam possíveis, para um dia completar-se no Amor pela (à) Humanidade.



Marcelo Henrique, é espírita, escritor, palestrante, pesquisador da Doutrina Espírita, é de Santa Catarina, e colabora com este blog.

HISTÓRIAS QUE NINGUÉM CONTOU - POR NUBOR ORLANDO FACURE







Quando Chico Xavier mudou para Uberaba, no início dos anos 60, o médium Waldo Vieira com quem convivíamos no Centro Espírita Uberabense, pediu para meu pai, Sr Nubor Facure, construir sua casa lá pelos lados do aeroporto. Bairro distante e de difícil acesso.







Tinham ganho o terreno de um fazendeiro o material de construção de um empresário e o mestre de obras seria meu pai, Chico dizia:





"Seu nubor, faça muros altos, sou muito medroso, e, coisas simples, mesas de tijolos, nada de muitos moveis";


Na saida, reunindo os pedreiros Chico se despedia do meu pai e vez por outra lhe pedia o lenço para, apertando em suas mão, o deixava com perfume suave de rosas.
Chico então completou: "Seu Nubor leve o lenço para dona Landa", minha mãe, por quem ele nutria muita afeição.
Esse perfume nós o sentíamos por alguns dias, e consolidada a mudança do Chico nós o visitávamos nas noites "peregrinações".


Percorríamos as ruas estreitas entrando nos casebres paupérrimos onde o Chico lia uma ou outra página do Fonte Viva ou do Evangelho segundo o Espiritismo.


Para mim o que fazia efeito nem era o texto lido, era a sua presença mansa e carinhosa, com aquela voz impar e sedutora.



Nubor Orlando Facure, 80, é médico, espírita, escritor, durante 50 anos, viveu com Chico Xavier, tem inúmeros pequenos e grandes causos, histórias vividas ao pé do abacateiro no milagre de Uberaba, possue contos, e relatos fantásticos, do que foi o milagre do médium Chico Xavier, e a alegria de seus amigos e seguidores em cada pequena coisa que ele fazia.

domingo, 17 de novembro de 2019

A QUEM INTERESSA A MISTIFICAÇÃO DA MEDIUNIDADE? - por MARCELO HENRIQUE







Vejo muitos espíritas falando "da" Mediunidade. Constato outros mais praticando "a" Mediunidade. E observo um grande número de pessoas que, no segmento espírita, aceitam obras discutíveis, só porque teriam sido concebidas pela psicografia e detém assinaturas (mais ou menos) "ilustres", tanto em termos do encarnado (médium?) quanto do desencarnado (espírito "de luz"?). 

Ora, senhores... Não há interpretação espírita da Mediunidade sem ou fora de Allan Kardec. É impossível entender o FENÔMENO MEDIÚNICO (que Crookes bem conceituou como "O Fenômeno Espírita", em um belo clássico da nossa literatura temática) sem acatar as judiciosas observações do Codificador, que concebeu uma sistemática e uma metodologia capaz de entender o processo, afastar a mistificação, a idolatria, a submissão e a introdução de conceitos bem estranhos em relação aos princípios espíritas. 

Vejo muitos espíritas "ávidos por novidades", frequentando stands de feiras literárias ou seguindo os expositores-medalhões, em grandes (ou nem tanto) eventos espíritas. Acotovelam-se em filas de autógrafos, e passam a CRER CEGAMENTE nos "livrinhos" que têm em mãos, dizendo serem "obras complementares à Codificação". 

Precisa ser explicado para eles que COMPLEMENTAR não pode, sob qualquer hipótese ou pretexto, CONTRARIAR o que foi estatuído em Kardec - a não ser que, sob criteriosa pesquisa, investigação e seleção de escritos mediúnicos - algo relevante e novo possa ser agregado ao "edifício espírita", não sem a chancela da generalidade. 

Se há a liberdade de pensar - e, dela decorrente, a de escrever, no tocante aos que editam ou publicam obras psicografadas - nada substitui o critério de observação, juízo, seleção e entendimento doutrinário. E quem faz isso? Poucos, muito poucos. 





No trecho que compilamos, relembrado pelo amigo Claudio Costa, grafado no laboratório kardeciano, a Revue Spirite (dezembro, 1858), temos:

"Como opor-se a um fenômeno que não tem tempo nem lugar prediletos; que pode produzir-se em toda parte, em todas as famílias, na intimidade, no mais absoluto segredo, ainda melhor do que em público? O meio de prevenir os inconvenientes nós o demos em nossa Instrução Prática: Torná-lo de tal modo compreendido que nele apenas se veja um fenômeno natural, mesmo no que apresenta de mais extraordinário". 

Se o fenômeno é natural e ocorre todos os dias - independente do local tido como "sagrado" pelos espíritas, o "centro" e que não precisa de qualquer ritualística ou adereços, nem está condicionado à autoridade "mundana" de dirigentes ou pretensos especialistas - NÃO se quer dizer, com isso, que TUDO O QUE VEM DOS ESPÍRITOS DEVA SER TIDO COMO VERDADE. Muito pelo contrário. 



Um bordão que foi destacado por Kardec em suas obras (32 no total) é o de que a condição de desencarnado não torna,ninguém, sábio e que nós, após a vida física, todos, continuamos sendo o que fomos em vida. E, não raro, permanecemos envoltos nos mesmos interesses e conhecimentos, até que tenhamos outras oportunidades de ampliação, pelo estudo, pela experiência, pela conduta, pelas vivências em provas e expiações, nossos horizontes. Não é o "brilho" da assinatura, a "adjetivação" do cargo ou da função que ocuparam em vida, a "vinculação" ao movimento espírita ou às religiões em geral, na última existência conhecida, que o Espíritos (desencarnado que se manifesta) será reconhecido como pontual e agregador, em termos de conhecimento, ao Espiritismo. 






Natural é a Mediunidade e deve ser compromisso igualmente natural de todo espírita estudioso e interessado avaliar cada parágrafo, cada artigo, cada texto, cada livro que lhe chegue em mãos, evitando, na singela e oportuna lembrança de um dito atribuído ao Mestre dos Mestres, Yeshua, nos caracterizarmos, infelizmente, como os cegos que são guiados por outros cegos. 

É hora, definitivamente, de expulsarmos a trave de nossos olhos, que tem sistematicamente impedido que muitos espíritas enxerguem além! 




Marcelo Henrique, é advogado, espírita, escritor, palestrante, um dos maiores divulgadores da Doutrina Espírita, nos conceitos e codificação de Allan Kardec, é colaborador deste BLOG.

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

UM KARDEC SORRIDENTE - POR MARCELO HENRIQUE



Foi no já distante 1981 que eu me tornei espírita. À época, o primeiro livro de Kardec que tivemos em nossa casa, trazia o desenho do rosto de Kardec, e era “O livro dos Espíritos”. 





Na verdade, todos os livros editados pela Federação Espírita Brasileira tinham a mesma capa, com Kardec ao centro. Só variava a cor e, é claro, o título da obra. Uma a uma, as capas coloridas foram ocupando lugar nas estantes e eu e meus familiares os utilizávamos com frequência.
Levávamos o livro citado para a reunião de estudos, que era numa quarta-feira à noite. E, a cada palestra – eram às segundas e quintas e nós procurávamos não faltar a nenhuma delas, tal a sede de conhecimento que tínhamos – em casa íamos folhear os demais livros, sempre que o palestrante fazia alguma referência ou citação. Esse exercício, creiam os leitores, fez-nos avançar bastante na teoria espírita básica, porque da busca inicial de uma ou outra citação, em dado capítulo ou item, a leitura dos demais, que a rodeavam, eram consequentes.


Todos os dias Kardec me fitava. E eu olhava para ele, tentando entender o que havia de tão especial naquele homem. Aos poucos, acessando biografias e textos escritos sobre ele, sua personalidade, suas atividades não-espíritas e também aquelas que ele coordenou e desenvolveu na nascente Doutrina Espírita, ia descortinando as facetas daquele grande homem. 

Mas, uma coisa me intrigava. Por que Kardec nunca sorria? 




E não eram apenas as capas de livros daquela editora. Toda e qualquer imagem de Kardec, seja em quadros nas instituições, seja em ilustrações de livros, jornais ou revistas espíritas sempre traziam um Kardec taciturno, sisudo, quase zangado. Lembro-me de questionar alguns dirigentes e expositores, sobretudo aqueles com quem eu, aos poucos, acabava tendo proximidade e afinidade. Alguns deles me diziam que era uma característica da época, os quadros e desenhos – já que não havia, ainda, o acesso fácil à fotografia, recém-inventada (1839) – e os retratos, além de muito caros eram bem raros. A opção era, então, o retrato-desenho ou o retrato-pintura e, quase sempre, com a expressão “fechada”. 

Fui, então, me acostumando ao Kardec “bravo”, de feições graves, compenetradas, como se somente esta sisudez refletisse a seriedade e a excelência de sua missão de Codificador do Espiritismo. Ou como se, de alguma forma, houvesse sobre seus ombros um peso gigantesco, tanto relacionado à altura de sua tarefa, quanto das incompreensões e dificuldades (externas e internas) a que ele se submeteu, em nome da verdade espírita. 

Ainda adolescente e no início da juventude, eu me perguntava: - quando é que o homem Rivail-Kardec sorriria? Será que não gargalhava? Não tinha motivos para render graças e iluminar seu belo rosto, de homem maduro de feições francesas, polido, educado e nobre em virtudes e caráter, com um largo sorriso? Não sorria, ele, na intimidade, para a bela Amélie-Gabrielle, por quem se enamorou ternamente e com quem conviveu por décadas? Não ficava contente, alegre, quando lhe contavam algo positivo, ou quando ouvia, numa roda de amigos do círculo de seus ofícios, como professor, cientista, magnetizador, alguma anedota? Não sorria com a satisfação do dever cumprido, como quando realizava atividades de benemerência, distribuindo alimentos e roupas aos desvalidos de Paris? 

Então... 

Onde é que estaria o Kardec sorridente? Não precisaria ser o homem de gargalhadas espalhafatosas, um galhofeiro ou piadista, alguém que não tivesse, sequer, equilíbrio nas emoções. Longe disso! 

O que o jovem Marcelo Henrique desejava – e, até, com entusiasmo e expectativa – era encontrar uma imagem de um Kardec esboçando um leve sorriso. Anos e anos, décadas se passaram e... nada! 

Até que um belo dia, em atividades da Comunicação Social Espírita, a que me afiliei desde 1987, quando editei o primeiro periódico espírita, bem rudimentar e artesanal, quando estava eu na faculdade de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina, o “Harmonia”, que nasceu ‘Boletim Informativo” e depois se tornou “Revista Espírita”, já como militante da Associação Brasileira de Divulgadores do Espiritismo (Abrade), conheci o querido e saudoso Alamar Régis de Carvalho, a quem apelidei carinhosamente de “O Boca-de-Trombone”. O porquê do apelido? Simples, o doce e barulhento Alamar dizia o que pensava, sem rodeios. Era direto. Às vezes, duro. Mas transparente, honesto, defensor da fidelidade a Kardec e um porta-voz da observância estrita dos postulados espíritas. 

Foi no final da década de 90 que Alamar me fez ter contato com uma figurinha de um Kardec sorridente. Um amigo dele, estudante de artes visuais, havia preparado a ilustração, que ele passou a exibir e divulgar como uma de suas “marcas”. Depois, uma outra imagem também passou a ser veiculada por ele, mostrando Kardec sorridente envolto por muitas crianças de tenra idade. Aquilo tudo me marcou positivamente. Os meus sonhos juvenis se concretizaram. Ali estava, em cores, um Kardec real, bem próximo de nós, com a estampa da felicidade na face. Como nós fazemos em tantos momentos de nossas trajetórias, não é mesmo? 

Olho para o movimento espírita, que integro há quase quarenta anos, e vejo muitos homens e mulheres sisudos. Vejo muitas expressões pesadas, carregadas. Vejo uma rigidez excessiva, como a castrar os sentimentos de abertura que o riso (e os sorrisos abertos e espontâneos) carrega em si. Vejo ambientes taciturnos, pesados, em reuniões e atividades espíritas, como se seriedade não se coadunasse com alegria (de viver e externar sentimentos). 





Há um contingente muito grande de espíritas que parece carregar nos próprios ombros, braços e mãos, todas as “dores do mundo”, como se as dificuldades do Plano de Provas e Expiações, como se as mazelas espirituais que fazem parte, ainda, de nossas atmosferas psíquicas, como se o errar, cair e levantar, não fosse a tônica de todos os que passam, atualmente, pelo orbe. E que a opção pela “cara fechada”, quase um rompante ou uma máscara de aparente seriedade, fosse melhorar a ambiência planetária e conduzir as pessoas às melhoras possíveis. 

Por isso, sempre que posso, sempre que participo de atividades espíritas, seja uma palestra, um seminário, um curso, um encontro de debates, uma reunião de estudos ou de trabalhos, um fórum, um congresso, procuro portar um sorriso no rosto – autêntico – e falar de coisas alegres e, porque não, divertidas. Uma piada bem contada, no momento oportuno, uma jocosidade bem aproveitada para tirar uma lição valiosa, são elementos de pedagogia e de convencimento. Experimente, você, também, e verá os resultados. 


Mais recentemente, todos nós espíritas tivemos a feliz oportunidade de estarmos diante de um Kardec real. Não que tenha sido uma iniciativa pioneira, já que filmes ou documentários sobre o Mestre Lionês são listados por sites e são descritos pelos cinéfilos espíritas. Mas, em 2019, Wagner de Moraes nos brindou com a filmagem de “Kardec, a história por trás do nome”, e nos apresentou ao Kardec fisicamente real, vivo, sorridente, humano, na “pele” de Leonardo Medeiros, o ator escolhido para a performance cinematográfica. 

Leonardo foi primoroso ao “encarnar” o Professor Rivail em seus dois momentos da história: como Rivail, o pedagogo e cientista. E como Kardec, o Codificador, o homem da Ciência Espírita. Nas variadas cenas da história baseada na obra biográfica de Marcel Souto Maior, primorosa, também, por sinal, podemos ver um Kardec sereno ou agitado; preocupado e aliviado; triste e alegre; incisivo na defesa de ideias e amoroso; decepcionado e exultante; um Kardec que chorou e riu. Riu muito das conquistas, dos medos vencidos, ou de situações que aproximam o Mestre de cada um de nós, seus discípulos. Um Kardec que teve tempo para contemplar, junto à amada Gabi, as estrelas do firmamento, com poesia, música, risadas e contentamento. 

Olho para o que me rodeia, tanto nas plataformas das redes sociais como na vida “ao vivo” e ainda vislumbro um sem-número de espíritas que se parecem com aquele Kardec retratado nas capas de livros federativos da década de 1980. E isso me entristece. Porque nem a mensagem espírita nem a de Jesus de Nazaré, em que se apoia, são mensagens carregadas de rancor, do peso da amargura, do silêncio da tristeza, expressões de faces acabrunhadas e desmotivadas. 

A mensagem espírita é de alegria e de contentamento. 




O Yeshua de J.-J. Benítez (“Operação Cavalo de Tróia) guarda muita similitude com o Rivail de Moraes-Medeiros, no filme. Ambos sonharam e realizaram. Ambos se entristeceram e se alegraram. Exultaram diante de realizações e lamentaram os fracassos e as incompreensões. Mas sem, jamais, perder a essência humana, que o aprendizado de cada dia propicia: fazer, experimentar, ousar e ser feliz! 


Um Kardec sorridente me fita, quando termino este despretensioso artigo...



Marcelo Henrique, é advogado, escritor, espírita, divulgador da doutrina espírita em Santa Catarina e em todo o Brasil, é colaborador deste blog.