sábado, 16 de fevereiro de 2019

O MARAVILHOSO E SOBRENATURAL (da obra O que é o Espiritismo) - ALLAN KARDEC



Das obras básicas de Allan Kardec, por motivos de falta de conhecimento doutrinário, conceitual religioso, sim, 40% pelo menos dos Centros Espíritas no Brasil, são ligados fortemente a Doutrina Católica, ou mesmo, por falta absoluta de interesse, a obra O QUE É O ESPIRITISMO, pouco foi estudada, das várias editoras que li, estudei, pela tradução indico a da Editora Lake, até por ser a versão que tem J.Herculano Pires.

Este livro é uma introdução aos conceitos do Espiritismo e ao conhecimento do mundo invisível, um resumo da Doutrina Espírita, além de esclarecimentos em relação às principais dúvidas e objeções mais comuns que se levantam em relação à Doutrina Espírita.

Divide-se em 3 capítulos: o primeiro, sob a forma de diálogos com um crítico, um céptico e um padre, traz respostas àqueles que desconhecem os princípios básicos da Doutrina, bem como apropriadas refutações aos seus contraditores; o segundo capítulo expõe partes da ciência prática e experimental.

Kardec na obra não busca resumir, como muitos falaram, mas, dar ao espírita, importantes citações do que revelou o Livro dos Espíritos e o Livro dos Médiuns, dando ao pesquisador, e ao leitor, maiores motivos para ler as obras básicas do Espiritismo.


O MARAVILHOSO E O SOBRENATURAL



V. — O Espiritismo tende, evidentemente, a fazer reviver as crenças fundadas no maravilhoso e no sobrenatural; ora, no século positivo em que vivemos, isto me parece difícil, porque é exigir que se acredite nas superstições e nos erros populares, já condenados pela razão. 


A. K. — Uma idéia só é supersticiosa quando falsa; mas cessa de o ser desde que passe a ser uma verdade reconhecida. 

A questão está em saber se os Espíritos se manifestam, ou não; ora, isso não pode ser tachado de superstição, antes de ficar provado que não existem espíritos. 

Direis: a minha razão não aceita essas comunicações; porém, os que crêem e que não são nenhuns mentecaptos invocam também as suas razões e, além disso, os fatos; para que lado se deve pender? O grande juiz, nesta questão, é o futuro — como tem sido em todas as questões científicas e industriais classificadas como absurdas e impossíveis em sua origem. 

Pretendeis julgar a priori segundo a vossa opinião; nós só o fazemos depois de, por muito tempo, ter visto e observado. Acresce que o Espiritismo esclarecido, como o é hoje, procura, ao contrário, destruir as idéias supersticiosas, mostrando o que há de real ou de falso nas crenças populares, denunciando o que nelas existe de absurdo, fruto da ignorância e dos preconceitos. 

Vou mais longe e digo que é precisamente o positivismo do nosso século que faz com que adotemos o Espiritismo, e que este deve, em parte, àquele a rapidez da sua propagação, antes que, como alguns pretendem, a uma recrudescência do amor ao maravilhoso e ao sobrenatural. 

O sobrenatural desaparece à luz do facho da Ciência, da Filosofia e da Razão, como os deuses do paganismo ante o brilho do Cristianismo. Sobrenatural é tudo o que está fora das leis da Natureza. O positivismo nada admite que escape à ação dessas leis; mas, porventura, ele as conhece a todas? 

Em todos os tempos foram reputados sobrenaturais os fenômenos cuja causa não era conhecida; pois bem: o Espiritismo vem revelar uma nova lei, segundo a qual a conversação com o Espírito de um morto é um fato tão natural, como o que se dá por intermédio da eletricidade, entre dois indivíduos separados por uma distância de cem léguas; o mesmo acontece com os outros fenômenos espíritas. 

O Espiritismo repudia, nos limites do que lhe pertence, todo efeito maravilhoso, isto é, fora das leis da Natureza; ele não faz milagres nem prodígios, antes explica, em virtude de uma dessas leis, certos efeitos, demonstrando, assim, a sua possibilidade. Ele amplia, igualmente, o domínio da Ciência, e é nisto que ele próprio se torna uma ciência; como, porém, a descoberta dessa nova lei traz conseqüências morais, o código das conseqüências faz dele, ao mesmo tempo, uma doutrina filosófica. 

Deste último ponto de vista, ele corresponde às aspirações do homem, no que se refere ao seu futuro; e como a sua teoria do futuro repousa sobre bases positivas e racionais, ela agrada ao espírito positivo do nosso século. 

É o que compreendereis, quando vos derdes ao trabalho de estudá-lo. (O Livro dos Médiuns, cap. II, Revue Spirite, dezembro de 1861, pág. 393, e janeiro de 1862, pág. 21.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

A CHEGADA AO PLANO ESPIRITUAL - POR DAVID CHINAGLIA


Estimados amigos de jornada no Espiritismo, temos recebido muitos e-mails, sobretudo neste momento, que em Especial o Brasil é assolado por tragédias.
Em sua maioria, a pergunta é, "minha morte física, fará que eu sofra também no plano espiritual ?", o que vai acontecer comigo? qual a verdade? quem disse a verdade, como é morrer.?

Claro que para que eu possa responder é preciso explicar, duas coisas, a primeira que vivo, não tenho minha experiência de morte, logo, a que posso vos dar, é minha experiência de anos lendo e estudando e conversando com grandes espíritas, e médiuns, a respeito, do que vemos na vida após a vida.

Vemos nas pessoas, uma aflição e medo de julgamentos, primeiro precisamos, deixar claro, que não existe um tribunal, ao contrario do que se diz, para julgar e condenar, automaticamente todos irão saber o que fizeram na terra, o processo, é simples, e de fácil entendimento.

A cada de acordo com seu merecimento, portanto você sabe o que fez, o que está fazendo, dentro de uma linha de raciocínio lógico, já saberá que terá acertos, e digamos reacertos para serem feitos.

A forma no entanto ao meu ver pelo que li, estudei, e pelo que falo com espíritos, não é igual para todos, e existe uma explicação simples, somos todos iguais aqui ? vivemos de forma igual ? logo na morte teremos a sequência que estamos hoje trabalhando, isto não lhe agrada? mude.



Algumas pessoas, acreditam, que irão direto para Nosso Lar, ou outro tipo de cidade, no plano espiritual, e esta é uma crença a partir dos relatos de André Luiz, ao médium Chico Xavier, só que todos precisam entender, é que naquele relato, livro, e nos acontecimentos, eram do espírito de André Luiz, necessariamente, nem o seu, nem o meu, tem que ocorrer de igual forma, e visão, por mais agradável que seja se imaginar em Nosso Lar.

O que temos feito em nossa vida aqui na Terra, que pensamentos estamos envolvidos? o que estamos trabalhando para nós, quando partimos ?


Na obra Nosso Lar, André Luiz, relata, vou repetir, sua "experiência" e cita outros espíritos, que necessariamente não quer dizer que todos irão no mesmo roteiro, embora ele fale de similares que assim viveram, digamos por exemplo no caso do Umbral.

Umbral não é uma regra clássica, ao contrario do que muitos pregam nesta doutrina no Brasil, "a cara na lama" vai acontecer se você ficar plasmando este tipo de experiência, podemos entender, o que no pós morte, que cada viverá a experiência que desejar, com quem desejar, ou estiver similar aos seus pensamentos.

Vários pesquisadores, e médiuns fora Chico Xavier, nos trazem pelo Mundo a fora, outros tipos de relatos, campos, jardins, encontro com familiares e amigos, a transição do espírito necessariamente não precisa nem ser na lama, nem em Nosso Lar, ou outro lugar similar, será de acordo com o que todos encarnados estiverem trabalhando.

Temos pesquisadores de todas as formas, no planeta Terra, numa das teses espíritas, é um planeta de provas e expiação, até por relatos constantes de espíritos que se foram, o que nem sempre quer dizer que seja, podemos estar vivendo apenas vivendo,um momento de aprendizado.

Alguns pesquisadores afirmam que de acordo com o entendimento do espírito que acaba de deixar a Terra, ele irá reencarnar noutro planeta, necessariamente não funciona desta forma, existem também na vida além da vida, etapas a serem cumpridas.

Alguns espíritos, podem e fazem a opção de seguir no plano espiritual, aprendendo, buscando entendimento, a reencarnação, como já falei antes, é um mérito, e não só uma escolha.

Certa vez conversando com um médico desencarnado ele me disse sua experiência de ficar ajudando no plano espiritual, respondendo por seus acertos e erros, no plano, até que tivesse méritos para seguir novamente no planeta que lhe fosse confiado.

O codificador desta doutrina nos deu na revista espírita, várias manifestações, de espíritos que diziam estar em outros planetas, em outras formas de vida física, em outro tipo de evolução.

A vida não está na morte física, ligada a somente a experiência relatada por André Luiz, á Chico Xavier, sei que é reconfortante esperar por um ciclo em Nosso Lar, só que não funciona assim.

Já disse aqui que Nosso Lar é preciso, e acredito que vários espíritos poderão chegar a algo similar ou no mesmo local, serão espíritos afins dos pensamentos de André Luiz, logo plasmam, a mesma jornada, após a vida na Terra.



O espírito, ao chegar a sua condição original vai reagir de acordo com sua evolução, apego a vida material, etc, não é possível precisar a forma exata de cada um, pois somos seres encarnados, que vivem e que experimentamos, formas e pensamentos diferentes, sobre o que somos, de onde viemos e para onde vamos, e o que queremos.

Só que querer nem sempre é poder, uma regra aqui no Mundo dos encarnados, que se repete no plano espiritual.

Fiz tratamento num famoso hospital de Santos, lá existe uma capela, por várias vezes, encontrei espíritos sentados na capela esperando um milagre, ou até mesmo o mestre, e alguns que nem sabiam que tinham morrido.
Após uma prece e orientação, os espíritos que ficam perto dos que desencarnaram tentam ajudar, porém o processo é de livre arbítrio, e alguns teimam em aceitar a morte física.

Você tem vivido bem como pessoa? tem praticado o bem, não só a si, mas, para os seus, tem conseguido perdoar, por menor que seja, tem feito sua caridade.?

Caridade as vezes, é tão somente uma prece para um amigo, um familiar, em dificuldade, claro que se puder ajudar, acredite a lei de ação e reação do Universo irá lhe ajudar, então ajude se puder, só que uma prece ao querido ou querida, já é uma grande caridade.

Necessariamente ninguém precisa viver 24 horas a serviço de um centro espírita, igreja, seita, todos temos que dar o que podemos dar, em nenhum lugar está escrito que alguém que entrega um passe espírita, será mais feliz após a morte que aquele que serve o café, ou a água na casa espírita, que o dirigente será mais favorecido que o palestrante, que o assistido terá tudo que pediu, tanto encarnado como após.

E algo muito importante, antes de morrer, você precisa viver, com todas as alegrias, e com todas as tristezas que terá que passar, que plantou, ou que mesmo sem querer, colocou em sua jornada, e com isto irá ao aceitar, melhorar todo um processo.

Vivemos e morreremos de acordo com o que estamos pensando, se você tem medo, procure trabalhar o medo que tem, se você tem capacidade de estudar livros, lembre, aquele que mais sabe, mais será cobrado, só que isto não faz do ignorante alguém com salvo conduto.

O que teremos após a morte?

Verifica hoje seus pensamentos, seus atos, suas reformas pessoais, sua capacidade de perdoar e julgar menos os erros de terceiros e sobretudo os seus mesmos.

A experiência de morte de André Luiz, foi de André Luiz, o local, o momento que ele viveu foi o que ele em suas tardes e noites de Rio de Janeiro, construíram para ele em seus pensamentos, relatados depois a Chico Xavier, a sua será a sua.

Necessariamente você quando morrer não dará de cara na lama, nem na escuridão, caberá a ti saber o que deseja em vossos pensamentos para quando partir.


Em o Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, o amigo espírita e o não espírita, encontrará respostas, de amigos que no plano espiritual, responderam perguntas do codificador, e nestas respostas, certamente fora conhecimento,terá alívio para este momento que o faz sofrer hoje,  o momento da morte física.

Minha sugestão, é que leia, depois, leia novamente, e medite, antes de se preocupar o que será de ti após a morte.



Como será o caminho ? Insistem alguns, outros dizem eu preciso saber, me ajude....bem vou repetir.

Onde iremos, sinceramente, estimados, ninguém poderá vos dar uma garantia, posso conforta-los, e vos indicar, que o sistema é justo, você dará com a cara na lama se quiser, você ficará andando por sua casa, se lamentando da vida encarnada se quiser, você seguirá sua esposa ou esposo, se quiser, você se atormentará se quiser, pois em todos os relatos que recebo de meus amigos espíritos, vejo que existe sempre orientação e escolhas, escolhas algumas feitas já.


Vamos a um exemplo famoso para tentar explicar aos mais teimosos com o tema.




Esta foto é do filme Amor além da vida, filme que conta a história de um famoso médico, e uma famosa artista, que perdem seus dois filhos em um acidente de carro, ele mais forte de personalidade, mais firme em seus pensamentos, mesmo vivendo aquela que é a maior dor de um ser humano enterra seus filhos, e tenta seguir a vida.

A mãe entra em depressão profunda, ele a salva, depois dela tentar se matar, cuida, mas, o destino faz com que justamente ele, o mais forte dos sobreviventes daquela família, morra num acidente ao ajudar uma pessoa.

Ao chegar no plano espiritual, o médico, encontra paisagens em cores, em tintas de lindos lugares que de fato tinha vivido, mas retratado como se fosse uma pintura, ao seu lado um espírito amigo, tenta explicar, que esta era a forma que ele mesmo escolhera em vida, de conhecer a vida além da vida.

Conforme os dias passam, o médico começa a pensar, começa a achar a lógica, e então sai daquele cenário artificial criado por ele mesmo, para entrar de fato no plano espiritual.
No entanto sua teimosia, e amor com a esposa, não lhe permite, conhecer o plano espiritual como devia, nem perceber que o espírito que o ajudava na verdade era de seu filho morto.

E novamente seus pensamentos se misturam com a história de sua vida na terra, seu amor a esposa, até que ela se mata, e o filme passa a mostrar, a luta do esposo, para ir além, no limbo, local destinado aos espíritos suicidas para ir buscar sua esposa, e traze-la de volta ao plano normal.

No filme ele consegue, embora quase fique preso, seus filhos o ajudam, um amigo da vida na terra também, e ao final todos se encontram num local, que ele, e a própria esposa, haviam idealizado.
Porém como espíritos em busca de resgate, logo sua reencarnação no filme é providenciada, para que possam viver juntos novamente, e recomeçar sua história.

Aqui temos ficção, mas, pesquisei e soube que o autor, pesquisou experiências espíritas relatadas em livros de outros Países, e acabou formatando aquilo que falo no início deste longo texto, o pensamento formou a jornada pós vida.

Será assim? exatamente como disse, não, mas pode ser, depende de ti, e do que realmente quer para seu espírito, será o momento será como você plasmar, e desejar, a sequência será conforme vosso merecimento.




Sim, estimados, estamos em evolução, podemos e devemos pensar na morte, não toda hora, ela virá naturalmente, tão certo como o dia que nascemos, o que faremos nela, é uma escolha, por isto, não se atormente com isto já.

Estas mortes coletivas, estes desastres, foram previstos, pois nós encarnados, vivemos dias complexos, o Mundo está materialista demais, é preciso que possamos, achar um meio termo, melhorar nossos pensamentos.

A morte virá, deixe ela vir, naturalmente, agora viva, o que fazer por tantas desgraças que assolam nosso País e o Mundo, faça uma prece, acredite você irá ajudar a muitos sem saber.

Quanto a você sorria mais, viva mais, olhe mais a natureza, 60,70,80, 90 anos, ah! meu amigo encarnado a vida é somente um instante, aproveite.

E de preferência com sorrisos.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

UM ESPÍRITO QUE SE JULGAVA SONHAR - POR ALLAN KARDEC




Em Fevereiro de 1869, na edição da Revista Espírita, Allan Kardec, relatou em suas páginas, uma passagem de um espírito, que morto, entendia estar vivo e sonhava, vamos relembrar, este fato de 150 anos atrás, que hoje tem casos similares sendo relatado em vários centros espíritas.


Eis o texto do codificador da Doutrina Espírita.


Várias vezes têm sido vistos Espíritos que ainda se julgam vivos, porque seu corpo fluídico lhes parece tangível como seu corpo material. Eis um deles, numa posição pouco comum: não se julgando morto, tem consciência de sua intangibilidade; mas como em vida era profundamente materialista, em crença e em gênero de vida, imagina que sonha, e tudo quanto lhe foi dito não pode arrancá-lo do erro, tão persuadido está que tudo acaba com o corpo. Era um homem de muito espírito, escritor distinto, que designaremos pelo nome de Luís. Ele fazia parte do grupo de celebridades que partiram em dezembro último para o mundo dos Espíritos. Há alguns anos veio à nossa casa, onde testemunhou diversos casos de mediunidade. Ele aqui viu principalmente um sonâmbulo, que lhe deu evidentes provas de lucidez em coisas que lhe eram inteiramente pessoais, mas nem por isto se convenceu da existência de um princípio espiritual.













Numa sessão do grupo do Sr. Desliens, a 22 de dezembro, veio espontaneamente comunicar-se por um dos médiuns, Sr. Leymarie, sem que ninguém tivesse pensado nele. Tinha morrido há oito dias. Eis o que fez escrever: 




“Que sonho singular!... Sinto-me arrastado por um turbilhão, cuja direção não compreendo... Alguns amigos que eu julgava mortos convidaram-me para um passeio, e ei-nos arrastados. Para onde vamos?... Olha! Que brincadeira esquisita! A um grupo espírita!... Ah! Que farsa engraçada, ver essa boa gente conscienciosamente reunida!... Eu conhecia uma dessas figuras... Onde o vi? Não sei... (Era o Sr. Desliens, que se achava na sessão acima mencionada). Talvez em casa desse bravo Allan Kardec, que uma vez me quis provar que eu tinha uma alma, fazendo-me apalpar a imortalidade. Mas em vão apelaram aos Espíritos, às almas, tudo falhou; como nos jantares muito preparados, todos os pratos servidos foram errados e bem errados. Entretanto eu não desconfiava da boa-fé do grão-sacerdote. Julgo-o um homem honesto, mas uma orgulhosa vítima dos Espíritos da assim chamada erraticidade. 




“Eu vos ouvi, senhores e senhoras, e vos apresento meus profundos respeitos. Escreveis, ao que me parece, e vossas mãos ágeis sem dúvida vão transcrever o pensamento dos invisíveis!... Espetáculo inocente!... Sonho insensato este meu! Eis um que escreve o que digo a mim mesmo... Mas absolutamente não sois divertidos, nem mesmo meus amigos, que têm rostos compassivos como os vossos. (Os Espíritos dos que haviam morrido antes dele, e que ele julga ver em sonho). 




“Eh! Por certo é uma estranha mania deste valente povo francês! Tiraram-lhe de uma vez a instrução, a lei, o direito, a liberdade de pensar e de escrever, e esse bravo povo mergulha nas visões e nos sonhos. Dorme acordado esse país das Gálias e é maravilhoso vê-lo agir! 




“Entretanto, ei-los em busca de um problema insolúvel, condenado pela Ciência, pelos pensadores, pelos trabalhadores!... Falta-lhes instrução... A ignorância é a lei de Loyola largamente aplicada... Eles têm à sua frente todas as liberdades; podem atingir todos os abusos, destruí-los, enfim tornar-se seu senhor, senhor viril, econômico, sério, legal, e, como crianças nos cueiros, falta-lhes a religião, um papa, um cura, a primeira comunhão, o batismo, as andadeiras em tudo e sempre. Faltam chupetas a essas crianças grandes, e os grupos espíritas e espiritualistas lhas dão. 




“Ah! Se na verdade houvesse um átimo de verdade em vossas elucubrações, mas haveria para um materialista matéria para o suicídio!... Olhai! Eu vivi largamente; eu desprezei a carne, revoltei-a; ri dos deveres de família, de amizade. Apaixonado, usei e abusei de todas as volúpias, e isto com a convicção que obedecia às atrações da matéria, única lei verdadeira em vossa Terra, e isto eu renovarei ao meu despertar, com a mesma fúria, o mesmo ardor, a mesma habilidade. Tomarei a um amigo, a um vizinho, sua mulher, sua filha ou sua pupila, pouco importa, desde que, estando mergulhado nas delícias da matéria, rendo homenagem a essa divindade, senhora de todas as ações humanas. 




“Mas, e se eu estivesse enganado?... Se tivesse deixado passar a verdade?... Se, realmente, houvesse outras vidas anteriores e existências sucessivas após a morte?... Se o Espírito fosse uma personalidade vivaz, eterna, progressiva, rindo da morte, retemperando-se no que chamamos provação?... Então haveria um Deus de justiça e de bondade?... Eu seria um miserável... e a escola materialista, culpada do crime de lesa-nação, teria tentado decapitar a verdade, a razão!... Eu seria, ou antes, nós seríamos profundos celerados, refinados supostos liberais!... Oh! Então, se estivésseis com a verdade, eu daria um tiro nos miolos ao despertar, tão certo quanto me chamo...” 




Na sessão da Sociedade de Paris, de 8 de janeiro, o mesmo Espírito vem manifestar-se de novo, não pela escrita, mas pela palavra, servindo-se do corpo do Sr. Morin, em sonambulismo espontâneo.Ele falou durante uma hora, e foi uma cena das mais curiosas, porque o médium tomou a sua pose, seus gestos, sua voz e sua linguagem, a ponto de ser facilmente reconhecido pelos que o haviam conhecido. A conversa foi recolhida com cuidado e fielmente reproduzida, mas sua extensão não permite publicá-la. Ademais, não foi senão o desenvolvimento de sua tese. A todas as objeções e perguntas que lhe foram feitas, ele pretendeu tudo explicar pelo estado de sonho e, naturalmente, perdeu-se num dédalo de sofismas. Ele próprio lembrou os principais episódios da sessão a que aludira na sua comunicação escrita, e disse: 




─ Eu bem tinha razão de dizer que tudo havia falhado. Olha! Eis a prova. Eu tinha feito esta pergunta: Há um Deus? Então, todos os vossos pretensos Espíritos responderam afirmativamente. Vedes que estavam à margem da verdade e não sabem mais do que vós. 




Uma pergunta, entretanto, o embaraçou muito, assim procurou constantemente escapatórias para dela fugir. Foi esta: 




─ O corpo pelo qual nos falais não é o vosso, pois é magro, e o vosso era gordo. Onde está o vosso verdadeiro corpo? Ele não está aqui, pois não estais em vossa casa. Quando a gente sonha, fica no próprio leito. Ide, pois, ver em vosso leito se o vosso corpo lá está e dizei-nos: Como podeis aqui estar sem o vosso corpo? 




Encostado na parede por estas reiteradas perguntas, às quais apenas respondia pelas palavras: “Efeitos bizarros dos sonhos”, acabou dizendo: “Bem, vejo que me queríeis despertar. Deixai-me.” Desde então crê sonhar sempre. 




Numa outra reunião, um Espírito fez sobre este fenômeno a seguinte comunicação: 




“Eis aqui uma substituição de pessoa, um disfarce. O Espírito encarnado recebe a liberdade ou cai na inação. Digo inação, isto é, a contemplação do que se passa. Ele está na posição de um homem que momentaneamente empresta o seu cômodo e assiste às diversas cenas que aí são representadas com auxílio de seus móveis. Se prefere gozar da liberdade, ele pode, a menos que tenha interesse em ficar como espectador. 






“Não é raro que um Espírito atue e fale com o corpo de outro; deveis compreender a possibilidade desse fenômeno, quando sabeis que o Espírito pode retirar-se com o seu perispírito para mais ou menos longe de seu envoltório corporal. Quando isto acontece sem que nenhum Espírito aproveite para tomar o lugar, há catalepsia. Quando um Espírito deseja aí entrar para agir e tomar por um instante sua parte na encarnação, ele une o seu perispírito ao corpo adormecido, desperta-o por esse contato e dá movimento à máquina. Mas os movimentos, a voz, não são mais os mesmos, porque os fluidos perispirituais não mais afetam o sistema nervoso da mesma maneira que o verdadeiro ocupante. 




“Essa ocupação jamais pode ser definitiva; para isto, seria necessária a desagregação absoluta do primeiro perispírito, o que determinaria a morte forçosamente. Ela não pode ser de longa duração, porque o novo perispírito, não tendo sido unido a esse corpo desde a formação deste, nele não tem raízes; não tendo sido modelado por esse corpo, ele não é adequado ao jogo dos órgãos; o Espírito intruso aí não está numa posição normal; ele é incomodado em seus movimentos, razão pela qual deixa essa vestimenta de empréstimo, porque dela não mais necessita. 




“Quanto à posição particular do Espírito em questão, ele não veio voluntariamente ao corpo de que se serviu para falar; foi atraído pelo próprio Espírito de Morin, que quis desfrutar o seu embaraço; o outro, porque cedeu ao secreto desejo de se exibir, ainda e sempre, como cético e trocista, aproveitou a ocasião que se lhe apresentava. O papel um tanto ridículo que representou, por assim dizer malgrado seu, usando sofismas para explicar sua posição, é uma espécie de humilhação, cujo amargor sentirá ao despertar, e que lhe será proveitosa.” 




OBSERVAÇÃO: O despertar desse Espírito não poderá deixar de dar lugar a instrutivas observações. Como vimos, em vida ele era um tipo de materialista sensualista; jamais teria aceito o Espiritismo. Os homens dessa categoria buscam as consolações da vida nos prazeres materiais; eles não são da escola de Büchner pelo estudo, mas, porque essa doutrina liberta do constrangimento imposto pela espiritualidade, ela deve, em sua opinião, estar certa. Para eles o Espiritismo não é um benefício, mas um estorvo; não há provas que possam dobrar sua obstinação; eles repelem-nas, menos por convicção do que por medo de que seja uma verdade. 









Allan Kardec, codificador da Doutrina Espírita, escreveu relatos de espíritos, nas edições da Revista Espírita, muitos similares a experiências que ainda vemos em dias de hoje, antes de morrer em 31 de Março de 1869, Kardec, preparava uma nova edição de um livro onde novas informações iriam constar, poucas delas foram anotadas, e constam de Obras Póstumas, que foi escrito pelos amigos Leon Denis, Camille Flamarion, sob a supervisão de sua esposa Amélie.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

PSICOSE JUVENIL - Um distúrbio do desenvolvimento cerebral - POR NUBOR ORLANDO FACURE









A adolescência é um período de fervilhante mudanças bem marcadas em todo nosso organismo,especialmente, as alterações no fenótipo que são facilmente percebidas em várias partes da nossa imagem corporal no cérebro, estão em jogo,também, diversas transformações.


Elas ocorrem, principalmente, no aumento da produção de certos hormônios, na expansão de redes de conexões neuronais e nas suas associações a distância entre as diversas áreas cerebrais.





O hipotálamo e a glândula pineal produzirão hormônios que atuarão fortemente no apetite, no sono, na sexualidade e no humor.
Esse novo padrão hormonal trará enormes mudanças de comportamento nessas quatro áreas, deixando os pais em desespero na tentativa de impor uma disciplina.






O lobo frontal, atua no planejamento das ações, na tomada de decisões, na hierarquia de necessidades e no raciocínio lógico, mas, alcançará seu pleno desenvolvimento somente em torno dos 21 anos. Ele nos permite acatar a sugestão familiar de ir almoçar no Shopping, decidir que faculdade vamos cursar, nossa maneira de organizar o quarto onde dormimos, acomodar as roupas no armário, as toalhas no banheiro, o dia para sair e comprar um tênis novo e que tipo de amigos traremos para casa.




No lobo temporal, temos três estruturas importantes para nosso psiquismo: a amígdala, relacionada com nossas emoções primárias como raiva, medo, sexo e fome, o hipocampo, sede das nossas memórias imediatas, de curto prazo, e, as áreas do processamento auditivo que nos permite a compreensão do som e da linguagem falada.

O lobo temporal constrói um significado, uma imagem mental reunindo as diversas percepções sensoriais que nos atinge, estamos ouvindo ao longe um badalar do sino da igreja, daqui a pouco, resgatamos dados da nossa memória e reconhecemos que está para iniciar a procissão.
Ouço ou ruido estridente de um carro que se aproxima, identifico em segundos que vai passar a ambulância sinto um cheiro estranho junto de um ruído bolhoso, o leite ferveu e parece que está transbordando queimado.




O hipocampo, relacionado com a memória de curto prazo, nos facilita sair de casa e, na volta passar na farmácia para comprar os remédios que a vovó nos pediu e por crédito no celular, O aparecimento da psicose, Alguns agentes como, por exemplo, carga genética, prematuridade, infecções perinatais graves, estressores traumáticos severos, abuso de substâncias ilícitas, podem precipitar quadros perturbadores envolvendo a disfunção dessa áreas que enunciamos acima.

Poderemos identificar no futuro um adolescente com uma constelação de problemas que obriga a muitas famílias peregrinarem por consultórios médicos e psicológicos. Vem a fase de um exame atrás do outro e a troca frequente de medicamentos cada vez mais potente, os sintomas clínicos o martírio familiar: Anorexia nervosa, Hipersônia e narcolepsia, Hipersexualidade, Desorganização da rotina e dos cuidados gerais, Impulsividade, Agressividade, comportamento anti-social e Oscilações do humor.




Lição espírita, Voltamos para a vida física trazendo a memória dos compromissos e oportunidades de resgate e regeneração que nos foi programado, O Perispírito, a partir do nascimento, vai expandindo e reforçando suas ligações neuroquímicas com o cérebro e, gradativamente, a partir da adolescência, vai transferindo o código desses compromissos e resgates que teremos de cumprir, inclusive suportando o custo de uma psicose.



Nubor Orlando Facure, 79, é médico, um dos maiores especialistas de cérebro humano no Brasil, dirige em Campinas SP, o Instituto do Cérebro, é também espírita, foi o primeiro médico Brasileiro, a falar de Espiritismo na Unicamp onde foi diretor, é escritor, pesquisador, cientista, como espírita, viveu o milagre de Uberaba, amigo pessoal, e um dos  médicos de Chico Xavier, com que manteve uma amizade de 50 anos.
É colaborador deste blog.

Email : lfacure@uol.com.br

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

ESPÍRITAS DO PASSADO, AQUI, WILLIAM CROOKES






William Crookes nasceu em Londres, Inglaterra, no dia 17 de junho de 1832.

Foi o maior químico da Inglaterra, segundo afirmativa de “Sir” Arthur Conan Doyle, o que ficou constatado pela trajetória gloriosa que esse ilustre homem de ciência desenvolveu no campo científico. Mencionado como sendo um dos mais persistentes e corajosos pesquisadores dos fenômenos supranormais, desenvolveu importante trabalho na área da fenomenologia espírita.

No ano de 1855, William Crookes assumiu a cadeira de química na Universidade de Chester. Como conseqüência de prolongados estudos, no ano de 1861 descobriu os raios catódicos e isolou o Tálio, determinando rigorosamente suas propriedades físicas. Após persistentes estudos em torno do espectro solar, descobriu, em 1872, a aparente ação repulsiva dos raios luminosos, o que o levou à construção do Radiômetro, em 1874.

No ano seguinte descobriu um novo tratamento para o ouro. No entanto, a coroação do seu trabalho científico foi à descoberta do quarto estado da matéria, o estado radiante, no ano de 1879. Foram-lhe outorgadas várias medalhas pelas relevantes descobertas no campo da física e da química.

A rainha Vitória, da Inglaterra, nomeou-o com o mais alto título daquele país: “Cavalheiro”.

A par de todas as atividades, ocupou a presidência da Sociedade de Química, da Sociedade Britânica, da Sociedade de Investigações Psíquicas e do Instituto de Engenheiros Eletricistas.

Dotado de invejável fibra de investigador, acabou por pesquisar os fenômenos mediúnicos, a princípio, com o fim de demonstrar o erro em que incidiam os ditos “médiuns” e todos aqueles que acreditavam piamente em suas mediunidades.

Em 1869, os médiuns J.J. Morse e Sra. Marshall serviram de instrumento para que Crookes realizasse as suas primeiras investigações.

As mais notáveis experiências mediúnicas, levadas a efeito por esse ilustre cientista, foram realizadas através da médium Florence Cook, quando obteve as materializações do Espírito que dava o nome de Katie King, fato que abalou o mundo científico da época.

A jovem Florence Cook tinha apenas 15 anos de idade quando se apresentou a Sir William Crookes, a fim de servir de medianeira para as pesquisas científicas que vinha realizando. São dela as seguintes palavras: “Fui à casa do Senhor Crookes, sem prevenir a meus pais e nem a meus amigos. Ofereci-me em sacrifício voluntário sobre o altar de sua incredulidade.” Ela pediu a proteção da Sra. Crookes e submeteu-se a toda sorte de experimentações, objetivando comprovar a sua mediunidade, pois que um cavalheiro, de nome Volckmann, havia lhe imputado suspeitas de fraude.

No dia 22 de abril de 1872, aconteceu, pela primeira vez, a materialização do Espírito Katie King, estando presente na sessão, a genitora, alguns irmãos da médium e a criada.

Após várias sessões, nas quais o Espírito Katie King se manifestava com incrível regularidade, a Srta. Florence afirmou a William Crookes que estava decidida a submeter-se a todo o gênero de investigações.

Na sua obra “Fatos Espíritas”, faz completo relato de todas as experiências realizadas com o Espírito materializado de Katie King, que não deixa dúvida quanto ao poder extraordinário que possui o Espírito de dar a forma desejada, utilizando a matéria física.

Numerosos cientistas de renome, mesmo diante dos fatos mais convincentes, hesitaram em proclamar a verdade, com receio das conseqüências que isso poderia acarretar aos olhos do povo. William Crookes, porém, não agiu assim.

Ele penetrou o campo das investigações com o intuito de desmascarar, de encontrar fraudes, entretanto, quando constatou que os casos eram verídicos, insofismáveis, ele rendeu-se à evidência, curvou-se diante da verdade, tornou-se espírita convicto e afirmou:

- “Não digo que isto é possível; digo: isto é real!”

William Crookes desencarnou em 04 de abril de 1919, em Londres, Inglaterra.

O que é Perispírito - POR ZALMINO ZIMMERMANN



Fomos buscar um breve relato, de o que é o Perispírito, na visão e estudos do amigo Zalmino Zimmermann que deixou o planeta em 2015, Zalmino um pesquisador, homem de posições claras, nos dá em sua obra uma visão bem clara, do que precisamos saber do nosso perispírito.

A palavra Perispírito foi empregada pela primeira vez por Allan Kardec em O Livro dos Espíritos peri (do grego) = em torno spiritus (do latim) = espírito.

A existência do perispírito já era conhecida pelos povos da Antiguidade: Ka ou Bai, pelos egípcios Corpo etéreo, pelos gregos ,Rouach, pela cabala judaica ,Kuma-rupa, pelos budistas ,Khi, pelos chineses,Mano-maya-kosha, pelos hindus.

Corpo astral, pelos ocultistas, esotéricos e teosofistas, Aerossoma, pelos neognósticos, Corpo fluídico, pelo filósofo e cientista alemão Leibniz (1646-1716) ,Mediador plástico, pelo filósofo inglês Ralph Cudworth (1617-1688), Modelo organizador biológico (MOB), pelo estudioso espírita brasileiro, Ernani Guimarães de Andrade.



Paulo de Tarso: “semeado corpo psíquico, ressuscita corpo espiritual ” (1Corintios, 15:44 – Bíblia de
Jerusalém).










Léon Denis: “o homem possui dois corpos: um de matéria grosseira, que o põe em relação com o mundo físico; outro fluídico, por meio do qual entra em relação com o mundo invisível.



Allan Kardec: Há no homem três coisas: 1. o corpo ou ser material análogo aos animais e animado pelo mesmo princípio vital; 2. a alma ou ser imaterial, Espírito encarnado no corpo; 3. o laço que une a alma ao corpo, princípio intermediário entre a matéria e o Espírito.

O laço ou perispírito que une ao corpo o Espírito, é uma espécie de envoltório semi material. A morte é a destruição do envoltório mais grosseiro [corpo]. O Espírito conserva o segundo, que constitui para ele um corpo etéreo, invisível para nós no estado normal [...]. LE, IntroduçãoVI. • Assim como o gérmen de um fruto é envolvido pelo perisperma, o Espírito propriamente dito é revestido por um envoltório que, por comparação, se pode chamar perispírito. • LE, Questão 93.




Perispírito é o envoltório semi material, também chamado corpo fluídico ou etéreo. Nele se encontra todos os órgãos e estruturas biológicas necessários à vida no plano físico, daí ser considerado modelador do corpo físico. FEB – EADE – Roteiro 14 - Perispírito.
O perispírito é como o fio elétrico condutor que serve para a recepção e a transmissão do pensamento; desempenha grande papel na economia orgânica nos fenômenos fisiológicos e patológicos. O Livro dos Médiuns: cap.1, item 54. 12 FEB – EADE – Roteiro 14 - Perispírito Pode-se dizer que o corpo recebe a impressão, o perispírito a transmite, e o Espírito, que é o ser sensível e inteligente, a recebe. Quando o ato é de iniciativa do Espírito, pode dizer-se que o Espírito quer, o perispírito transmite e o corpo executa. Obras Póstumas, primeira parte, item 10, p.45.

É lícito conceber-se que o perispírito - ao menos, para os Espíritos ligados à crosta terrestre - possa ser o resultado da aglutinação da energia cósmica matriz ("fluido cósmico"), adequada à natureza de nosso planeta, sobre um campo originado da própria extensão energética da alma (força espiritual)..., 13 Zalmino Zimmermann, Perispírito, p. 22-26.

Zimmermann segue dizendo,: ... comportando-se, depois dessa agregação, como uma estrutura de categoria eletromagnética (de ordem física, pois) e formando o envoltório conhecido como o "corpo da alma", necessário, insubstituível e perene, já de textura definida como material - embora tão sutil, que os Espíritos da Codificação usaram o termo semimaterial para qualificá-la.


Na obra Perispírito, de Zalmino Zimmermann encontramos um relato completo, dentro do que é possível, pela internet temos toda a obra, ideal para estudos, é comprar a obra, e fazer vários estudos sobre o que é perispírito.
Para os que estudam esta doutrina, é necessário entender o que é o Perispírito, para podermos entender as diferenças e o que estamos levando para a próxima vida, e entender o real funcionamento, relatados por Kardec, Léon Denis, André Luis, e outros que nos informaram detalhes, das funções, e importância, ao escolhermos a temática, buscamos o interesse dos senhores, para ir ao livro de Zalmino, como fonte de informação, relevante.




sábado, 2 de fevereiro de 2019

APENAS UM INSTANTE - POR DAVID CHINAGLIA



A doutrina Espírita, não só nos estudos, mas na troca de informações, sempre nos dá oportunidades, com espíritos encarnados, que jamais pensamos em nos relacionar.

Pedro, era um pesquisador dentro do MEB(Movimento Espírita Brasileiro), seguidor fiel de Kardec, depois de ver sandices serem pregadas em centenas de centros espíritas pelo Brasil.

Nas pesquisas, de Pedro, o que mais, se via, era sua vontade de levar a verdade, pesquisando o ontem, hoje, esperando que tanto a Doutrina, como o MEB tivessem um futuro melhor.

Pedro foi se relacionando com vários palestrantes, e médiuns famosos, em poucos anos tinha acesso a base espírita do Brasil.

Certa vez foi encontrar um velho conhecido, a diferença entre os dois, estava na história de vida dentro do Movimento, Pedro, um novato, e Paulo, um agora famoso, escritor, palestrante e médium, inclusive de assistência em curas, algo que poucos sabiam na Capital.

Paulo após sua palestra, para mais de 400 pessoas, um número grande em vários lugares do Brasil, trocou informações com Pedro, e passaram a ser amigos.

Paulo, seguia uma carreira brilhante em sua vida pessoal, sobretudo como escritor, e agora se via pela primeira vez em seus 75 anos diante de um adversário que jamais havia conhecido, um adversário cruel, geralmente fático, o câncer.

Paulo fora ao seu médico para uma consulta de rotina, e descobriu que um dos temidos adversários do ser humano agora vivia dentro de si, anos antes, esta mesma notícia fora dada, e depois os médicos disseram que a doença parou sem explicações, agora ela voltara com um tamanho maior, e que poderia ser fatal em pouco tempo.

Pensou ao receber a notícia:
 .."não posso decepcionar meus seguidores, leitores, e meus amigos espíritas, e sobretudo minha família."

Ao longo dos anos, Paulo, percebeu que era melhor falar com alguém não muito famoso, sobre a vida, isto dava a oportunidade ao outro de ver que ele, era normal, como todos os outros, independente do sucesso profissional, e dos conhecimentos que passou a ter como espírita e escritor.

Paulo passou a vida dentro do MEB, viajou o Mundo, deu soluções, para casos dos mais complicados, mas, caiu em tristeza, ao saber da doença, nem sua esposa sabia, ele tentou administrar sozinho, se entendendo mais forte por tudo que aprendera.

Foi quando ao mexer em seus cartões, já abalado por um depressão, que o grande médium e escritor, viu Pedro, que o havia impressionado, por sua coragem de falar a verdade, mesmo, as mais complicadas.

Entrou em contato com o amigo, e todas as noites entre 22h30 e 23h40, hora dos escritores, passou a conversar com Pedro.
Num destes diálogos, o melhor instruído, mais capacitado entre os dois espíritas disse:

"Pedro, meu caro amigo, sabia que não tinha te conhecido ao acaso, mas, como sempre me esqueço de detalhes importantes, hoje entendi porque foi a minha palestra, e quero lhe dar um aviso, e um dia que você faça melhor uso desta informação, ou seja, que nenhum de nós está livre do medo, medo nem que seja por um instante de deixar as pessoas que amamos, o Mundo em que vivemos, e isto deve ser lembrado, pois, se tivermos uma fé maior, conseguiremos, passar por este instante, eis-me aqui, falando com um desconhecido e novo amigo, que senti medo, não de morrer, não, afinal estudei isto a minha vida toda, mas, de não terminar a obra como queria, de escrever mais, de ajudar mais, sobretudo minha família onde procurei fazer o melhor, e vi que ainda falta um pouco, além do que veio a tristeza de toda uma vida, achando que sairia do planeta, e assumiria minhas funções na nova vida, sem muito sofrer, mas, acredito que em algum lugar, não entendi, meus amigos espíritos, você não tenha medo, procure sempre manter sua fé, estranho logo eu dizer isto, mas, preciso, não posso falar assim com os meus."

Pedro que estudara bem menos que o famoso amigo, pensou rapidamente em sua amiga Roberta, pesquisadora, espírita, que dizia, nunca saberemos quando seremos convocados a algo importante, pensou e disse a Paulo:

"Pensei em ouvir isto de meus amigos pecadores, jamais de você, falta de fé ?medo? em ti, que sempre lutou contra o mal, firme e forte, e agora se preocupa com este "câncerzinho", meu querido Paulo, veja quantas vidas salvou, quantos espíritos chegaram ao plano, melhor informado, não tema, tudo passará dizia Chico, e temos que enfrentar isto, estarei aqui todas as noites, e te prometo que jamais alguém ficará sabendo de suas dúvidas, e de nossas conversas."

E assim ocorreu durante vários dias, o famoso espírita, e palestrante, renomado escritor, passou a falar com seu amigo não tão famoso, sobre os problemas, que nos cercam quando sabemos a data que iremos morrer.
Paulo acabou se recuperando, da depressão, e até sua morte física, enfrentou com coragem as dores da doença e suas duras lições, que foram também sofridas por toda sua família, e a história sempre ficou guardada, a sete chaves, como pedira o amigo famoso, assim ficou.

Pedro nunca viu necessidade de relatar os fatos, a não ser conversar com sua amiga Roberta, para que pudesse orienta-lo o que fazer.

Moral da história, melhor ou menos preparado, todos nós temos problemas de aceitação ou entendimento com a dor que passamos, sejamos ou não espíritas.
A certeza da data aproximada que deixaremos o planeta, é acreditem os senhores leitores uma experiência dura, que permite ao espírito que por isto passa, uma evolução e um aprendizado.E uma grande verdade, todos nós não importa o grau de aprendizado, precisamos de alguém, por menos preparado que achemos, um amigo que possa sempre nos ouvir, e com palavras sinceras, ajudar.

O que nos aproxima desta história destes dois amigos ?

Certamente a certeza que um dia iremos partir, mas que, muitas vezes, não saber quando é se torna um alívio, até para os mais preparados como era o caso de Paulo.

No entanto se ganhamos está dádiva nos melhoramos como pessoa, como espírita, Paulo morreu 04 anos depois da doença voltar, em estágio mais avançado, e procurou faze-lo da melhor forma, trabalhando nos centros espíritas, escrevendo novas obras, dando conselhos, fortes como recebera de Pedro, e sendo humilde.

Em algumas de suas assistências, Paulo usava uma frase de Pedro, "Seja forte, é isto que se espera de ti, mantenha sua fé, sem fé no futuro de nossa existência jamais viveremos."

Paulo partiu para a pátria espiritual sem conversar com Pedro, no melhor dia, de seu enfrentamento com a doença,  até perguntou por ele junto a seus assessores, e resolveu não deixar nenhum recado, somente uma palavra a seu amigo de jornada, obrigado, por ter me ouvido.

Este relato com nomes trocados, me foi enviado por um amigo, para que possamos sempre entender duas coisas, ouça melhor as pessoas, se tiver um bom ouvido, poderá ajudar, até quem nunca imaginou precisar de ti, e a segunda, e talvez a mais importante, jamais perca sua fé, no que ensinou o mestre Jesus, e jamais desista de lutar, pela vida, pois realmente a vida é só um instante.



David Chinaglia,61,  espírita,pesquisador, escritor, é editor deste blog desde 2011, segue a codificação do espiritismo de acordo com os ensinamentos de Allan Kardec.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

BRUMADINHO MG, É HORA DE SE MOSTRAR ESPÍRITA DE VERDADE - POR DAVID CHINAGLIA





Estimados amigos e amigas do blog, é hora de rever nossas posições, nossos pensamentos, nossas atitudes, diante de tantos problemas que este País atravessa, e agora a tragédia de Brumadinho MG,.

Não é hora de ir buscar no plano espiritual, como vejo em algumas casas espíritas, ou mesmo no MEB, tipo relação com mortes ou tragédias de outras vidas, outros momentos, é hora de enviarmos o nosso melhor, para lá.

Da mesma forma que se fosse para seus filhos, irmãos, amigos, pai, e mãe, que estivessem lá, ou não é isto que iria pedir nas redes sociais?, ou onde frequenta.? enfim, se deseja ao próximo o que desejamos para nós.

Buscar no plano espiritual, agora respostas que não cabem, que nada irão acrescentar as famílias que lá estão, é ausência de serviço, é falta de amor ao próximo.

Como podemos ajudar, a 100,300, 500, 1.000 ou 5.000 Km, mentalizando uma prece, uma única prece por dia, um bom pensamento.

Brumadinho pode ter ainda mais de 250 mortos, espíritos, que foram ou não socorridos imediatamente, pelo porte dos acontecimentos.

Para nós, não cabe ficar buscando de quem é a culpa, claro, que é do Governo de Minas Gerais, da empresa, do governo Federal da gestão anterior, já que esta governo atual, assumiu há 27 dias, a culpa é também da sociedade que após Mariana MG nada fez para que isto parasse.
Agora, é hora de recolher os mortos e feridos, é hora de prece, é hora de energizar, o tempo nos dará respostas, agora, é hora de trabalhar,.

Muitos de nós gostariam de estar lá como voluntário, mas, no impedimento da vida, tire diariamente 5 a 10 minutos para o local, para os encarnados também, e para os desencarnados.

Energias do bem, do bom pensamento fortalecem os espíritos que vem ajudar nestas horas, agora, a reflexão maior para todos nós, irá levar para o que estamos fazendo no nosso dia á dia.

Irá perguntar, o leitor amigo, mas, se não é hora de culpados, porque isto? para um entendimento clássico de acidentes naturais é importante sabermos o que estamos concordando, energias de ódio, raiva, aborto, orgias sexuais, crimes, violência, trazem  o que ao solo do planeta? Espíritos de energia igual, se a natureza, tem sua força, claro está e provado está, que a natureza depende da energia, além dos acertos do homem, e da mulher, na sociedade, logo, em horas de crise assim, precisamos ajustar os pensamentos, rever conceitos do que estamos concordando, e de que planeta queremos para nós, de que País.

Vamos trazer aqui para vossa reflexão, o Céu e o Inferno de Allan Kardec, para um entendimento parcial, sobre a morte para nós, aliás leia o livro.

Causas da apreensão diante da morte

1. - O homem, seja qual for o grau da escala a que pertença, desde o estado de selvageria, tem o sentimento inato do futuro; sua intuição diz-lhe que a morte não é a última palavra da existência, e que aqueles de quem temos saudades não estão perdidos irremediavelmente. A crença no futuro é intuitiva, e infinitamente mais geral do que a crença no nada. Como explicar então que, entre aqueles que creem na imortalidade da alma, se encontre ainda tanto apego às coisas da terra, e uma apreensão tão grande da morte?

2. - A apreensão da morte é um efeito da sabedoria da Providência, e uma consequência do instinto de conservação comum a todos os seres vivos. Ela é necessária enquanto o homem não estiver suficientemente esclarecido sobre as condições da vida futura, como contrapeso ao impulso que, sem esse freio, o levaria a deixar prematuramente a vida terrestre, e a negligenciar o trabalho aqui embaixo que deve servir para seu próprio avanço. É por isso que, nos povos primitivos, o futuro é apenas uma vaga intuição, mais tarde uma simples esperança, mais tarde enfim uma certeza, mas ainda contrabalançada por um secreto apego à vida corpórea.

3. - À medida que o homem compreende melhor a vida futura, a apreensão da morte diminui; mas ao mesmo tempo, compreendendo melhor sua missão na terra, ele aguarda seu fim com mais calma, resignação e sem temor. A certeza da vida futura dá outro curso a suas ideias, outro objetivo a seus trabalhos; antes de ter essa certeza ele trabalha apenas para a vida atual; com tal certeza ele trabalha tendo em vista o futuro sem negligenciar o presente, porque sabe que seu futuro depende da direção melhor ou pior que der ao presente. A certeza de reencontrar os amigos depois da morte, de continuar as relações que teve na terra, de não perder o fruto de nenhum trabalho, de crescer incessantemente em inteligência e em perfeição, dá-lhe a paciência de esperar, e a coragem de suportar as fadigas momentâneas da vida terrestre. A solidariedade que ele vê se estabelecer entre os mortos e os vivos faz-lhe compreender aquela que deve existir entre os vivos; a fraternidade tem assim sua razão de ser e a caridade um objetivo no presente e no futuro.

Podemos simplesmente passar por Brumadinho MG, como mais um acidente do homem e sua ganância material, ou tirarmos aprendizado da dor destes amigos, que se foram, outros que ainda lutam para ir, ou ficar, e fazer nossa parte.

Procurar agora trazer psicografias, relatos, a longa distância, comparações, não irá ajudar nossos amigos, que partiram, nem seus familiares, é hora apenas de aceitar a morte com sua naturalidade, e rezar pelos irmãos, e para a espiritualidade a fim de que de fato possamos corrigir, sim corrigir erros, pois energias negativas geradas por nós encarnados, criam no ambiente que vivemos a zona do desconforto, e da espiritualidade menos esclarecida, o mal gera o mal, por isto Jesus, sempre dizia, vigia seus pensamentos.,
Por este momento apenas rezem, mandem boas energias, é o que podemos fazer de longe, e os que estão mais perto e podem ajudar que o façam.

O medo é natural em todos, afinal estamos construindo no planeta uma grande barragem, de energias negativas, maus pensamentos, e com isto devemos nos preocupar, porque o vento que bate em Brumadinho, é o mesmo que bate agora onde você está.

Oremos.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

FÉRIAS ESPÍRITAS - POR MARCELO HENRIQUE






Conceitua-se como férias, na esfera trabalhista, no âmbito profissional, o direito do trabalhador ao afastamento remunerado, a cada doze meses de cumprimento de sua jornada de trabalho. O instituto, que é jurídico, está presente em todos os países, variando, apenas, no que concerne ao tempo e à forma de seu exercício. 

Gosto muito de um adágio contido no Antigo Testamento, que diz: “trabalharás e ganharás o sustento (pão) com o suor do teu rosto”, contido no livro mosaico “Gênesis” (3: 19). 

O fato é que homens e mulheres, realizando atividade profissional, laboral, com ou sem vínculo empregatício, pois há os que são liberais, sem carteira assinada e donos de seus próprios negócios, esperam o momento de descanso, para “largar tudo” e fazerem o que quiserem do tempo em que não será necessário o seu concurso naquelas atividades. E, mesmo, considerando o lócus familiar, crianças e adolescentes que (ainda) não trabalhem, também esperam pelo momento em que seus pais ou responsáveis estarão “sem trabalhar” e eles, com frequência, também não estarão em atividades educacionais ou escolares. Todos, portanto, sem a incumbência de seus ofícios, caso a caso. 

E a casa espírita? E as atividades espíritas a que você se vincula? Há férias? Há interrupção dos “trabalhos”? A casa fecha suas portas? Os “trabalhadores” espíritas de diversas frentes, têm “férias”? 




Precisamos elevar, um pouco, a alça de mira de entendimento deste, digamos, espinhoso assunto. Vamos lá... 

O que é o Centro Espírita? Qual a fundamentação de sua existência? Para que serve? A quem atende? Com quem conta? Como é composto sua estrutura humana, isto é, quem são e a que se dedicam seus afiliados? 

Vamos voltar no tempo... O primeiro embrião de “centro espírita” está sediado na Europa do Século XIX – e, depois, também, na América do Norte, apesar de, circunstancialmente, os “fenômenos espíritas” (tais quais o conceituou o Professor Rivail, depois Allan Kardec) terem eclodido, primeiro, com os “raps” (batidas) na América. Depois é que vieram as mesas girantes, na Europa, fenômeno que atraiu o homem cético, de ciência, de pedagogia, Rivail. Espontaneamente, a partir da divulgação da primeira obra kardeciana (“O livro dos espíritos”), foram surgindo, nos dois continentes, agremiações (sociedades, na dicção jurídica da época) espiritistas. A Kardec coube, digamos, a honra de, por suas mãos, como criador da Doutrina Espírita (em parceria, claro, com médiuns e Espíritos de diversas localidades), estabelecer o “primeiro centro espírita do mundo”, a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas (SPEE). A partir dela e dos conceitos proclamados por Kardec nas orientações contidas em diversas de suas obras e na Revue Spirite, foram aparecendo outras ou, até, instituições que já funcionavam na prática foram adquirindo a “cor” de entidade espiritista. 

Basicamente, este modelo é o que inspira a existência dos milhares de centros espalhados pelo Brasil e pelo mundo. Note-se, ainda, a ênfase dada pelo Codificador ao conceito de “grupo familiar de espiritismo”, exortando e estabelecendo como premissa (necessária e desejável) que os seus participantes (associados, hoje, sócios àquela época) tivessem, entre si, laços de fraternidade, proximidade e simpatia. 

O “padrão” de Centro Espírita no Brasil, sabe-se, não segue literalmente este modelo. Assumiu, em nosso país, uma “conotação” um pouco, digamos, “diferente”. É claro que as pessoas podem ter, entre si, senão todas, algumas, ligações fraternas. Mas, como em qualquer agrupamento humano, haverá indiferença e, até, animosidades, porque não disser, até, ódio ou antipatias. Este elemento, embora não preponderante, também pode interferir não só na “qualidade” das atividades como na constância, repetitividade e na suspensão de certas reuniões e grupos. 

A SPEE – ou qualquer “centro espírita” da época em que nasceu e floresceu o Espiritismo DE KARDEC – possuía características e organização distintas do padrão comum das entidades congêneres que existem no Brasil há décadas – e, também, em várias partes do mundo, embora, também se saiba, o “modelo” não é originário destes países mas está correlacionado à presença de brasileiros (trabalhando, estudando ou realizando atividades diplomáticas, por exemplo, para ficarmos, apenas, em alguns exemplos) e que resolvem “criar” um núcleo espiritista naquelas localidades. Nada contra. Mas não são, em verdade, salvo raríssimas exceções, agrupamentos de cidadãos originários daquelas plagas, que tomaram conhecimento do Espiritismo e resolveram, aos moldes kardecianos, constituir agrupamentos associativos espíritas. Não, mesmo! 

No Brasil, parafraseando alguns autores desencarnados e algumas lideranças espíritas, é um templo (igreja ou espécie de), uma escola (entidade educacional, instrucional), um hospital (local de atendimento de “pacientes”, necessitados, encarnados ou desencarnados), uma entidade assistencial (para prover necessidades materiais dos que não as possuam ou não tenham condições de provê-las). Faltou algum quadrante? Pelo que conheço e em linhas gerais, penso que não! Aí estão listadas as “funções” de uma instituição espírita brasileira. 

Este referencial é importante para estabelecer algumas premissas para a consideração do tema deste ensaio. Para o “Trabalho” (ainda que simbólico, com outra tradução ou definição) e para as “Férias”. 

Das quatro “características” ou “ambiências” citadas acima, ao que um centro espírita se assemelharia, dependendo da atividade, função ou ação que desempenhe, apenas a escola tem férias. As outras concedem férias, no cenário social, mas não fecham suas portas, já que há outras pessoas destinadas previamente a substituir os que estejam em férias. Sim, porque num hospital, por exemplo, não são todos os médicos, os enfermeiros, os atendentes, o pessoal de limpeza ou de cozinha, que tiram férias ao mesmo tempo. Há, como se sabe, uma escala de trabalho e de férias, de modo que as atividades desempenhadas sejam, sempre, ininterruptas. 

Se você encara a atividade espírita como “trabalho” (mesmo que não receba, ela, o mesmo critério jurídico de configuração, evitando-se, por exemplo, inclusive, ações de indenização ou de busca de reconhecimento de vínculo trabalhista, como já vimos muitas, país afora), então, provavelmente, o seu conceito de existência e desempenho das atividades realizadas numa entidade espírita, também, devem ser ininterruptas. Pois sempre haverá gente para ser atendida, encaminhada, socorrida, amparada... Então, para você que assim pensa, o Centro Espírita jamais poderá estar de “portas fechadas”, não poderá “suspender” qualquer atividade e não “concederá” férias aos seus trabalhadores. Certo? Sim, certo, se o enquadre da questão for esse. Não há como adotar princípios ou respostas diversas. 

Mas se você encarar sua participação no centro como responsabilidade (e, não, trabalho) você passará a entender, aceitar e prever que poderão haver “hiatos”, uma vez que ninguém é obrigado (como se estivesse preso, algemado) a participar das atividades, “o ano todo”. Haverá compromisso seu, individual, de realização de tais ou quais atividades, espíritas, de acordo com sua capacidade e interesse, mas você não é e nunca será insubstituível. 

O que ocorre, então, quando sua família – que pode ser, mas pode não ser espírita – deseja que, num dado mês em que você tem “férias”, profissionalmente, também as tenha no “cenário” espírita? Não é natural? Não é enquadrado dentro das “obrigações” da relação familiar, convivial e dos deveres entre pais e filhos? Pense nisso... 

O primeiro “trabalho”, a primeira “responsabilidade”, os primeiros “deveres” dos espíritas, daqueles que aceitam seus princípios e procuram segui-los em sua trajetória encarnada, é compreender (melhor) e participar de modo satisfatório da vida familiar, com seus entes queridos. Este é o principal e maior trabalho (dever) do espírita: ser melhor para com aqueles que convivem com ele e o conhecem (mais de perto). 

A situação ideal seria a não-interrupção das atividades espíritas, por exemplo, em janeiro – que é o mês em que a maioria das pessoas (ou não?) tiram suas férias profissionais. Entendo que se fizermos uma pesquisa de campo, vamos encontrar esse resultado, sim, ou seja, é no primeiro mês de cada ano que a grande maioria dos trabalhadores está em gozo de férias. Há, até, certas “convenções sociais”, em relação, por exemplo a grandes corporações, a entidades públicas, a entidades do terceiro setor que, em janeiro, em face da relativa diminuição de afazeres, seja ideal para a concessão da folga remunerada a que, pela legislação, todo trabalhador faz jus. 

Assim sendo, poderá haver um grupo de pessoas, no centro, atrelado a estas ou aquelas atividades em que haja a presença de um número mínimo de “trabalhadores”, disso resultando não ser necessário interromper as mesmas. Não sofreria o “trabalho”, a atividade, a casa espírita, solução de continuidade. Ótimo! Resolvido, nesse caso, o “problema”. Há pessoas que não viajam, não passeiam, não vão para seus retiros de campo, praia, montanha, e permanecem em seus endereços e, portanto, podem continuar presentes a cada dia e horário de reunião. 

Mas teremos aquelas atividades em que não haverá “trabalhadores”, pessoas que participam deste trabalho, e não é razoável, fraterno e de boa gestão, impor que as pessoas não faltem, não se ausentem, não tenham férias. Novamente o conceito de “prisão”, de “obrigação inafastável” precisa ser deixado de lado, posto que a participação é voluntária, é decisão pessoal, é da vontade de cada um, embora envolta em elementos, como já pontuado, de responsabilidade e bom exercício. 

O “Espiritismo Brasileiro” e seu modus operandi bem característico, precisa deixar de querer “disciplinar” tudo. Precisa parar de ser comportar como uma corporação militar, em que a hierarquia é regra e que os detentores do poder (ainda que pequeno e sazonal, deseja-se) não oprimam, obriguem e exijam questões que não fazem parte do “espírito” da Doutrina dos Espíritos, sem redundância. 

Em nossa casa, por exemplo, as atividades educativas são suspensas, não só em janeiro, como em fevereiro, até o “período” consagrado na cultura e no calendário tupiniquins como “carnaval”, os festejos de Momo. Após esta data, tudo volta ao normal. Em relação às atividades mediúnicas, que ocorrem em um dia por semana, específico, a coordenação do trabalho consulta os participantes, médiuns, se todos estarão disponíveis neste período, para a continuidade dos trabalhos de estudo, evocação e atendimento espiritual. Havendo dois ou mais interessados, as atividades prosseguem, entre esses, e com uma readaptação em relação ao próprio desempenho desse mister, tendo em vista que serão menos participantes, o que influirá nos resultados. 

Em tudo e por tudo, o grande elemento se chama DIÁLOGO. E fraterno. Com clareza, com transparência, com espírito de equipe e visando, claro, os melhores resultados. Não é demais dizer que os fundamentos espíritas nos direcionam, também, preferencialmente, à SATISFAÇÃO de todos os envolvidos. Se os Bons Espíritos comparecem a trabalhos éticos, bem estruturados e com comunhão de pensamentos, eles também estão cientes de que, qualquer pessoa, de má vontade, “obrigada” ou “compelida” a vir, sob pena de alguma punição (e elas existem!), não se reveste dos qualificativos necessários para o SUCESSO das atividades espíritas. 

Então, para você que quer férias, boas férias! E para você que pode e quer continuar “trabalhando”, bom desempenho! E que todos estejam felizes, contribuindo para o esclarecimento espírita. 

É o nosso mais sincero desejo! 






Anexo 

Mensagem ditada por Santo Agostinho, na SPEE, ao médium Sr. E. Vezy, por ocasião da entrada de férias dos seus membros, em 1º de agosto de 1862, transcrita na Revue Spirite, Setembro, 1862. 



(Sociedade espírita de Paris, 1º de Agosto de 1862 - Médium: Sr. E. Vezy) 



Ides, pois, separar-vos por algum tempo, mas os bons Espíritos estarão sempre com os que lhes pedirem auxílio e apoio. 


Se cada um de vós deixa a mesa do mestre, não é apenas para exercício ou repouso, mas ainda para servir, onde quer que estiverdes, à grande causa humanitária, sob cuja bandeira viestes procurar abrigo. 


Bem compreendeis que para o espírita fervoroso não há horas designadas para o estudo. Toda a sua vida não é mais que uma hora, e ainda demasiado curta para o trabalho a que se dedica: o desenvolvimento intelectual das raças humanas!... 


Os galhos não se destacam do tronco porque deste se afastam. Ao contrário, dão lugar a novos impulsos que os unem e os solidarizam. 


Aproveitai estas férias que vão espalhar-vos, para vos tornardes ainda mais fervorosos, a exemplo dos apóstolos do Cristo. Saí deste cenáculo, fortes e corajosos. Que vossa fé e as vossas boas obras reúnam em torno de vós milhares de crentes, que abençoarão a luz que espalhareis em vosso redor. 


Coragem! Coragem! No dia do encontro, quando a auriflama do Espiritismo vos chamar ao combate e se desdobrar sobre vossas cabeças, que cada um tenha em volta de si os adeptos que houver formado sob sua bandeira, e os bons Espíritos dirão o seu número e o levarão a Deus! 

Não durmais, pois, espíritas, à hora da sesta. Velai e orai! Eu já vos disse, e outras vozes vo-lo repetirão: Soa o relógio dos séculos e uma vibração retine. Ela chama os que se acham na noite, e infelizes serão os que não a quiserem escutar! 


Ó espíritas! Ide, despertai os adormecidos e dizei-lhes que vão ser surpreendidos pelas vagas do mar que sobe em rugidos surdos e terríveis. Ide dizer lhes que escolham um lugar mais iluminado e mais sólido, porque eis que os astros declinam e a Natureza inteira se move, treme e se agita!... 


Mas, após as trevas, eis a luz, e aqueles que não tiverem querido ver e ouvir imigrarão naquela hora para mundos inferiores, a fim de expiar e esperar longamente, mui longamente, os novos astros que devem elevar-se e esclarecê-los. E o tempo lhes parecerá a eternidade, pois não lobrigarão o término de suas penas, até o dia em que começarem a crer e compreender. 


Espíritas, não mais vos chamarei crianças, mas homens, homens valentes e corajosos! Soldados da nova fé, combatei valentemente. Armai o braço com a lança da caridade e cobri o corpo com o escudo do amor. Entrai na liça! Alerta! Alerta! Calcai aos pés o erro e a mentira e estendei a mão aos que vos perguntarem: “Onde está a luz?” 


Dizei-lhes que os que marcham guiados pela estrela do Espiritismo não são pusilânimes; que se não deslumbrem com miragens e não aceitem como leis senão aquilo que ordena a razão fria e sã; que a caridade é a sua divisa e que não se despojem por seus irmãos senão em nome da solidariedade universal e nunca para ganharem um paraíso, que sabem muito bem que não podem possuir senão quando tiverem expiado o bastante!... Que conheçam Deus e que, antes de tudo, saibam que ele é imutável em sua justiça, e que, consequentemente, não pode perdoar uma vida de faltas acumuladas, por um segundo de arrependimento, como não pode punir uma hora de sacrilégio, por uma eternidade de suplício!... 


Sim, espíritas, contai os anos de arrependimento pelo número das estrelas, mas sabei que a idade de ouro virá para aquele que tiver sabido contá-las!... 


Ide, pois, trabalhadores e soldados, e que cada um volte com a pedra ou o seixo que deve auxiliar na construção do novo edifício. Eu vos digo, em verdade, que desta vez não mais tereis que temer a confusão, mesmo querendo elevar ao Céu a torre que o coroará. Ao contrário, Deus estenderá a sua mão no vosso caminho, a fim de vos abrigar das tempestades. 


Eis a segunda hora do dia. Eis os servidores que vêm de novo, da parte do Mestre, procurar trabalhadores. Vós que estais desocupados, vinde, e não espereis a última hora!... 


SANTO AGOSTINHO .






Marcelo Henrique,49, é professor de direito, advogado, ex diretor da Federação Espírita de Santa Catarina, é pesquisador do espiritismo, palestrante, seguidor da base doutrinária de Allan Kardec, e propagador da obra de J.Herculano Pires no Brasil.
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