quarta-feira, 22 de maio de 2019

O QUE O CÉREBRO TEM PARA ENSINAR AOS MÉDIUNS - POR NUBOR ORLANDO FACURE






A visão - O nosso olhar é uma das propriedades mais ativas do cérebro. Nós mobilizamos dois terços (70%) do córtex cerebral quando estamos olhando para uma criança correndo. Existem 30 áreas cerebrais que estarão atuantes nessa visão trabalhando nos seus detalhes. Precisamos saber quem é, sua localização, com que velocidade se locomove, para onde se dirige, que roupa usa, suas cores, o risco que corre, o parentesco que tem conosco, se vem até nós para dizer alguma coisa e se precisamos abrir os braços para abraçá-la ou acudir de um perigo de queda.




Nosso registro visual não é do tipo fotográfico, ele é interpretativo, constrói uma paisagem com aquilo que vê. O que vemos cria uma “representação” do que “pensamos” estar vendo. Disso decorre que mais de noventa por cento dessa atividade se processa na mente, e é isso que permite que cada um veja conforme lhe pareça e não como a coisa é.
Por que vemos? - Só há visão humana com a luz. Tudo começa com uma onda de energia vibratória que atinge nossa retina refletindo nela a imagem dos objetos. Aqui a luz atua sobre cones e bastonetes produzindo milhares de combinações em branco e preto ou coloridas, numa mistura de três cores fundamentais: vermelho, verde e azul – a cor é quase um milagre, e é bom saber que ela existe em nós e não nos objetos. Quando a energia luminosa é convertida em impulso nervoso, ele percorre o cérebro produzindo uma série de outros fenômenos que nos vão permitir “qualificar” o que vemos, dando-lhes propriedades:


A mansidão do luar
A quietude dos vales
A algazarra dos pássaros
A correria das fontes
O brilho das estrelas
O sorriso farto das crianças
O vermelho forte dos morangos
O vermelho brilhante do pôr do sol
O vermelho suave das rosas.




A visão e a linguagem - Nossa mente cria representações simbólicas para aquilo que estamos vendo. Damos-lhes qualidades para compreender sua existência.
As propriedades dos objetos e cenários acima descritos não são qualidades primárias, são “imaginações” que criamos para relatar, interpretar e explicar como essas coisas são para nós. Aprendemos a usar as nossas representações com seus significados para que possam fazer parte da nossa linguagem corriqueira, dispensando a presença do objeto visualizado.
Nossa infância é povoada de imaginações que aprendemos a ouvir e criar para representar o mundo e aliviar nossas angústias e medos. Criamos os anjinhos com asas, o homem que é metade homem e metade cavalo, a fadinha que produz estrelinhas, os monstros, os gigantes e os anõezinhos, as bruxas e os heróis. Entretanto, a maior invenção que criamos para representar nossas imagens foi a escrita. Só o ser humano é capaz de representar um objeto por um conjunto de letras, uma palavra uma frase ou um poema.




Conta-se que uma águia é capaz de ver uma letra a 15 metros de distância, mas, seguramente ela não sabe ler, dar significado a essa letra e compreender o que ela diz.
O capricho da anatomia – dividindo a imagem - Quando a imagem atinge a parte posterior do cérebro, na região occipital, ocorrem fenômenos anatômicos importantes e curiosos. As informações se distribuem em camadas a partir de um ponto central, no último giro do lobo occipital. Ali construímos o foco do nosso olhar, a partir do qual alguns detalhes da imagem se esparramam como numa casca de cebola. Uma parte será enviada ao lobo parietal no Giro Angular, outra para a região temporal no Giro Medial e uma terceira via atinge, também no lobo temporal, o Giro Fusiforme.









Vamos ver qual é o propósito dessa tríplice divisão:
O Giro Angular e suas vizinhanças - Situado no lobo parietal, esse giro desempenha funções interessantíssimas – ele nos permite dispor de um GPS no cérebro – nos localiza no espaço e permite que sejamos informados “onde” – exatamente isto: onde – está determinado objeto. Imaginem pegarmos uma xícara no meio de várias louças e copos, os desajeitados sempre aprontam pequenos desastres caseiros.
No lobo parietal direito alguns experimentos cirúrgicos conseguiram estimular as proximidades dessa área e o paciente referir que se sentia fora do corpo – ocorre uma projeção da imagem corporal para fora do corpo – semelhante aos conhecidos relatos metafísicos de “experiências fora do corpo” que hoje contam com vastíssima comprovação na literatura médica.
O lobo temporal - Aqui há regiões que nos permitem ter noção “do que é” e dos movimentos das pessoas e dos objetos identificados – para sabermos a importância dessa função basta circular pelo corredor de um shopping onde várias pessoas andam apressadas em nossa direção, obrigando-nos a desviarmos de um ou de outro. E aqui também os desastrados se dão mal, trombam frequentemente.
O Giro Fusiforme - Passa-se nele um fenômeno de extrema importância – é uma área onde é projetado o rosto das pessoas, sendo assim processada a identificação dos amigos e dos desconhecidos, uma distinção fundamental para a sociabilidade e a sobrevivência. E, nesse particular, todos nós tropeçamos, lembrando-nos daquele rosto, mas nos foge, com frequência, o nome da pessoa.




Um breve resumo - Concluímos, então, que logo após termos as imagens registradas no lobo occipital elas esparramam suas conexões para áreas vizinhas a fim de podermos tomar conhecimento da cor, da forma, do movimento e da localização precisa do objeto visualizado – para cada uma dessas funções há um grupo particular de neurônios executando essa tarefa. Diz a Neurologia que nós temos, sim, um neurônio para nossa Avó e outro para a Angelina Jolie.
Entre o cérebro e a mente - Ensina a Neurologia que a imagem que nos chega aos olhos não é interpretada como um reflexo que se projeta em um espelho. Cérebro e mente vão construir o que “pensam” estar vendo. Portanto, para tudo que vemos o cérebro e a mente montam uma representação daquilo que imaginam ser o que está sendo visto.
Vale a pena repetir com os cientistas que nossa realidade é pura imaginação. Mais importante, ainda, é saber que cada um de nós imagina o mundo a seu modo. 
A Neurologia ensina que, ao construirmos nossas imagens mentais, ajuntamos algumas peças que se conjugam nessa imaginação. Primeiro, a expectativa – se espero ver um anjo devo dar-lhe asas como uma de suas propriedades. Repetindo o que já aprendemos, a visão é um processo ativo, nossa mente é quem põe nos objetos ou nas pessoas as características que espera ver neles.
Depois, atuam as nossas memórias – se já conheço o pequi do serrado, fica fácil identificar esse fruto quando o encontro no meio da panela de arroz tingindo-o com sua cor amarelada. Ao ver um rosto na multidão saberei de quem se trata caso minhas memórias detectem nosso parentesco ou amizade.
Finalmente, interfere a nossa cultura, pessoal e coletiva – o peão que reconhece os animais na roça, o mecânico que trabalha com as peças do motor, o médico que manuseia os instrumentos da cirurgia, o cozinheiro que escolhe os ingredientes da comida, o mateiro que transita fácil pela floresta, o piloto que pousa o avião mesmo com a névoa da tempestade – todos eles enxergam detalhes que seu conhecimento possibilita compor.
As extravagâncias da patologia -
Lesões, inflamações, tumores e síndromes diversas são capazes de desencadear manifestações que deturpam nossa visão. Fora dos quadros neurológicos clássicos de cegueiras e hemianopsias, vale a pena apontar curiosidades que ocorrem com algumas pessoas.
Afetada a área que identifica o movimento dos objetos ou das pessoas, o indivíduo relata curiosidades inacreditáveis – um deles diz que não pode pôr seu leite no copo. Ao virar a garrafa ele não percebe a descida do líquido que acaba entornando – não há como perceber que o leite desceu da garrafa enchendo o copo. Outro diz que não há como andar no shopping, ele nunca sabe se as pessoas estão vindo em sua direção e é terrível tentar atravessar a rua quando os carros estão passando. Um terceiro nota que aqueles pássaros que voam ali por perto na verdade lhe parece estarem parados, mas eles aparecem ora num lugar ora noutro, deixando-o confuso.
As cores mudam de tonalidade ou desaparecem em pacientes com epilepsia – eles podem relatar “crises” visuais nas quais percebem em seu campo de visão o desenrolar de uma cena como se fosse um filme. Pode de início ser suas imagens em branco e preto, vindo depois o colorido adequado preencher o cenário.





A mediunidade – vendo Espíritos -
A vidência é um tipo raro de mediunidade. Crianças costumam ver muito, assim como os idosos nas fases finais da vida.
Os bons médiuns videntes fazem relatos muito interessantes que podemos compreender melhor conhecendo o que nos diz o cérebro conforme estamos estudando.
Precisa ser dito que o médium não vê o Espírito, é o Espírito que se faz ver – usando a coparticipação de uma fisiologia especial de que dispõe o médium vidente. A percepção de uma entidade espiritual acontece por uma combinação de fenômenos – é preciso uma combinação dos fluidos do encarnado com o desencarnado; ocorre uma sintonia fluídica com assimilação pelo perispírito do médium daquilo que lhe projeta o Espírito desencarnado.
E, finalmente, a imagem que o Espírito quer mostrar tem sua expressão no cérebro físico do médium no qual terá de submeter-se ao que estudamos sobre ele.
Podemos resumir algumas de nossas afirmações anotadas acima:
O mundo visível é uma imaginação da mente – a isso se chama percepção visual.
O estímulo visual atinge o “cérebro”, mas, é a mente que constrói a representação do que vê – criamos uma imagem mental do que pensamos estar vendo.
Cada um de nós constrói suas imagens visuais conforme suas expectativas, suas memórias e sua cultura.
Há regiões diferenciadas no cérebro situadas no entorno da região occipital, para percepção do espaço e o que ele contém, a localização de objetos ou de pessoas, sua movimentação, sua forma, sua cor e sua identidade facial.





Vamos aos exemplos nos relatos dos médiuns:
O que podemos aprender -
1 – Em O Livro dos Médiuns, Allan Kardec ensina que a vidência é um tipo de mediunidade rara e que não se deve provocar seu desenvolvimento, deixando que ela siga seu curso natural, evitando o risco de sermos iludidos por efeito da imaginação. O cérebro é farto de informações e a mente é muito criativa, podendo fazer-nos ver o que não existe.
2 – No mundo fantasioso da criança é comum ela conversar com personagens construídas pela sua imaginação, mas nem tudo é fictício no mundo da criança. No histórico de muitos médiuns eles relatam sua vidência desde a infância e, nessa época, não tinham conhecimento suficiente para identificarem que parte da conversa era mesmo com entidades espirituais.
3 – No idoso e nos pacientes terminais há relatos de visitas de Espíritos familiares que se fazem ver pelo paciente – a veracidade desses relatos merece crédito inquestionável – quanto a isso a Doutrina Espírita é farta em comprovações.
4 – Na epilepsia, embora a Neurologia acadêmica ainda não admita, é possível que certas crises sejam precipitadas por entidades perturbadoras, e podemos conjecturar que as imagens visualizadas nas crises tenham a ver com a dimensão espiritual. Nas palavras de Kardec, a vidência geralmente é um episódio fugaz, lembrando muito uma “crise” cortical – segundo pensamos, por excitação de neurônios na região occipital.
5 – A vidência não é um fenômeno contínuo, costuma ocorrer em flashes, circunscritos, frequentemente, a um foco, num determinado ponto do ambiente – às vezes o Espírito aparece sistematicamente no mesmo lugar, ou ora aqui ora ali. Pelo que estudamos, a fixação do Espírito numa determinada localização ocorre por estímulo de neurônios localizatórios no cérebro do médium e não como fato real. Não é, por exemplo, culpa do Espírito aparecer sempre ao lado do piano, é o cérebro do médium que só consegue enxergá-lo ali.






6 – A aparência com que se apresenta o Espírito tem a ver com a estimulação de neurônios da área occipito-tempral que nos permite identificar as formas dos objetos. O conceito popular ensina que a descrição das formas depende dos olhos de quem vê – atentem para o vestido da noiva no seu casamento, cada convidado fará a descrição que mais o afeta. É por isso que nas visões tanto podem ser descritos santos como demônios – asas, auréolas, tridentes ou mantos de luz.



7 – Quando Wilder Penfield iniciou as primeiras neurocirurgias para cura da epilepsia, o paciente era operado acordado, com o cérebro exposto. Isso permitia que certas áreas do cérebro pudessem ser estimuladas eletricamente pelo neurocirurgião. Dr. Penfield conseguia obter, com essa técnica, que o paciente relatasse o que estava vendo ou sentindo ou movimentando seus dedos. Ele podia, também, emitir algumas palavras, gritos, ver cenas do seu passado, descrever locais onde vivera ou onde se sentia projetado.


Allan Kardec ensina que nossa alma, quando emancipada parcialmente do corpo, pode “enxergar” quadros ou cenários arquivados em seu próprio cérebro físico. Isso significa que nossos neurônios armazenam sinais que nos permitem recompor memórias de coisas vistas ou vividas – pensamos nós que essa é uma vulnerabilidade muito apropriada para atuação dos obsessores.





Nubor Orlando Facure, 79, é médico, neurologista, espírita, viveu o milagre de Uberaba como amigo e médico de Chico Xavier, conhece muitos fatos ocorridos no movimento espírita, é escritor, foi o primeiro médico a falar de espiritismo na Unicamp, é diretor presidente do Instituto do Cérebro em Campinas, e colabora com este blog.

E-mail para contato : lfacure@uol.com.br 

MÉDIUM ? NEM SEMPRE... - POR DAVID CHINAGLIA






Estimados amigos de jornada na terra, e do Movimento espírita Brasileiro, é hora de todos os centros fazerem uma avaliação de sua equipe de médiuns.
Antes de mais nada, sem citar os nomes verdadeiros, mas, autorizados por eles, vamos citar 03 acontecimentos que geraram suspensão de trabalhos espíritas, reciclagem dos médiuns, e reforma da casa espírita, a par de muitas críticas de quem frequenta o local.

Caso 1 - Centro Espírita do Interior de São Paulo.

Um agrupamento se reunia para receber mensagens espíritas, feitas por logicamente, espíritos, 12 pessoas e o coordenador do centro se reuniam, numa reunião de psicografia, um dos participantes ao final das cartas recebidas, sempre tinha em sua assinatura, espíritos famosos, tipo; Bezerra de Menezes, André Luís, etc e tal, o coordenador antes de validar, lia o conteúdo, analisava o texto, o teor, os casos que os médiuns sabiam estar em tratamento.

Em dado momento, a mesma médium, começou nas sessões subsequentes da casa, para psicografia a receber, reis, rainhas, duquesas, o que gerou no agrupamento uma série de dúvidas, afinal na vida real, a jovem professora tinha trabalhado com História, e começaram as questões ao coordenador, e as piadas, tipo e a escolhida? para quê isto? qual a finalidade, e alguns afirmações são falsas ela quer notoriedade.

O Coordenador que me contou esta história chamou a referida médium, em sua sala, para entender a concepção de suas cartas(o médium em 95% das psicografias, tem conhecimento do que suas mãos(cérebro) escreveram), vamos lembrar que a única incorporação de fato na Terra, é a gravidez, já que espírito nenhum toma o corpo, de ninguém, a não ser quando domina o cérebro, canal de comunicação, elo da mediunidade.

A jovem professora disse, "Que culpa tenho se sou escolhida ?


Caso 2 - Centro do Litoral de São Paulo - 


A Casa espírita, recebera uma notícia triste de uma morte repentina do filho de uma das trabalhadoras, uma morte chocante, pela idade, por se tratar da partida de um jovem, um caso comovente.

Dias depois a mãe levou o pai e a família, para tomar um passe, receber uma energia depois de dias, naquele momento de dor.

Uma das médiuns da casa, começa a gritar, prantear uma dor que não era sua, e dizer que se tratava do espírito do filho da amiga, envolvendo-se no caso, e causando espanto até na ante sala, que sabia que na verdade, não era o espírito do jovem, e sim a médium, histérica com o fato, envolvida numa dor que não era a sua, e se achando mais do que devia ser.

A Coordenação conversou e mandou a médium para uma reciclagem, tão fato, acabou fazendo ela deixar a casa, alegando, que uma casa que não aceita os espíritos, não é um centro.


Caso 3 - Centro Espírita de São Paulo


Sala de reuniões, abertura dos trabalhos, médiuns sérios, e dois gemendo, balançando a cabeça, respirando fundo, de forma desnecessária, coordenador atento, começa a observar, que histórias contadas aos anos do centro estavam se repetindo dentro da sala de reuniões, num fato claro de falsa mediunidade e informação, já que num deles, o mesmo médium contou um fato que ocorrera, mas cujo o final dentro da casa só o coordenador sabia, mostrando que sua "incorporação" era falsa, e se tratava apenas de um homem fraco, vaidoso, mexendo com algo que nem ele sabia.

Para que a lição fosse meditada e aprendida os 08 médiuns foram suspensos, e tiveram que fazer reciclagem, para entendimento do que é de verdade ser médium.





Vamos agora falar de espiritismo de verdade, de Allan Kardec, o MEB cresceu demais, e sem comando, um pseudo comando da FEB, que na verdade é mais madrasta que mãe orientadora, a liberdade em excesso, gera o que Kardec mais temia, a vaidade dos médiuns, o ser médium.

Casos como o acima relatado, sem os detalhes que possuo, fizeram os centros envolvidos a tomarem uma posição.

A questão aqui neste texto é outra, e os centros que nada fazem em nome do amor?

O que estão praticando ?

Espiritismo a moda da casa, ou seja, dar amor a qualquer preço, que nem sempre as vezes chega a sua finalidade, e o mais grave, ter seguidores, arrecadar recursos, e ensinar errado, dando a doutrina um rumo de milagres que não existe.



"Todo aquele que sente, num grau qualquer, a influência dos Espíritos é, por esse fato, médium. Essa faculdade é inerente ao homem; não constitui, portanto, um privilégio exclusivo. Por isso mesmo, raras são as pessoas que dela não possuam alguns rudimentos.” (O Livro dos Médiuns, cap. 14, item 159.)
“Médium: pessoa que pode servir de intermediário entre os Espíritos e os homens.” (Obra citada, cap. 32.)



O Médium precisa ter conhecimento, aliás da gravidade da prática e uso do dom que não é somente de um agrupamento de 8,10 ou 12 pessoas, todos nós somos médiuns, uns mais, outros menos.

Dizer que médium é um escolhido é o maior erro do espiritismo no Brasil, existem relatos de loucura, na velhice, ou até mesmo jovens, de pertubações, de uso indevido da faculdade recebida.

Engana-se quem acha que o médium está fazendo uma ajuda a terceiros o famoso "assistido", a maior ajuda que o médium faz é para ele mesmo, para sua evolução, ajudando de fato o próximo.

Quando a vaidade domina o corpo do homem(mulher), e ele finge situações, ou nem mesmo tem conhecimento, mostra seu pouco preparo.








Em o Livro dos Médiuns de Allan Kardec, obra obrigatória para todos que entram numa sala em casa espírita ler e entender da gravidade e importância do que vai praticar encontramos;




HÁ ESPÍRITOS ?
1. A dúvida, no que concerne à existência dos Espíritos, tem como causa primária a ignorância acerca da verdadeira natureza deles. Geralmente, são figurados como seres à parte na criação e de cuja existência não está demonstrada a necessidade. Muitas pessoas, mais ou menos como as que só conhecem a História pelos romances, apenas os conhecem através dos contos fantásticos com que foram acalentadas em criança.

Sem indagarem se tais contos, despojados dos acessórios ridículos, encerram algum fundo de verdade, essas pessoas unicamente se impressionam com o lado absurdo que eles revelam. Sem se darem ao trabalho de tirar a casca amarga, para achar a amêndoa, rejeitam o todo, como fazem, relativamente à religião, os que, chocados por certos abusos, tudo englobam numa só condenação.

Seja qual for a ideia que dos Espíritos se faça, a crença neles necessariamente se funda na existência de um princípio inteligente fora da matéria. Essa crença é incompatível com a negação absoluta deste princípio. Tomamos, conseguintemente, por ponto de partida, a existência, a sobrevivência e a individualidade da alma, existência, sobrevivência e individualidade que têm no Espiritualismo a sua demonstração teórica e dogmática e, no Espiritismo,a demonstração positiva. Abstraiamos, por um momento, das manifestações propriamente ditas e, raciocinando por indução, vejamos a que consequências chegaremos.


2. Desde que se admite a existência da alma e sua individualidade após a morte, forçoso é também se admita: 1º, que a sua natureza difere da do corpo, visto que, separada deste, deixa de ter as propriedades peculiares ao corpo; 2º, que goza da consciência de si mesma, pois que é passível de alegria, ou de sofrimento, sem o que seria um ser inerte, caso em que possuí-la de nada nos valeria. Admitido isso, tem-se que admitir que essa alma vai para alguma parte. Que vem a ser feito dela e para onde vai?

Segundo a crença vulgar, vai para o céu, ou para o inferno. Mas, onde ficam o céu e o inferno? Dizia-se outrora que o céu era em cima e o inferno embaixo. Porém, o que são o alto e o baixo no Universo, uma vez que se conhecem a esfericidade da Terra, o movimento dos astros, movimento que faz com que o que em dado instante está no alto esteja, doze horas depois, embaixo, e o infinito do espaço, através do qual o olhar penetra, indo a distâncias consideráveis? Verdade é que por lugares inferiores também se designam as profundezas da Terra. Mas, que vêm a ser essas profundezas, desde que a Geologia as esquadrinhou? Que ficaram sendo, igualmente, as esferas concêntricas chamadas céu de fogo, céu das estrelas, desde que se verificou que a Terra não é o centro dos mundos, que mesmo o nosso Sol não é único, que milhões de sóis brilham no Espaço, constituindo cada um o centro de um turbilhão planetário? A que ficou reduzida a importância da Terra, mergulhada nessa imensidade? Por que injustificável privilégio este quase imperceptível grão de areia, que não avulta pelo seu volume, nem pela sua posição, nem pelo papel que lhe cabe desempenhar, seria o único planeta povoado de seres racionais? A razão se recusa a admitir semelhante nulidade do infinito e tudo nos diz que os diferentes mundos são habitados. Ora, se são povoados, também fornecem seus contingentes para o mundo das almas. Porém, ainda uma vez, que terá sido feito dessas almas, depois que a Astronomia e a Geologia destruíram as moradas que se lhes destinavam e, sobretudo, depois que a teoria, tão racional, da pluralidade dos mundos, as multiplicou ao infinito? 

Não podendo a doutrina da localização das almas harmonizar-se com os dados da Ciência, outra doutrina mais lógica lhes assina por domínio, não um lugar determinado e circunscrito, mas o espaço universal: formam elas um mundo invisível, em o qual vivemos imersos, que nos cerca e acotovela incessantemente. Haverá nisso alguma impossibilidade, alguma coisa que repugne à razão? De modo nenhum; tudo, ao contrário, nos afirma que não pode ser de outra maneira.

Mas, então, que vem a ser das penas e recompensas futuras, desde que se lhes suprimam os lugares especiais onde se efetivem? Notai que a incredulidade, com relação atais penas e recompensas, provam geralmente de serem umas e outras apresentadas em condições inadmissíveis. Dizei, em vez disso, que as almas tiram de si mesmas a sua felicidade ou a sua desgraça; que a sorte lhes está subordinada ao estado moral; que a reunião das que se votam mútua simpatia e são boas representa para elas uma fonte de ventura; que, de acordo com o grau de purificação que tenham alcançado, penetram e entrevem coisas que almas grosseiras não distinguem, e toda gente compreenderá sem dificuldade. Dizei mais que as almas não atingem o grau supremo, senão pelos esforços que façam por se melhorarem e depois de uma série de provas adequadas à sua purificação; que os anjos são almas que galgaram o último grau da escala, grau que todas podem atingir, tendo boa vontade; que os anjos são os mensageiros de Deus, encarregados de velar pela execução de seus desígnios em todo o Universo, que se sentem ditosos com o desempenho dessas missões gloriosas, e lhes tereis dado à felicidade um fim mais útil e mais atraente, do que fazendo-a consistir numa contemplação perpétua, que não passaria de perpétua inutilidade. Dizei, finalmente, que os demônios são simplesmente as almas dos maus, ainda não purificadas, mas que podem, como as outras, ascender ao mais alto cume da perfeição e isto parecerá mais conforme à justiça e à bondade de Deus, do que a doutrina que os dá como criados para o mal e ao mal destinados eternamente. Ainda uma vez: aí tendes o que a mais severa razão, a mais rigorosa lógica, o bom-senso, em suma, podem admitir. 

Ora, essas almas que povoam o Espaço são precisamente o a que se chama Espíritos. Assim, pois, os Espíritos não são senão as almas dos homens, despojadas do invólucro corpóreo. Mais hipotética lhes seria a existência, se fossem seres à parte. Se, porém, se admitir que há almas, necessário também será se admita que os Espíritos são simplesmente as almas e nada mais. Se se admite que as almas estão por toda parte, ter-se-á que admitir, do mesmo modo, que os Espíritos estão por toda parte. Possível, portanto, não fora negar a existência dos Espíritos, sem negar a das almas.


ENTENDIDO isto, podemos ir a frente na mesma obra de Allan Kardec e chegarmos ao ponto do capítulo, DO MARAVILHOSO E DO SOBRENATURAL onde logo no começo lemos:


7. Se a crença nos Espíritos e nas suas manifestações representasse uma concepção singular, fosse produto de um sistema, poderia, com visos de razão, merecer a suspeita de ilusória. Digam-nos, porém, por que com ela deparamos tão vivaz entre todos os povos, antigos e modernos, e nos livros santos de todas as religiões conhecidas? É, respondem os críticos, porque, desde todos os tempos, o homem teve o gosto do maravilhoso. — Mas, que entendeis por maravilhoso? — O que é sobrenatural. —Que entendeis por sobrenatural? — O que é contrário às leis da Natureza. — Conheceis, porventura, tão bem essas leis, que possais marcar limite ao poder de Deus? Pois bem! Provai então que a existência dos Espíritos e suas manifestações são contrárias às leis da Natureza; que não é, nem pode ser uma destas leis. Acompanhai a Doutrina Espírita e vede se todos os elos, ligados uniformemente à cadeia, não apresentam todos os caracteres de uma lei admirável.


O pensamento é um dos atributos do Espírito; a possibilidade, que eles têm, de atuar sobre a matéria, de nos impressionar os sentidos e, por conseguinte, de nos transmitir seus pensamentos, resulta, se assim nos podemos exprimir, da constituição fisiológica que lhes é própria. Logo, nada há de sobrenatural neste fato, nem de maravilhoso. Tornar um homem a viver depois de morto e bem morto, reunirem-se seus membros dispersos para lhe formarem de novo o corpo, sim, seria maravilhoso, sobrenatural, fantástico. Haveria aí uma verdadeira derrogação da lei, o que somente por um milagre poderia Deus praticar. Coisa alguma, porém, de semelhante há na Doutrina Espírita.


8. Entretanto, objetarão, admitis que um Espírito pode suspender uma mesa e mantê-la no espaço sem ponto de apoio. Não constitui isto uma derrogação da lei de gravidade? — Constitui, mas da lei conhecida; porém, já a Natureza disse a sua última palavra? Antes que se houvesse experimentado a força ascensional de certos gases, quem diria que uma máquina pesada, carregando muitos homens, fosse capaz de triunfar da força de atração? Aos olhos do vulgo, tal coisa não pareceria maravilhosa, diabólica? Por louco houvera passado aquele que, há um século, se tivesse proposto a transmitir um telegrama a 500 léguas de distância e a receber a resposta, alguns minutos depois. Se o fizesse, toda gente creria ter ele o diabo às suas ordens, pois que, àquela época, só ao diabo era possível andar tão depressa. Por que, então, um fluido desconhecido não poderia, em dadas circunstâncias, ter a propriedade de contrabalançar o peso do balão? Notemos, de passagem, que não fazemos uma assimilação, mas apenas uma comparação, e unicamente para mostrar, por analogia, que o fato não é fisicamente impossível.


Ora, foi exatamente por quererem, ao observar estas espécies de fenômenos, proceder por assimilação que os sábios se transviaram.

Em suma, o fato aí está. Não há, nem haverá negação que possa fazer não seja ele real, porquanto negar não é provar. Para nós, não há coisa alguma sobrenatural. É tudo o que, por agora, podemos dizer.

9. Se o fato ficar comprovado, dirão, aceitá-lo-emos; aceitaríamos mesmo a causa a que o atribuís, a de um fluido desconhecido. Mas, quem nos prova a intervenção dos Espíritos? Aí é que está o maravilhoso, o sobrenatural.

Far-se-iam mister aqui uma demonstração completa, que, no entanto, estaria deslocada e, ao demais, constituiria uma repetição, visto que ressalta de todas as outras partes do ensino. Todavia, resumindo-a nalgumas palavras, diremos que, em teoria, ela se funda neste princípio: todo efeito inteligente há de ter uma causa inteligente e, do ponto de vista prático, na observação de que, tendo os fenômenos ditos espíritas dado provas de inteligência, fora da matéria havia de estar a causa que os produzia e de que, não sendo essa inteligência a dos assistentes — o que a experiência atesta — havia de lhes ser exterior. Pois que não se via o ser que atuava, necessariamente era um ser invisível.

Assim foi que, de observação em observação, se chegou ao reconhecimento de que esse ser invisível, a que deram o nome de Espírito, não é senão a alma dos que viveram corporalmente, aos quais a morte arrebatou o grosseiro invólucro visível, deixando-lhes apenas um envoltório etéreo, invisível no seu estado normal. Eis, pois, o maravilhoso e o sobrenatural reduzidos à sua mais simples expressão. 

Uma vez comprovada a existência de seres invisíveis, a ação deles sobre a matéria resulta da natureza do envoltório fluídico que os reveste. É inteligente essa ação, porque, ao morrerem, eles perderam tão-somente o corpo, conservando a inteligência que lhes constitui a essência mesma. Aí está a chave de todos esses fenômenos tidos erradamente por sobrenaturais. A existência dos Espíritos não é, portanto, um sistema preconcebido, ou uma hipótese imaginada para explicar os fatos: é o resultado de observações e consequência natural da existência da alma. Negar essa causa é negar a alma e seus atributos. Dignem-se de apresentá-la os que pensem em poder dar desses efeitos inteligentes uma explicação mais racional e, sobretudo, de apontar a causa de todos os fatos,e então será possível discutir-se o mérito de cada uma.

10. Para os que consideram a matéria a única potência da Natureza, tudo o que não pode ser explicado pelas leis da matéria é maravilhoso, ou sobrenatural, e, para eles, maravilhoso é sinônimo de superstição.Se assim fosse, a religião, que se baseia na existência de um princípio imaterial, seria um tecido de superstições. Não ousam dizê-lo em voz alta, mas dizem-no baixinho e julgam salvar as aparências concedendo que uma religião é necessária ao povo e às crianças, para que se tornem ajuizados. Ora, uma de duas, ou o princípio religioso é verdadeiro, ou falso. Se é verdadeiro, ele o é para toda gente, se falso, não tem maior valor para os ignorantes do que para os instruídos. 

11. Os que atacam o Espiritismo, em nome do maravilhoso, se apoiam geralmente no princípio materialista, porquanto, negando qualquer efeito extra material, negam, ipso facto,a existência da alma. Sondai-lhes, porém, o fundo das consciências, perscrutai bem o sentido de suas palavras e descobrireis quase sempre esse princípio, se não categoricamente formulado, germinando por baixo da capa com que o cobrem, a de uma pretensa filosofia racional. Lançando à conta do maravilhoso tudo o que decorre da existência da alma, são, pois, consequentes consigo mesmos: não admitindo a causa, não podem admitir os efeitos. Daí, entre eles, uma opinião preconcebida, que os torna impróprios para julgar lisamente do Espiritismo, visto que o princípio donde partem é o da negação de tudo o que não seja material.

Quanto a nós, dar-se-á aceitemos todos os fatos qualificados de maravilhosos, pela simples razão de admitirmos os efeitos que são a consequência da existência da alma? Dar-se-á sejamos campeões de todos os sonhadores, adeptos de todas as utopias, de todas as excentricidades sistemáticas? Quem o supuser, demonstrará bem minguado conhecimento do Espiritismo. Mas, os nossos adversários não atentam nisto muito de perto. O de que menos cuidam é da necessidade de conhecerem aquilo de que falam.

Segundo eles, o maravilhoso é absurdo; ora, o Espiritismo se apoia em fatos maravilhosos, logo o Espiritismo é absurdo. E consideram sem apelação esta sentença. Acham que opõem um argumento irretorquível quando, depois de terem procedido a eruditas pesquisas acerca dos convulsionários de Saint-Médard, dos fanáticos de Cevenas, ou das religiosas de Loudun, chegaram à descoberta de patentes embustes, que ninguém contesta. Semelhantes histórias, porém, serão o evangelho do Espiritismo? Terão seus adeptos negado que o charlatanismo há explorado, em proveito próprio, alguns fatos? que outros sejam frutos da imaginação? que muitos tenham sido exagerados pelo fanatismo? Tão solidário é ele com as extravagâncias que se cometam em seu nome, quanto a verdadeira ciência com os abusos da ignorância, ou a verdadeira religião com os excessos do sectarismo. Muitos críticos se limitam a julgar do Espiritismo pelos contos de fadas e pelas lendas populares que lhe são as facções. O mesmo fora julgar da História pelos romances históricos, ou pelas tragédias.

12. Em lógica elementar, para se discutir uma coisa, preciso se faz conhecê-la, porquanto a opinião de um crítico só tem valor, quando ele fala com perfeito conhecimento de causa. Então, somente, sua opinião, embora errônea, poderá ser tomada em consideração. Que peso, porém, terá quando ele trata do que não conhece? A legitima crítica deve demonstrar, não só erudição, mas também profundo conhecimento do objeto que versa, juízo reto e imparcialidade a toda prova, sem o que, qualquer menestrel poderá arrogar-se o direito de julgar Rossini e um pintamo-nos o de censurar Rafael.

13. Assim, o Espiritismo não aceita todos os fatos considerados maravilhosos, ou sobrenaturais. Longe disso, demonstra a impossibilidade de grande número deles e o ridículo de certas crenças, que constituem a superstição propriamente dita. É exato que, no que ele admite, há coisas que, para os incrédulos, são puramente do domínio do maravilhoso, ou por outra, da superstição. Seja. Mas, ao menos, discuti apenas esses pontos, porquanto, com relação aos demais, nada há que dizer e pregais em vão. Atendo-vos ao que ele próprio refuta, provais ignorar o assunto e os vossos argumentos erram o alvo. 

Porém, até onde vai a crença do Espiritismo? perguntarão. Lede, observai e sabê-lo-eis. Só com o tempo e o estudo se adquire o conhecimento de qualquer ciência. Ora, o Espiritismo, que entende com as mais graves questões de filosofia, com todos os ramos da ordem social, que abrange tanto o homem físico quanto o homem moral, é, em si mesmo, uma ciência, uma filosofia, que já não podem ser aprendidas em algumas horas, como nenhuma outra ciência.


Tanta puerilidade haveria em se querer ver todo o Espiritismo numa mesa girante, como toda a física nalguns brinquedos de criança. A quem não se limite a ficar na superfície, são necessários, não algumas horas somente, mas meses e anos, para lhe sondar todos os arcanos. Por aí se pode apreciar o grau de saber e o valor da opinião dos que se atribuem o direito de julgar, porque viram uma ou duas experiências, as mais das vezes por distração ou divertimento. Dirão eles com certeza que não lhes sobram lazeres para consagrarem a tais estudos todo o tempo que reclamam. Está bem; nada a isso os constrange. Mas, quem não tem tempo de aprender uma coisa não se mete a discorrer sobre ela e, ainda menos, a julgá-la, se não quiser que o acoitem de leviano. Ora, quanto mais elevada seja a posição que ocupemos na ciência, tanto menos escusável é que digamos, levianamente, de um assunto que desconhecemos. 

14. Resumimos nas proposições seguintes o que havemos expedido:

1º Todos os fenômenos espíritas têm por princípio a existência da alma, sua sobrevivência ao corpo e suas manifestações.

2º Fundando-se numa lei da Natureza, esses fenômenos nada têm de maravilhosos,nem de sobrenaturais,no sentido vulgar dessas palavras.

3º Muitos fatos são tidos por sobrenaturais, porque não se lhes conhece a causa; atribuindo-lhes uma causa, o Espiritismo os repõe no domínio dos fenômenos naturais.

4º Entre os fatos qualificados de sobrenaturais, muitos há cuja impossibilidade o Espiritismo demonstra, incluindo-os em o número das crenças supersticiosas.

5º Se bem reconheça um fundo de verdade em muitas crenças populares, o Espiritismo de modo algum dá sua solidariedade a todas as histórias fantásticas que a imaginação há criado.

6º Julgar do Espiritismo pelos fatos que ele não admite é dar prova de ignorância e tirar todo valor à opinião emitida.

7º A explicação dos fatos que o Espiritismo admite, de suas causas e consequências morais, forma toda uma ciência e toda uma filosofia, que reclamam estudo sério, perseverante e aprofundado.

8º O Espiritismo não pode considerar crítico sério, senão aquele que tudo tenha visto, estudado e aprofundado com a paciência e a perseverança de um observador consciencioso; que do assunto saiba tanto quanto qualquer adepto instruído; que haja, por conseguinte, haurido seus conhecimentos algures, que não nos romances da ciência; aquele a quem não se possa opor fato algum que lhe seja desconhecido, nenhum argumento de que já não tenha cogitado e cuja refutação faça, não por mera negação, mas por meio de outros argumentos mais peremptórios; aquele, finalmente, que possa indicar, para os fatos averiguados, causa mais lógica do que a que lhes aponta o Espiritismo. Tal crítico ainda está por aparecer. 

15. Pronunciamos há pouco a palavra milagre;uma ligeira observação sobre isso não virá fora de propósito, neste capítulo que trata do maravilhoso.

Na sua acepção primitiva e pela sua etimologia, o termo milagre significa coisa extraordinária, coisa admirável de se ver.Mas como tantas outras, essa palavra se afastou do seu sentido originário e hoje, por milagre, se entende (segundo a Academia)um ato do poder divino, contrário às leis comuns da Natureza. Tal, com efeito, a sua acepção usual e apenas por comparação e por metáfora é ela aplicada às coisas vulgares que nos surpreendem e cuja causa se desconhece. De nenhuma forma entra em nossas cogitações indagar se Deus há julgado útil, em certas circunstâncias, derrogar as leis que Ele próprio estabelecera; nosso fim é, unicamente, demonstrar que os fenômenos espíritas, por mais extraordinários que sejam, de maneira alguma derrogam essas leis, que nenhum caráter têm de miraculosos, do mesmo modo que não são maravilhosos, ou sobrenaturais. 

O milagre não se explica; os fenômenos espíritas, ao contrário, se explicam racionalissimamente. Não são, pois, milagres, mas simples efeitos, cuja razão de ser se encontra nas leis gerais. O milagre apresenta ainda outro caráter, o de ser insólito e isolado. Ora, desde que um fato se reproduz, por assim dizer, à vontade e por diversas pessoas, não pode ser um milagre.

Todos os dias a ciência opera milagres aos olhos dos ignorantes. Por isso é que, outrora, os que sabiam mais do que o vulgo passavam por feiticeiros; e, como se entendia, então, que toda ciência sobre-humana vinha do diabo, queimavam-nos. Hoje, que já estamos muito mais civilizados, eles apenas são mandados para os hospícios.

Se um homem realmente morto, como dissemos em começo, ressuscitar por intervenção divina, haverá aí verdadeiro milagre, porque isso é contrário às leis da Natureza. Se, porém, tal homem só aparentemente está morto, se ainda há nele um resto de vitalidade latente e a ciência ou uma ação magnética consegue reanimá-lo, um fenômeno natural é o que isso será para pessoas instruídas. Todavia, aos olhos do vulgo ignorante, o fato passará por milagroso, e o autor se verá perseguido a pedradas, ou venerado, conforme o caráter dos indivíduos. Solte um físico, em campo de certa natureza, um papagaio elétrico e faça, por esse meio, cair um raio sobre uma árvore e o novo Prometeu será tido certamente como senhor de um poder diabólico. E, seja dito de passagem, Prometeu nos parece, muito singularmente, ter sido um precursor de Franklin; mas, Josué, detendo o movimento do Sol, ou, antes, da Terra, esse teria operado verdadeiro milagre, porquanto não conhecemos magnetizador algum dotado de tão grande poder, para realizar tal prodígio. 

De todos os fenômenos espíritas, um dos mais extraordinários é, incontestavelmente, o da escrita direta e um dos que demonstram de modo mais patente a ação das inteligências ocultas. Mas, da circunstância de ser esse fenômeno produzido por seres ocultos, não se segue que seja mais miraculoso do que qualquer dos outros fenômenos devidos a agentes invisíveis, porque esses seres ocultos, que povoam os espaços, são uma das potências da Natureza, potências cuja ação é incessante, assim sobre o mundo material, como sobre o mundo moral.

Esclarecendo-nos com relação a essa potência, o Espiritismo nos dá a explicação de uma imensidade de coisas inexplicadas e inexplicáveis por qualquer outro meio e que, à falta de toda explicação, passaram por prodígios, nos tempos antigos. Do mesmo modo que o magnetismo, ele nos revela uma lei, se não desconhecida, pelo menos mal compreendida; ou, mais acertadamente, de uma lei que se desconhecia, embora se lhe conhecessem os efeitos, visto que estes sempre se produziram em todos os tempos, tendo a ignorância da lei gerado a superstição. Conhecida ela, desaparece o maravilhoso e os fenômenos entram na ordem das coisas naturais. Eis por que, fazendo que uma mesa se mova, ou que os mortos escrevam, os espíritas não operam maior milagre do que opera o médico que restitui à vida um moribundo, ou o físico que faz cair o raio. Aquele que pretendesse, por meio desta ciência, realizar milagres, seria ou ignorante do assunto, ou embusteiro.

16. Os fenômenos espíritas, assim como os fenômenos magnéticos, antes que se lhes conhecesse a causa, tiveram que passar por prodígios. Ora, como os sépticos, os espíritos fortes, isto é, os que gozam do privilégio exclusivo da razão e do bom-senso, não admitem que uma coisa seja possível, desde que não a compreendam, de todos os fatos considerados prodigiosos fazem objeto de suas zombarias. Pois que a religião conta grande número de fatos desse gênero, não creem na religião e daí à incredulidade absoluta o passo é curto. Explicando a maior parte deles, o Espiritismo lhes assina uma razão de ser.

17. Entre os deste gênero, devem figurar na primeira linhas as aparições, porque são as mais frequentes. A de Salette, sobre a qual divergem as opiniões no seio do próprio clero, nada tem para nós de insólita. Certamente não podemos afirmar que o fato se deu, porque não temos disso prova material; mas, consideramo-lo possível, atendendo a que conhecemos milhares de outros análogos, recentemente Vem, pois, em auxílio da religião, demonstrando a possibilidade de muitos que, por perderem o caráter de miraculosos, não deixam, contudo, de ser extraordinários, e Deus não fica sendo menor, nem menos poderoso, por não haver derrogado suas leis. De quantas graçolas não foi objeto o fato de São Cupertino se erguer nos ares! Ora, a suspensão etérea dos corpos graves é um fenômeno que a lei espírita explica. Fomos dele pessoalmente testemunha ocular,e o Sr. Home, assim como outras pessoas de nosso conhecimento, repetiram muitas vezes o fenômeno produzido por São Cupertino. Logo, este fenômeno pertence à ordem das coisas naturais ocorridos. Damos-lhes crédito não só porque lhes verificamos a realidade, como, sobretudo, porque sabemos perfeitamente de que maneira se produzem. Quem se reportar à teoria, que adiante expomos, das aparições, reconhecerá que este fenômeno se mostra tão simples e plausível, como um sem-número de fenômenos físicos, que só parecem prodigiosos por falta de uma chave que permita explicá-los. 

Quanto à personagem que se apresentou na Salette, é outra questão. Sua identidade não nos foi absolutamente demonstrada. Apenas reconhecemos que pode ter havido uma aparição; quanto ao mais, escapa à nossa competência. A esse respeito, cada um está no direito de manter suas convicções, nada tendo o Espiritismo que ver com isso. Dizemos tão-somente que os fatos que o Espiritismo produz nos revelam leis novas e nos dão a explicação de um mundo de coisas que pareciam sobrenaturais. Desde que alguns dos que passavam por miraculosos encontram, assim, explicação lógica, motivo é este bastante para que ninguém se apresse a negar o que não compreende.

Algumas pessoas contestam os fenômenos espíritas precisamente porque tais fenômenos lhes parecem estar fora da lei comum e porque não logram achar-lhes qualquer explicação. Dai-lhes uma base racional e a dúvida desaparecerá. A explicação, neste século em que ninguém se contenta com palavras, constitui, pois, poderoso motivo de convicção. Daí o vermos, todos os dias, pessoas, que nenhum fato testemunharam, que não observaram uma mesa agitar-se, ou um médium escrever, se tornarem tão convencidas quanto nós, unicamente porque leram e compreenderam. Se houvéssemos de somente acreditar no que vemos com os nossos olhos a bem pouco se reduziriam as nossas convicções.




Meu caro médium se você chegou até aqui neste longo texto, observe, que em O LIVRO DOS ESPÍRITOS, nestas duas pequenas partes que coloquei, já mostra a responsabilidade do ato que diz que prática, procure se expor menos, tendo anos ou não de prática, procure estudar, reestudar, sim, por exemplo, recebo notificações de amigos que estão fazendo pela décima vez o curso do Livro dos Espíritos de Allan Kardec, e ainda conseguem ver o que não tinham entendido antes.


Isto acontece com todos que de fato querem aprender, ser médium não é uma missão jesuíta, os casos especiais de Chico Xavier, e outros famosos que você conhece, são missões e trabalhos em tempos diferentes.


Não busque obras secundárias para entender a Doutrina Espírita, vivemos um tempo da ciência, de fatos, e não de sonhos, e maravilhoso, a base que nos orienta de forma segura, está nas obras de Allan Kardec, a partir dali faça seu norte, não como os famosos que podem até te-lo trazido a doutrina, mas, como você e praticando ESPIRITISMO de verdade, afinal, se perguntarem se você é médium, o que dirá? 


"Ah!...médium nem sempre? é hora de sair do maravilhoso, busque ajudar, sobretudo a si mesmo, e não existe outra forma, sem possuir fora o dom, o conhecimento, por menor que seja, o básico, até porque levará marcas consigo disto, ou acha que que não?



Estude, sim estude, Allan Kardec.

sexta-feira, 17 de maio de 2019

TRAÇOS PSIQUICOS NA MEDIUNIDADE - POR NUBOR ORLANDO FACURE








A mediunidade é um fenômeno em que duas entidades em planos diferentes, o físico e o espiritual, mobilizam recursos do cérebro para produzir uma série de fenômenos psíquicos. Na mediunidade de efeitos intelectuais, independente do resultado final como a psicografia e a mensagem falada, podemos observar traços de perturbações psíquicas mais ou menos percebíveis nos agentes do fenômeno.
















Na intuição ou na premonição um traço forte é a grande ansiedade, que sente um forte pressentimento sabe do que estou falando.





Ansiedade é um fenômeno psíquico que pode causar sofrimento pela expectativa sobre o futuro, vai ou não acontecer como foi previsto?.
Na mediunidade falante o médium deixa-se sobrepor pela personalidade do Espirito comunicante, um Eu que se afasta dando lugar a uma outra personalidade Isso é exatamente o que ocorre nas crises histéricas, hoje crises dissociativas.

















Na psicografia haverá frequentemente a dúvida sobre a origem do pensamento que ali será expresso.

Lembra muito bem a ambivalência, a alucinação e o delírio, não tenho a intenção de criar uma patologia da mediunidade, mas,destacar que disciplinar a mente é imperativo na fidelidade do fenômeno mediúnico.





Nubor Orlando Facure 79, é medíco, neurologista, espírita, escritor, viveu o chamado milagre de Uberaba ao lado de Chico Xavier como seu amigo e médico por 50 anos.
e-mail para contato: lfacure@uol.com.br

quarta-feira, 8 de maio de 2019

MATERNIDADE - Por Marcelo Henrique



 



A notícia de uma gravidez é quase sempre permeada por sentimentos de entusiasmo, expectativa e alegria. Instintivamente, o ser humano resgata suas experiências anteriores, da fase animal, onde, principalmente nas espécies mais adiantadas, se percebe um "instinto animal de maternidade", que os leva a "amar" e proteger a prole. Pais e Mães, assim, no sublime ato de procriar, de gerar, de multiplicar seus genes e caracteres, realizam o mister de se tornarem cocriadores, no Universo. 

A decisão de conceber uma criança nem sempre decorre de um planejamento, de uma programação consciente e detalhada, sabemos. Embora a criatura raciocine no sentido de poder ou não ter filhos (no sentido econômico, mormente), há inúmeras criaturas que são surpreendidas pelo resultado da ultrassonografia: sim, há um bebê! 







Destas, indubitavelmente, há um sem-número de seres que não possuem as mínimas condições ideais para a mantença de um rebento. Mas, conhecendo a situação de que em seu ventre já habita o pequenino germe da vida, muitos passam a reunir esforços para dar-lhe as mínimas e dignas condições de subsistência. 

Os setores públicos de saúde, neste aspecto, fornecem informações acerca de cuidados, hábitos, higiene e alimentação, fundamentais para a conservação daquele pequeno ser já gerado. 




Todavia, a parte mais importante neste processo cabe à mãe. Ela sente o pulsar de uma nova vida dentro de si e, conscientemente ou não, trava diálogos e intercâmbio com o nascituro, lhe sente as aspirações, conhece-lhe os desejos, atende-lhe em suas necessidades. Basta acompanhar, de perto, uma gravidez para saber e constatar isto... 

Os nove meses de uma gestação (nem sempre nove, é claro), de modo geral são constituídos de um intercâmbio psíquico muito forte entre a genitora e o nascituro. Os autores espirituais falam, inclusive, em diálogos prévios à gravidez, principalmente entre o Espírito dos futuros filho e mãe, buscando um ajuste para oportunizar a reencarnação. Isto, inclusive, levando-se em conta as possíveis animosidades que existam entre um e outra, egressas de vivências passadas, que terão, nesta singular oportunidade, a chance para a reconciliação, graças ao esquecimento do passado. 

O certo é que a imensa maioria das mães são os exemplos nítidos do verdadeiro amor, tanto que os poetas e músicos a reverenciam, sempre, como sendo elas “a representação do verdadeiro, do puro amor”. 

Para uma mãe, o filho sempre será seu filho, independentemente do que fizer ou disser. Se, porventura, palmilhar o caminho da criminalidade e, julgado, for confinado a uma prisão, lá estará ela, preocupando-se com ele, visitando-o e bem-querendo-o, sempre. Se, movido por sentimentos e raciocínios pessoais, desaparecer nas estradas, sumir de vista, não dando mais notícias, lá estará ela, ao pé do telefone, à espera do carteiro, ansiosa por, um dia, falar com o filho, ou, pelo menos, saber algo a seu respeito. 






Mães perdoam, até, a chamada ingratidão dos filhos, que não sabem reconhecer a singularidade da atenção a eles dirigida, em todos os principais momentos da vida. Ante o berço ou a cama, quando ardia em febre, no dia das provas ou entrevistas de emprego, na formatura, ao sair para seus encontros amorosos, sempre estava ela a proteger-lhe, desejar-lhe êxito, orando e bendizendo seus passos. 





Muitas mães, hoje, suportam a internação em asilos ou casas de idosos, aceitando resignadamente que os filhos “não tenham tempo” para cuidar delas, em face das doenças ou imobilidades da velhice. E esperam o dia da visita, mesmo que este não chegue nunca... 

A maternidade é, assim, um convite ao exercício do bem. Tomara nós que lemos estas linhas conservemos este Espírito, tanto ao tratarmos nossas mães, nos diversos momentos da penosa existência, como, no caso das mulheres, quando chegar a hora de gerar e parir mais um rebento, a prova material da misericórdia divina, que concede a mais um Espírito a sublime oportunidade de regresso à vida corporal, para novos ajustes e experiências. 

Sem a mãe, isto nunca seria possível! 




Marcelo Henrique, é advogado, espírita, palestrante, um dos maiores divulgadores da Doutrina Espírita em Santa Catarina e no Brasil, escritor, e colabora com este blog.