sábado, 12 de fevereiro de 2022

A NEUROLOGIA DA CONSCIÊNCIA - POR NUBOR ORLANDO FACURE




Neurologicamente a Consciência exige uma identidade, a integralidade do EU, quem está consciente sou EU, não é meu cérebro, nem meu corpo, ela é uma função física e psíquica.

Na falta de um termo melhor preciso dizer que a consciência exige alguns "agregados" especiais, como a atenção e a memória.

Sem essas duas funções podemos confirmar que o indivíduo está consciente, mas, com uma consciência "sem conteúdo".

Estar inteiramente consciente significa estar desperto, acordado, atento, respondendo a estímulos, interagindo com o meio ambiente e percebendo fenômenos no meu corpo.

É a consciência que sabe onde dói e onde tenho uma pedra no sapato, uma dificuldade.








Por outro lado, podemos dizer que, ter consciência, significa estar focado para perceber o que ocorre dentro e fora de nós, é tomar conhecimento de um sintoma, de um fato, de um acontecimento, de um objeto ou do meio ambiente onde estou inserido .

Todo esse processo ocorre no cérebro que necessita ativar múltiplas áreas, a chave de abertura da consciência está nos pequenos neurônios da substância reticular ativadora do tronco cerebral que nos mantém em estado de alerta projetando suas inferências para todo o córtex cerebral.

Uma motivação mais ou menos forte, acrescenta, psiquicamente, o conteúdo emocional para qualquer episódio ou momento percebido por nós, cada um desses momentos serão memorizados e, podem, de uma hora para outra, aflorar de novo na consciência com o mesmo vigor emocional de antes.

"Recordar é viver outra vez"

É estar no passado como se fosse presente.








Nossa consciência, enquanto fenômeno neurológico, tem uma limitação tanto espacial, quanto temporal

Só podemos estar consciente no aqui e no agora, por isso trazemos o passado e o futuro para o hoje quando quisermos tomar consciência deles.

A consciência, como função mental, necessita de um corpo para se manifestar, entenderam ?




Podemos deixar nossas memórias num livro, numa tela, numa estátua e até mesmo num perfume ou num abraço de despedida, mas, a consciência não sai de mim, não ocorre sem mim.

Estará onde eu estiver.

Pessoalmente, defendo a existência de um Corpo Mental, entendendo que está nele a fonte que ilumina o cenário que deve nos afetar - ele determina onde projetar os recursos da atenção e que emoção cada coisa ou acontecimento vai nos provocar, abrindo o campo da consciência, a ciência ainda evoluindo, a doutrina poderia dizer corpo mental, perispírito?









É o corpo mental que transporta para a consciência as sensações que nos permite reconhecer um objeto

Isso nos possibilita tomar posse dele, apropria-se das propriedades desse objeto e dos fatos a ele relacionados, mobilizando nosso estoque de memórias.

Ao vermos um relógio o corpo mental toma conhecimento da sua forma, das horas que marca, das suas propriedades e por quais mãos e lugares ele já passou, não há limitações nem no espaço nem no tempo para a consciência no corpo mental.

Experiências com a hipnose confirmam que, podemos viver um estado pleno de consciência num ambiente distante ou num outro tempo vivenciado anteriormente, Por efeito da sugestão, somos "projetados" experimentalmente.

O corpo mental é o veículo que permite a consciência estar lá, o transe sonambúlico natural ou espontâneo, favorece a emancipação do corpo mental comprovando que a consciência se projeta no tempo e no espaço para um ambiente fora do cérebro.




O sujeito pode reviver um acontecimento que ocorreu no passado ou descrever o cenário e os personagens num ambiente distante.

Existem memórias extra-cerebral porque a consciência "navega" em outras dimensões revestida desse corpo mental, como expliquei.






Nas lições da doutrina espírita é o Perispírito que exerce essa interligação entre o corpo físico e a Alma, ou seja o é preciso aceitar o entendimento de CORPO MENTAL.







Nubor Orlando Facure, 82, médico, espírita, escritor, amigo pessoal de Chico Xavier e também um dos médicos do famoso médium, viveu o milagre de Uberaba durante 50 anos, esteve em comunicações de espíritos famosos como André Luiz, e Emannuel, via Chico Xavier, Nubor, foi o primeiro médico, quando diretor da Unicamp, a falar de Espiritismo, em uma platéia de médicos formados e em formação, é diretor presidente do Instituto do Cérebro em Campinas, nos concede sua colaboração a este blog desde 2011, recebe e-mail sobre o tema, no lfacure@uol.com.br.


NOTA DO EDITOR, As imagens aqui utilizadas, são meramente ilustrativas e ligada ao tema, escolhidas pelo editor do blog, David Chinaglia .

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