segunda-feira, 23 de outubro de 2017

A VESTE NO GUARDA-ROUPA - POR RICHARD SIMONETTI




As cenas mais fortes dos filmes de horror, aquelas “de arrepiar”, mostram, geralmente, urnas funerárias e cadáveres.
Os cineastas que exploram o medo mórbido e atávico da criatura humana em relação à morte, para atender os que cultivam o insólito prazer de levar sustos, ver-se-ão na contingência de escolher outros temas, à medida que compreendermos que o caixão fúnebre é apenas uma caixa de madeira forrada de pano e que o cadáver nada mais é que a vestimenta carnal de alguém que, após o estágio terrestre, regressou ao mundo de origem − o Plano Espiritual.
Seria ridículo sentir arrepios ao contemplar um guarda-roupa ou, dentro dele, o traje de um familiar ausente.
No entanto, é exatamente isso que ocorre com muita gente em relação à morte.
Conhecemos pessoas que, sistematicamente, recusam-se comparecer a velórios, refratárias a contatos com caixões e defuntos, mesmo quando se trate de familiares, dominadas por indefiníveis temores.
Provavelmente têm traumas relacionados com ocorrências trágicas no pretérito.
Para a grande maioria, entretanto, o problema tem origem na forma inadequada de encarar a grande transição, principalmente por um defeito de formação na idade infantil.
Lembro-me de que nos meus verdes anos, várias vezes fui levado a beijar familiares mortos, o que fazia com constrangimento, avesso ao contato de meus lábios com a face fria, descorada e rígida de alguém que eu conhecera pleno de vida, com quem convivera e que agora se quedava, inerte, solene, sombrio...
E me deixava contagiar pelas lágrimas de desespero e doridas lamentações dos menos comedidos, sedimentando em minha cabeça a ideia de que a morte é algo de terrível e apavorante, uma infeliz imagem que somente na idade adulta, com o conhecimento espírita, consegui superar.
É preciso muito cuidado com as crianças, habituando-as à concepção de que somos seres espirituais imortais, usando uma veste de carne que um dia deixaremos, assim como se abandona um traje desgastado, após determinado tempo de uso.
É dessa forma que o corpo sem vida deve ser mostrado à criança, quando se disponha a vê-lo, explicando-lhe, em imagens singelas, de acordo com seu entendimento, que o vovô, a titia, o papai ou qualquer familiar desencarnado, foi morar em outro lugar, onde terá roupa nova e bem melhor.
Igualmente importante é o exemplo de serenidade e equilíbrio dos adultos, oferecendo aos pequenos uma visão mais adequada da morte, situando-a como a separação transitória de alguém que não morreu.
Apenas partiu.

                                         ***

         Richard Simonetti responde a perguntas, com som e imagem, pela www.radioceac.com.br às 6as. feiras, das 15 às 16,30


Richard Simonetti, 81, espírita, escritor, dirigente espírita, palestrante, um dos maiores divulgadores da Doutrina Espírita no Brasil,de acordo com a codificação de Allan Kardec, tem canais no You Tube, em Facebook, e colabora com este blog semanalmente. 


terça-feira, 17 de outubro de 2017

REVISTA ESPÍRITA, EDIÇÃO DE JULHO DE 1858 - ALLAN KARDEC


DISSERTAÇÃO MORAL DITADA PELO ESPÍRITO DE SÃO LUÍS AO SR. D... 


São Luís nos havia prometido uma dissertação sobre a inveja, para uma das sessões da Sociedade. O Sr. D..., que começava a desenvolver a mediunidade e que ainda duvidava um pouco, não da doutrina, da qual é um dos mais fervorosos adeptos, compreendendo-a na sua essência, isto é, do ponto de vista moral, mas da faculdade que se lhe revelava, evocou São Luís em particular e lhe dirigiu a seguinte pergunta:

─ Poderíeis dissipar minhas dúvidas, minha inquietação, relativamente à minha faculdade mediúnica, escrevendo por meu intermédio a dissertação que prometestes à Sociedade para terça-feira 1º de junho?

─ Sim. Fá-lo-ei de bom grado, para te tranquilizar.

Então foi ditado o trecho adiante. Salientamos que o Sr. D... se dirigia a São Luís com o coração puro e sincero, sem segundas intenções, condição indispensável a toda boa comunicação. Não era uma prova que fazia. Apenas duvidava de si mesmo e Deus permitiu que fosse atendido, para lhe dar meios de tornar-se útil. Hoje, o Sr. D... é um dos médiuns mais completos, não só pela grande facilidade de atuação, como por sua aptidão em servir de intérprete a todos os Espíritos, mesmo os das mais elevadas categorias, os quais por seu intermédio se exprimem facilmente e de boa vontade.

São essas, sobretudo, as qualidades que devemos procurar nos médiuns e que podem sempre ser adquiridas com paciência, vontade e exercício. O Sr. D... não necessitou de muita paciência; dispunha da vontade e do fervor, aliados à aptidão natural. Poucos dias bastaram para levar sua faculdade ao mais alto grau. Eis o ditado que recebeu sobre a inveja:

“Vede este homem. Seu Espírito está inquieto, sua infelicidade terrena chega ao auge: inveja o ouro, o luxo, a felicidade aparente ou fictícia de seus semelhantes; seu coração está devastado, sua alma surdamente consumida por essa luta incessante do orgulho, da vaidade não satisfeita. Ele carrega consigo, em todos os instantes de sua miserável existência, uma serpente que alimenta e que lhe sugere incessantemente os mais fatais pensamentos: “Terei essa volúpia, essa felicidade? Tenho tanto direito a isto quanto aqueles; sou um homem como eles, por que seria eu deserdado?”

Ele se debate na sua impotência, vítima do horrível suplício da inveja, feliz ainda se essas ideias funestas não o levam às bordas de um abismo. Entrando nessa via, a si mesmo pergunta se não deve obter pela violência aquilo que julga ser-lhe devido; se não irá expor aos olhos de todos o terrível mal que o devora. Se esse infeliz tivesse olhado somente para baixo de sua posição, teria visto a quantidade daqueles que sofrem sem um lamento e ainda bendizem o Criador, porque a desgraça é um benefício de que Deus se serve para fazer a pobre criatura avançar até o seu trono eterno.

Fazei das obras de caridade e de submissão, as únicas que vos podem dar entrada no seio de Deus, a vossa felicidade e o vosso verdadeiro tesouro na Terra. Essas obras no bem farão a vossa alegria e a vossa felicidade eternas. A inveja é uma das mais feias e tristes misérias do vosso globo. A caridade e a constante emissão da fé extirparão todos esses males, que desaparecerão, um a um, à medida que se multiplicarem os homens de boa vontade que virão depois de vós. Amém.”


Allan Kardec editou a revista espírita, outra grande obra da sua divulgação, com vários ensinamentos, e passagens alguns que constam de seus livros outros que deveriam ser estudados em centros espíritas do Brasil, pois até hoje aqui, foram ignoradas em sua maior parte, destas páginas podemos tirar ensinamentos preciosos mesmo em 2017.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

BÊNÇÃOS E MALDIÇÕES - POR RICHARD SIMONETTI





O ato de abençoar implica em desejar o bem de alguém.
Assim como a oração, o alcance da bênção depende de nosso envolvimento com ela, dos sentimentos que mobilizamos.
O pai que, displicentemente, abençoa o filho que vai dormir, sem desviar a atenção do programa de televisão, não vai além das palavras.

Já a mãe diligente, que leva a criança ao leito, conversa com ela, conta-lhe uma história e a beija carinhosamente, põe a própria alma ao abençoá-la, envolvendo-a em poderosas vibrações de amor, com salutar repercussão em seu sono.
Ao contrário da bênção, amaldiçoar é desejar o mal de alguém.
Que vajas bien, que te pise el tren.

O fato de desejarmos que uma pessoa seja atropelada por um trem, como sugere este chistoso ditado espanhol, não implicará, evidentemente, nesse funesto acontecimento. Não possuímos poderes para tanto, nem Deus o permitiria. Mas podemos perturbar nosso desafeto.

A maldição é um pensamento contundente, revestido de carga magnética deletéria, passível de provocar reações adversas no destinatário – nervosismo, tensão, irritabilidade, mal-estar…
Se, porém, o amaldiçoado é uma pessoa bem ajustada, moral ilibada, ideias positivas, sentimentos nobres, nada lhe acontecerá. Simplesmente não haverá receptividade para nossa vibração maldosa.

O mesmo ocorre em relação ao ato de abençoar. Os pais desejam muitas bênçãos para seus filhos. Que sigam caminhos retos; que sejam aprendizes aplicados; que se realizem profissionalmente; que cultivem moral elevado; que sejam felizes...

Ainda que se situem por poderosos estímulos, suas bênçãos pouco representarão se os filhos preferirem caminhos diferentes.
Nem por isso devem deixar de abençoá-los. Suas bênçãos inibirão os impulsos mais desajustados dos filhos, trabalharão suas consciências adormecidas e acabarão por despertar neles  impulsos de renovação, quando a vida lhes impuser suas amargas lições.

Bênçãos e maldições são como bumerangues, aqueles brinquedos australianos, em forma de arco, que retornam às nossas mãos quando os atiramos.
Se amaldiçoarmos alguém, odientos, o mal que lhe desejamos voltará, invariavelmente, para nós, precipitando-nos em perturbações e desequilíbrios. Somos vitimados por nosso próprio veneno.
Em contrapartida, aquele que abençoa alimenta-se de bênçãos, neutralizando até mesmo vibrações negativas de eventuais desafetos da Terra ou do além.
Jesus conhecia como ninguém esses princípios. Por isso, antecipando que os discípulos enfrentariam muitas hostilidades na difusão do Evangelho, recomendava-lhes:

“Quando entrardes numa casa, dizei:
A paz esteja neste lar.

Se, com efeito, a casa for digna, venha sobre ela a vossa paz; se, porém, não o for, torne para vós outros a vossa paz."
Temos aqui preciosa orientação. Observando-a, ainda que, onde formos, as pessoas estejam pouco dispostas a entronizar a paz, ela não se ausentará de nosso coração.

Nem sempre os beneficiários de nossas iniciativas, quando cultuamos a vocação de servir, mostram-se reconhecidos.
Que isso jamais nos iniba. O ato de servir tem suas próprias compensações. Exercitando-o, a distribuir bênçãos de auxílio, habilitamo-nos às bênçãos de Deus.


Richard Simonetti, 81, espírita, escritor, há mais de 60 anos divulgando a doutrina espírita no Brasil e no Mundo, é colaborador deste blog.


quarta-feira, 20 de setembro de 2017

O CENTRO ESPÍRITA QUE FREQUENTO MUDOU! O QUE FAÇO? - Por David Chinaglia








Por um período tenho escrito na internet casos, e exemplos da doutrina espírita, além de divulgar os verdadeiros ensinamentos de Allan Kardec o codificador desta doutrina.

Conheço vários centros Brasil a fora, de uma época que viajei muito, e por mais que os mares fossem bravios, jamais deixei de estar onde se falasse do Espiritismo.
Dentre as milhares de pessoas que conheço que me escrevem do Brasil, recebo sempre de algum lugar a observação, e o comentário clássico, "o meu centro mudou, o que faço?".

Há muitos anos um dirigente que muito me ensinou nesta doutrina, que vamos chamar de senhor "P", dizia que como é possível alguém falar que o centro mudou? o que aquelas pessoas que falavam isto pensavam da casa espírita, o que elas iam buscar? divertimento? recolocação social? privilégios? e sempre alertava sobre o fato, que quem muda somos nós.

Claro ele podia e devia ter razão, afinal dedica mais de 42 anos ao Espiritismo em sua cidade, conheceu fatos, foi testemunha das coisas mais estranhas que poderia relatar aos senhores e as senhoras que estão a nos ler.
Algumas delas muitos que conhecessem aqui sairiam correndo do computador ou do celular, por se tratar da verdade desta doutrina que poucos sabem.
Porém concordo com senhor P, e aqui repito a você minha amiga e você meu amigo, será que foi a casa espírita que mudou ou foi você?

Quanto mais frequentamos uma casa, mais amizades fazemos, tudo tem um ciclo, algumas pessoas ficam outras saem, e o convívio social não pode ditar o "meu centro espírita".
Agora o que fomos buscar lá? socorro? aprendizado, entendimento? 

De fato temos que questionar, o que a casa nos ensina, não só no que nos ajuda, afinal carrego comigo alguns ensinamentos que o centro espírita, não pode ser visto somente como pronto socorro, que de fato é,mas sobre tudo como escola.

Quando alguém nos fala, de um centro, de um aprendizado que teve, e nos indica, está dando a indicação de um lugar que o ajudou, que ensinou, mas lembre-se, só centro espírita, não ajuda ninguém.

Precisamos ter atitudes conosco mesmo.
Quem ajuda os dirigentes doutrinários ou trabalhadores, é você mesmo, sua vontade de mudar, primeiro passo importante para que as coisas se ajustem em sua vida.
Não deve delegar a centro nenhum, a dirigente nenhum por melhor que ele seja, a função de gestar sua vida dentro do planeta terra ela é sua.
Nos momentos tensos a casa espírita está lá, para socorrer, para ensinar, porém não é um clube social, embora no Brasil, exista comandos que fazem da casa um centro de solução, e quando deixam de faze-lo, se tornam ruins.

O que mudou o bate papo? a amiga ou amigo da sala de livros, o conteúdo das palestras? o passe? ou as pessoas que geralmente lhe agradavam e hoje ou mudaram de centro ou vão bem menos, o que mudou?

Teoricamente uma casa tem um agrupamento de espíritos que nela trabalham, ensinam e ajudam, porém é preciso que você faça correções em seus pensamentos, se está num mesmo centro, há dois,três, quatro anos, você mudou, não é a mesma pessoa que chegou lá sem ar quase para respirar, sem norte, então não julgue, auxilie.
Sim, eu particularmente já vi muitas casas mudarem, o comando, a diretoria, a filosofia no entanto não pode mudar porque não é do dirigente A ou B, é da codificação, e tudo que não for, não estiver dentro do que Allan Kardec codificou, pode não ser espiritismo.

A Casa Espírita no Brasil tem ganho a vertente perigosa de extensão da igreja, tem gente que vai a casa espírita, mas continua, praticando atos pertinentes a uma religião, tipo Católica, ou Evangélica.
A Doutrina Espírita no Brasil mudou a sua origem principal, isto ocorre porque o Brasileiro em especial, tem o hábito de não crer nas bruxas, mas que elas existem, existem.

E lá se vão vários conceitos, porque certamente uma pergunta me feita pelo senhor P cabe aos senhores e senhoras neste momento: "Em que canoa quer chegar ao plano espiritual?"
Muitos de nós usando o vernacúlo popular usa duas canoas, a chamada "milagrosa" do Espiritismo, e a tradicional da Igreja, seja ela qual for.
O que precisamos parar é de achar que o centro espírita é responsável pela nossa vida social, cansei de ver em São Vicente, em Santos, afirmações do tipo, a dirigente G trata melhor ao atendido A,B,C, o que não deve ocorrer.

Certamente como a vida não pode ser vivida somente dentro do centro espírita existem entre alguns dirigentes amigos da vida social do dia á dia que lá frequentam, mas rigorosamente, o bom dirigente ou atendente o trata igualmente no que se diz, ensinamentos, mas, no relacionamento não pode ser igual ao de um amigo ou amiga de muitos anos, e isto confunde o frequentador, chamado de assistido.

Temos que policiar nossos pensamentos, aprendi com meus professores a toda vez que detectei algo errado procurar o comando, e relatar minhas dúvidas.
Como exemplo, eu passei a ir menos num determinado centro espírita, por não concordar com um dosm palestrantes semanal da casa, que proferiu ensinamentos totalmente errados ao meu ver que estudei a doutrina mais a fundo, com o que codificou Allan Kardec, isto mudou sim a minha vida em relação a esta casa, no entanto, depois de refletir mantive minhas visitas embora menores do que outrora.
O palestrante em questão fez afirmações em cima da obra Nosso Lar, que foram equivocadas, assim como o teor da obra em sua primeira edição e este é um assunto para outro dia, pois se trata de um entendimento que todos não possuem.
Deixei de frequentar a casa, até pelo apoio que vi que o tema teve, e por ver que Kardec, embora a obra fosse citada, as vezes era esquecido, em detrimento de outro formador de idéias, que não teve o mesmo conhecimento e estudo para regrar, ou codificar nada, foi apenas um professor como milhares vemos dentro da doutrina.
Claro que Kardec não é o fundador do Espiritismo, ele existe desde que o planeta foi escolhido pelos nossos líderes espirituais, hoje perdidos no conceito da maioria pelo conceito de Deus que é muito particular.

Então meu amigo e minha amiga, sua casa espírita pode ter mudado, mas, antes de fazer fofocas no Facebook, escrever a outros frequentadores, falar o que não deve procure o comando da casa, e com a mesma facilidade que opina em redes e e-mails fale com eles, pergunte, questione, é seu direito como aprendiz da doutrina espírita.

A casa espírita pode fazer coisas erradas? pode e muitas fazem, porém não nos cabe discordar, ou ajudamos procurando o comando como eu fiz no meu caso, e optamos por nos afastar se nada for feito, ou não propagamos coisas que podem mudar vidas.

Imagine por exemplo uma pessoa fadada a morte, que chegue pela primeira vez num centro, e ouça falar, ou você comentar com amigos: "a casa mudou, antes era melhor, hoje nem tanto", e esta pessoa parta sem buscar ajuda, você vai se responsabilizar? Vai assumir isto?

Por mais problemas que possa ter um comando local, sempre existem espíritos e médiuns, e aprendizes da doutrina que ajudam a resolver rotas mal traçadas, se houverem.
Não podemos julgar, temos que ajudar, criticar por criticar, vamos cair na vala comum, daqueles que criticam e nada fazem para mudar.

Somos todos pessoas diferentes umas das outras, com pensar, com cultura, educação, crenças diferentes, porém não podemos nem devemos mudar rotas de fé e aprendizado, devemos corrigir se estiver em nossa capacidade, e ajudar aqueles que se propuseram a comandar a corrigir se algo tiver errado de fato, doutrinariamente.





Porque o foco Doutrinário de uma casa, não pode sair do que nos ensina Allan Kardec em suas obras chamadas da codificação, se estiver fora, já não é mais espiritismo.
Então medite sobre o que falar e com quem falar sobre mudanças em sua casa espírita, e lembre se tudo estiver errado, e você estiver certo, a decisão de trocar de casa é sua, já que estamos aqui numa escola de aprendizado, que é a vida, e isto temos em vários lugares da cidade e do Estado e do País, ninguém nasceu preso ao centro A, B, etc.

Lembre-se também CENTRO ESPÍRITA NÃO É IGREJA, dirigente seja homem ou mulher não é padre e não tem poderes sobrenaturais, alguns sabem o tanto quanto você, já vi médiuns que nunca estudaram a obra básica o Livro dos Médiuns, está errado, mas aqui, se vive na casa espírita, á moda da casa, então, pondere.

Esta doutrina sobrevive porque até hoje sua base doutrinária não foi desmentida pela ciência, atacada sempre foi e será por todas as igrejas, que hoje mais disputam o "mercado de fiéis" do que querem de fato ensinar as pessoas, que na vida tudo acontece para nosso aprendizado, nosso entendimento sobre a regra do planta e colherás, e da Ação e reação.

Lembre o escândalo é necessário, mas aí daquele que o praticar, sendo assim cuida de ti, procura teu dirigente e outros que comandam a casa que você diz que mudou, se nada for feito, mude você na livre opção de ir e vir, e leve contigo o melhor que lá aprendeu, afinal nada é por acaso. 



David Chinaglia,59, é espírita, palestrante,radialista, divulgador do Espiritismo,  seguidor da Doutrina Espírita de acordo á codificação de Allan Kardec, editor deste blog e colabora com suas experiências vividas ao longo de 35 anos dentro do espiritismo.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

VIDA ETERNA NA TERRA - Por David Chinaglia







Em tempos modernos, vemos a vida, Deus, a vida após a vida, que o nosso Espiritismo tão bem explica, como a única possibilidade lógica de entendimento  de quem somos e de onde viemos e para onde iremos, após o fim das atividades do corpo humano.

A morte é realmente o grande desafio á mente do ser humano, a suas crenças, e por pesquisas em todo o Mundo seja espírita,católico,evangélico, ou mesmo ateu, 77% das pessoas pesquisadas temem á morte física do corpo, 33% dos pesquisados pensam diariamente de que forma ela irá ocorrer.
No entanto, existem aqueles que investem, estudam, e querem prolongar a vida por tempo indeterminado.




E assim o senhor da foto acima, Peter Thiel é um dos bilionários do nosso mundo atual, é dono de 51% da maior empresa do setor de criogenia humana, a ALCOR, que mais investe para a "cura da morte."


Você sabe o que é CRIOGENIA ?


A criogenia é um ramo da físico-química que estuda tecnologias para a produção de temperaturas muito baixas (abaixo de −150°C, de −238°F ou de 123 K), principalmente até à temperatura de ebulição do nitrogénio líquido ou ainda mais baixas, a criobiologia, que é o estudo de baixas temperaturas em organismos.


Para que servem além de de uso em foguetes e equipamentos técnicos?


Servem para é a preservação a baixas temperaturas de humanos ou mamíferos com o objectivo de serem reanimados no futuro.
Nos Estados Unidos já temos cerca de 5 mil pessoas mortas, totalmente congeladas, de forma segura, com um custo anual que gira em até 50 mil dólares, cerca de 154 mil reais ano,para preservar o corpo assim que a medicina encontre a cura para a morte do corpo humano ocorrida por causas naturais.


Criopreservação é a tecnologia através da qual células, tecidos ou embriões são preservados pelo arrefecimento a temperaturas abaixo do ponto de congelação da água.
Alguns setores privados, e até mesmo os governos Americano e Russo, possuem estudos, e ações para trazer a vida novamente corpos de humanos que morreram sem entender o processo espiritual do corpo humano, sem acreditar em Deus, e alguns até possuíam crença religiosa, mais ligados a igreja Católica ou Evangélica, mas de um enorme apego a vida.









Neste momento, paramos e fazemos uma reflexão, isto será de fato possível? chegaremos ao ponto de trazer de volta a vida, pessoas tecnicamente mortas?
Claro que ainda não, no entanto o avanço da medicina poderá fazer isto ocorrer em alguns anos, hoje apenas os corpos são mantidos vivos por esta técnica acima relatada, a questão espiritual vai além.
Nas histórias mais recentes do cinema vimos um filme de um soldado que foi experimento das forças armadas Americanas, que volta a vida 50 anos depois, e o filme me ajuda agora a concluir o texto.


Imagine meu caro leitor, você acordando da morte daqui a uns 80 anos que tal? parece legal não é? Rico, poderoso, terá vencido o mais cruel dos adversários ao longo da história da humanidade, a morte física, agora, pare e pense, como diria a professorinha.


Sua mente será de 2017, no auge de sua capacidade, o que você fará num Mundo de 2097, quem será você com valores, estudos, conhecimentos com atraso de 80 anos, é como imaginar algo além da normalidade e você será um velho, tentando aprender coisas que deixou de faze-lo sem uma das principais tecnicas do ser humano, que é a experiência.

O ato de viver, de reconhecer, de repito aprender sempre, sim, pois vai acordar, e tudo estará pronto, e teoricamente você também, mas, no Mundo a frente, você não terá tido a oportunidade do aprendizado, o direito ao erro, ao acerto, vos será dado um conhecimento, e neste momento, você ficará muito perturbado, pois seus amigos, filhos, parentes, a sociedade como um todo será outra, e você será um super velho, num mundo novo, que fora a curiosidade não servirá para nada.
Sempre lembro de Kardec, na questão de nossos pensamentos, e neste texto mais uma vez o codificador, é por mim lembrado.





Aliás 
 como escreve sempre Richard Simonetti, estamos aqui no planeta para viver nossa experiência de vida, nossa oportunidade de conhecimento, nossa luta pessoal de aprendizado e de reformas, não podemos estar aqui para sempre, ou por 200 anos.



Se analisarmos o que ensina Allan Kardec, iríamos num traçado paralelo, não ter mais a oportunidade de reencarnar, afinal quem não morre não renasce, e mais imagine você com 200 anos, seria muito chato ou não?
O ser humano ainda possue segredos a serem desvendados, um deles, é como este cérebro maravilhoso se desenvolveu, e chegou a ponto de tanta criação.
Estamos num patamar muito avançado, embora estejamos mais de 600 anos atrasados em nossa evolução pelo tempo que perdemos, com guerras, doenças, e nossa prisão ao desejo material, e pela carne.


Pessoalmente nem conheço o senhor Peter, ele deve ser um gênio, mas, se analisarmos sua busca pela vida eterna no planeta Terra, com a mesma encarnação é pensar na vida, sem a real chance de evolução, sim, pois somos limitados, e somente a experiência vivida, pode nos dar evolução.


Em tese fomos expulsos de uma civilização adiantada, por sermos rebeldes, aqui estamos em corpos imperfeitos, e limitados, para que possamos adquirir conhecimento, para que um sistema funcione, a vida continua além da vida, no plano espiritual, assim testemunharam os grandes estudantes, codificadores desta doutrina e de outras que acreditam na vida após a morte, perpetuar a vida na Terra seria a destruição desta idéia, deste sistema.
Diria até que seria a vitória do mal, contra o bem, afinal, este sistema que temos é justo para todos, Jesus disse a cada qual pelo seu merecimento.
Precisamos melhorar nossos pensamentos e educar mais nosso querido e amado cérebro.






Penso que ao invés de pensarmos tanto na "morte", deveríamos pensar mais na vida, nas oportunidades que o sistema espiritual nos dá de aprendizado, de entendimento.
Não posso confirmar que estamos aqui como expulsos de um sistema perfeito, consigo pensar que somos experiências em evolução, espíritos, que precisam entender e se separar do apego a matéria, ao poder, e não estamos aqui para brincar de Deus, ou para nos dar uma permanência eterna, pois isto acabaria com o grande segredo, que é a evolução, que é a renovação da humanidade.


O que precisamos pensar e concentrar nossas forças é melhorar, nossa moral, nosso caráter, nossos pensamentos, aprender a usar mais nosso cérebro, nosso poder de criação para darmos pelos atuais médios 83 anos(nova idade média do ser humano), anos de bom aprendizado.


A evolução de uma raça não está na centralização do poder, nem tão pouco na sua redução por capacidade financeira, está na sua humanidade, na sua caridade, na sua capacidade de amar a si e ao próximo, no prazer de ensinar, de aprender.
Claro de termos o prazer de de irmos ao encontro daqueles que já foram, e se for de nosso merecimento aqui retornar para aprendermos mais e mais, já que não temos vida superior no passado.


Aos olhos do Espiritismo, esta é sua melhor encarnação, não fique se olhando em Reis e princesas, fique olhando que esta é a sua melhor, então imagine o que já foi de ruim e tenha o prazer de se olhar no espelho.
Tenha o prazer dever sua evolução por si mesmo, valorize agora vossa vida, agradeça, se estiver com dificuldades visite, asilos, hospitais, se emocione com as dores alheias, reze mais pelo seu País e pelo Mundo, faça mais a sua parte.


Bezerra de Menezes, escreveu que quando o orgulho e a vaidade estiverem fora do meio do ser humano, neste planeta, teremos evoluído e este não será mais um planeta de expiação, de sofrimento, e sim de evolução.

Temos que nos ajudar como civilização, a sermos melhores, e não eternos, eternos meus amigos vou lhes contar um segredo, já somos, pois não somos a carne que vemos no espelho, somos espíritos, vivendo uma experiência muito além da imaginação, e espíritos não morrem, evoluem, naturalmente, então meu caro imortal, esqueça este sonho de manter este corpinho atual por 400 anos, viva bem a sua vida, e mais se torne inesquecível, para aqueles que tiveram o prazer em conhece-lo.

Ah! sim, seja feliz, viva feliz, e tenha o prazer de morrer, para poder renascer, tantas vezes estimado leitor, for necessário.



David Chinaglia, 59, é espírita, escritor, editor deste blog desde 2011, segue a codificação da doutrina de acordo os ensinamentos de Allan Kardec, e colabora mensalmente nas páginas do blog.




segunda-feira, 24 de julho de 2017

EM FAVOR DA FELICIDADE - por Richard Simonetti



                                  
                                      richardsimonetti@uol.com.br  


         Os felizes são mais queridos pelos outros e tendem a ser mais tolerantes e criativos.
         Esta observação é do psicólogo americano Martin Steligman, da Universidade da Pensilvânia. Pesquisando sobre o assunto há décadas, concluiu que a felicidade é o somatório de três coisas diferentes: prazer, engajamento e significado.
         Suas conclusões aproximam-se das ideias espíritas. Oportuno, portanto, nos determos nesses três pilares que ele propõe.
         
Prazer. É aquela sensação agradável que experimentamos quando ouvimos uma boa música, uma anedota engraçada, lemos um livro envolvente, assistimos a uma comédia no cinema, teatro ou televisão; quando temos uma boa conversa com um amigo, quando namoramos ou comemos chocolate, este manjar dos deuses.
         Steligman considera que o grande erro da sociedade contemporânea é concentrar a busca de felicidade apenas nesse pilar. Tem razão. As pessoas acabam confundindo prazer com felicidade, resvalando para vícios e excessos que apenas complicam a existência, como o cigarro, o álcool, as drogas, a glutonaria, a promiscuidade sexual, que proporcionam muitos prazeres em princípio, problemas e dores depois. Vale lembrar o poema do poeta alemão Friedrich Rückert (1788-1866):
         O coração tem dois quartos:
         Moram ali, sem se ver,
         Num a Dor, noutro o Prazer.

         Quando o Prazer no seu quarto
         Acorda, cheio de ardor,
         No outro quarto adormece a Dor…

         Cuidado, Prazer! Cautela,
         Canta e ri mais devagar…
         Não vá a Dor acordar…
        
         Interessante seria considerar a observação de Camilo Castelo Branco, o grande escritor português:  O prazer de uma boa ação é o único prazer sem mistura de dor.
         A propósito, diz Silas, no livro Ação e Reação, de André Luiz, psicografia de Francisco Cândido Xavier:
         Pela energia criadora do amor que assegura a estabilidade de todo o Universo, a alma, em se aperfeiçoando, busca sempre os prazeres mais nobres. Temos, assim, o prazer de ajudar, de descobrir, de purificar, de redimir, de iluminar, de estudar, de aprender, de elevar, de construir e toda uma infinidade de prazeres, condizentes com os mais santificantes estágios do Espírito.
         Engajamento. Trata-se do envolvimento com uma atividade, procurando fazer bem feito o que é de nossa responsabilidade, seja na profissão ou fora dela.
         Podemos dizer que a diferença entre um emprego enjoado ou estimulante está na nossa própria postura, não nas atividades que ali exercitamos. Nunca é demais lembrar a velha história de dois operários assentando tijolos. Perguntamos ao primeiro:
         – O que está fazendo?
         E ele, enfadado:
         – Estou levantando uma parede.
         Perguntamos ao segundo:
         – O que está fazendo?
         E ele, entusiasmado:
         – Estou erguendo uma catedral!
         E não é só o emprego. Há outras formas de engajamento. Aprender a tocar um instrumento musical, especializar-se em culinária, praticar ioga, fazer exercícios físicos, integrar-se numa ONG, frequentar um curso…


         Resumindo: é preciso que estejamos sempre ativos, trabalhando e aprendendo, deixando a postura de Januária, da música de Chico Buarque. Indiferente, na janela, ela vê a vida passar. Observe, a propósito, leitor amigo, a questão 943, de O Livro dos Espíritos:
         Pergunta: De onde nasce o desgosto da vida, que, sem motivos plausíveis, se apodera de certos indivíduos?

         Resposta: Efeito da ociosidade, da falta de fé e, também, da saciedade. Para aquele que usa de suas faculdades com fim útil e de acordo com as suas aptidões naturais, o trabalho nada tem de árido e a vida se escoa mais rapidamente. Ele lhe suporta as vicissitudes com tanto mais paciência e resignação, quanto obra com o fito da felicidade mais sólida e mais durável que o espera.
         Significado. Dar significação à vida é também exercitar atos de altruísmo ou bondade, colaborando num serviço em favor do próximo, aproveitando, se possível, nossas próprias habilidades.
         Hoje há um programa extremamente importante nas escolas públicas, chamado Voluntário na Escola. Aos sábados e domingos, pessoas de boa vontade exercitam suas habilidades em favor da criançada. Ensinam informática, trabalhos manuais, esportes e muito mais, de conformidade com suas especialidades. É um sucesso. Ajuda as crianças. Ajuda principalmente os próprios voluntários, oferecendo-lhes altos níveis de satisfação.
         O Espiritismo situa-se numa vanguarda nesse tipo de engajamento, esclarecendo ser necessário nos dedicarmos ao esforço do Bem para que sejamos felizes.
         Por isso há tantas instituições espíritas voltadas à filantropia, atendendo a recomendação básica contida na máxima de Kardec: Fora da caridade não há salvação.




         Steligman mediu em laboratório os efeitos do prazer, do engajamento e do significado na felicidade das pessoas. E descobriu que os maiores níveis estavam relacionados com o significado.
         Um gesto de bondade, ajudar alguém, cuidar de uma criança, atender o necessitado, contribuir em favor de uma causa justa, trabalhar por ela, pode, ressalta ele, aumentar o nível de felicidade por dois meses.
         Experimente, caro leitor, e ficará tão feliz com pequenos gestos de bondade que se empolgará pelo desejo de ser bom o tempo todo. Jesus deixava isso bem claro ao proclamar que o maior no Reino de Deus (o estado íntimo de paz e felicidade) é o que mais serve. Quanto mais servirmos, mais amplas a paz e a felicidade em nós.


Richard Simonetti, 81, escritor, espírita, palestrante, divulgador da Doutrina Espírita de acordo a codificação de Allan Kardec, tem inúmeras páginas na internet, e videos mantidos em You Tube sobre a doutrina, e suas experiências em milhares de centros espíritas do Brasil e do Mundo, é colaborador deste blog desde 2011.


sábado, 8 de julho de 2017

O LIVRO DOS ESPÍRITOS - POR ALLAN KARDEC





A maior luta dos espíritas, seguidores, ou simpatizantes desta doutrina codificada por Allan Kardec, é de fato estudar, é entender, será tão difícil assim ?

A exemplo de alguns sites vamos fazer aos poucos, que tal?

Nas perguntas 995, 996, falamos da ocupação dos espíritos, quando maus porque não mudam? é preciso entender a pergunta do codificador e a resposta dos imortais(995), na 997, a prece funciona com eles de verdade ? entenda....



995. Haverá Espíritos que, sem serem maus, se conservem indiferentes à sua sorte?

“Há Espíritos que não se ocupam de nada útil. Estão na espera. Mas, nesse caso, sofrem proporcionalmente. Devendo em tudo haver progresso, neles o progresso se manifesta pela dor.”

a) – Não desejam esses Espíritos abreviar seus sofrimentos?

“Desejam-no, sem dúvida, mas falta-lhes energia bastante para quererem o que os poderia aliviar. Quantos indivíduos se contam, entre vós, que preferem morrer de miséria a trabalhar?”





996. Pois que os Espíritos vêem o mal que lhes resulta de suas imperfeições, como se explica que haja os que agravam suas situações e prolongam o estado de inferioridade em que se encontram, fazendo o mal como Espíritos, afastando do bom caminho os homens?


“Assim procedem os de tardio arrependimento. Pode também acontecer que, depois de se haver arrependido, o Espírito se deixe arrastar de novo para o caminho do mal, por outros Espíritos ainda mais atrasados.” (971)


997. Veem-se Espíritos de notória inferioridade acessíveis aos bons sentimentos e sensíveis às preces que por eles se fazem. Como se explica que outros Espíritos, que acreditaríamos mais esclarecidos, revelem um endurecimento e um cinismo dos quais coisa alguma consegue triunfar?

“A prece só tem efeito sobre o Espírito que se arrepende. Com relação aos que, impelidos pelo orgulho, se revoltam contra Deus e persistem nos seus desvarios, chegando mesmo a exagerá-los, como o fazem alguns desgraçados Espíritos, a prece nada pode e nada poderá, senão no dia em que um clarão de arrependimento se produza neles.” (664)

Não se deve perder de vista que o Espírito não se transforma subitamente, após a morte do corpo. Se viveu vida condenável, é porque era imperfeito. Ora, a morte não o torna imediatamente perfeito. Pode, pois, persistir em seus erros, em suas falsas opiniões, em seus preconceitos, até que se haja esclarecido pelo estudo, pela reflexão e pelo sofrimento.





DOUTRINA ESPÍRITA É PRECISO ESTUDAR, ENTENDER, O QUE FALARAM OS ESPÍRITOS MENSAGEIROS, QUE PROCURARAM KARDEC, A VERDADE SEM FANTASIA, SEM SONHO SÓ MUDAR QUEM QUER, NINGUÉM DETERMINA EM ESPÍRITOS MUDANÇAS, ELES ACEITAM QUANDO E SE QUISEREM, LOGO, MUDE SEUS PENSAMENTOS, ESTUDE, CONHEÇA A VIDA ALÉM DA VIDA, COM 
ALLAN KARDEC.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

O TERRÍVEL OBSESSOR - POR RICHARD SIMONETTI


                            






Fares, próspero comerciante, aguardava com ansiedade o término dos trabalhos mediúnicos em sala íntima, junto ao salão de reuniões públicas, no Centro Espírita. Desejava orientação para um problema que o afligia. Algo aparentemen­te simples, até ridículo para quem o apreciasse, mas terrível para ele que o enfrentava: uma dificul­dade no fechamento diário de sua próspera loja.

Dificuldade não era o termo exato. Diria melhor batalha. Uma batalha contra o impulso de repetir intermináveis cuidados e verificações,
rela­cionados com as instalações elétricas, o cofre, as janelas e a porta de entrada.
Esta última era o tormento maior. Parecia dotada de magnetismo. Por maior fosse seu empenho em afastar-se, era inexoravelmente atraí­do, levado a testar repetidamente se estava tranca­da. Pressionava para cima, como se fosse erguê-la, experimentando a resistência da fechadura central. Observava o cadeado embaixo, manualmente, porque não confiava no testemunho de seus olhos.
Ensaiando resolução, virava as costas e da­va alguns passos em retirada. Frustrava-se logo, porquanto a dúvida se instalava de imediato, tra­zendo-o a novas verificações. Repetia aquele bailado irracional múltiplas vezes, disfarçan­do para que ninguém percebesse seu comporta­mento desatinado.
Quando finalmente convencido de que tudo estava bem, já no estacionamento em tra­vessa próxima, ressurgia a infame dúvida: "Será que tranquei o cofre?"
Então se danava, forçado a rever a verificação, confrontando pela enésima vez a malfadada porta, a esquentar os miolos.
Confiava na ajuda espiri­tual. O médium encarregado do receituário era
co­nhecido por suas virtudes como instrumento dos Espíritos em favor de pessoas atribuladas.



Encerrada a reunião, ouviu chamarem por seu nome. Levantou-se e foi ao encontro do aten­dente, que lhe entregou a esperada orientação. Em letra firme e alongada estava registrado:
        
Diagnóstico: Auto obsessão.
      
Tratamento: Passe e oração. Ler  Mateus, 6:19-21.


Fares estava perplexo. Já ouvira alguém se re­ferir à auto obsessão como um processo em que o indivíduo alimenta ideias infelizes que o pertur­bam, colhendo sofrimentos voluntários, desneces­sários e inúteis, algo como morder a própria língua ou bater a cabeça na parede.
Chegando ao lar, buscou um exemplar de O Novo testamento. No trecho recomendado, leu:
Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a Terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam. Mas, ajuntai para vós outros tesouros no Céu, onde nem a traça nem a ferrugem corroem e onde ladrões não escavam nem roubam. Porque, onde está o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.
Impressionado, Fares considerou que talvez fosse melhor empenhar o coração em favor de ri­quezas mais consistentes, conforme a recomenda­ção de Jesus.

                                   * * *
Quando nos envolvemos demasiadamente com o imediatismo terrestre, nossa mente passa a funcionar em circuito fechado, gerando dúvidas e angústias que crescem rapida­mente em nosso íntimo, como massa levedada.
Em tal situação, antes de cogitarmos da existência de supostos obsessores, melhor faríamos combatendo a auto-obsessão, no esforço por arejar nossa vida interior com ideias nobres e ideais santificantes, cuidando das “coisas do Céu”, par que as “coisas da Terra” não nos sufoquem.


Richard Simonetti, 81, é espírita, escritor, divulgador da Doutrina Espírita no Brasil há mais de 63 anos, tem suas páginas na internet, em Facebook, e colobora com este blog semanalmente.