segunda-feira, 11 de maio de 2026

ODE Á MÃE - POR MARCELO HENRIQUE

 





Ode à Mãe

Marcelo Henrique

 

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Queria ter mais força e inspiração para escrever... Homenagear-te com um poema ímpar, mas esbarro na minha própria imperfeição, quando as lágrimas teimam em rolar pela minha face.

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Queria te dizer...

 

Às vezes, quando eu fico só, a meditar, escuto lá no fundo uma voz... Ela me faz esquecer os problemas, as angústias do dia a dia. É verdade que isto não acontece com freqüência, porque nem sempre damos vazão ao nosso eu-interior.

 

Entretanto, quando isto acontece... Ah! É como se um anjo de voz doce sussurrasse em nossos ouvidos, uma suave melodia que acalma e embala o ser.

 

Um instante a mais e já estamos a relembrar os dias longínquos (ou, nem tanto) da infância. Tu, que sempre tinhas as palavras de consolo e incentivo, que sabias o que se passava conosco, mesmo sem dizermos nada, e abrias os braços para envolver-nos em teu amor.

 

Lembro-me das primeiras descobertas: as atividades escolares, o pedalar de bicicleta, a bola, os amigos, a mesada, as festinhas, os namoros... Tu, sempre lá, a esperar uma novidade, que eu te contasse como tinha sido o dia, a prova, o trabalho, o passeio...

 

Muitas vezes, não tive tempo!

 

Estava cansado, preocupado ou aborrecido demais... Respondia por monólogos, como se a economia de minhas palavras pudesse te impedir de ver (e sentir) o que havia dentro de mim. Não! Isto nunca foi possível. Teus olhos sempre me perpassavam a carne e te faziam ver meu íntimo. Dizem que isto acontece porque a ligação da mulher-mãe com o feto, pelo cordão umbilical, é tão intensa, que o filho é (e será sempre) um pedaço da mãe.

 

Cá entre nós, tem de existir algo mais que isto, não é? Afinal, quando o espírito volve ao ventre materno, traz consigo um vínculo mágico, espiritual, com aquela que lhe será o primeiro berço, o primeiro lar. Como olvidar tal realidade?

 

Vejo, agora, teus cabelos brancos, teu semblante cansado, o peso das experiências sobre teus ombros. Procuro ver-te, hoje, lembrando dos dias em que te vi em lutas maiores, pelo pão, pelo conforto, pelo prazer... Não que estas lutas tenham terminado. O espírito sempre está em atividade. Mas, quando a tela mental me mostra as tuas lutas, quero mesmo é descobrir de onde vêm tuas forças, para nelas me inspirar, nos embates em que me envolvo.

 

Tu és forte! A mulher é forte! E parir é o maior e mais digno exemplo disto...

 

Queria ter mais força e inspiração para escrever...

 

Homenagear-te com um poema ímpar, mas esbarro na minha própria imperfeição, quando as lágrimas teimam em rolar pela minha face.

 

Então, MÃE, guarda contigo estas lágrimas que agora derramo, por amor a ti.

 

Deus te abençoe! Eu te amo!


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