segunda-feira, 14 de outubro de 2019

UM KARDEC SORRIDENTE - POR MARCELO HENRIQUE



Foi no já distante 1981 que eu me tornei espírita. À época, o primeiro livro de Kardec que tivemos em nossa casa, trazia o desenho do rosto de Kardec, e era “O livro dos Espíritos”. 





Na verdade, todos os livros editados pela Federação Espírita Brasileira tinham a mesma capa, com Kardec ao centro. Só variava a cor e, é claro, o título da obra. Uma a uma, as capas coloridas foram ocupando lugar nas estantes e eu e meus familiares os utilizávamos com frequência.
Levávamos o livro citado para a reunião de estudos, que era numa quarta-feira à noite. E, a cada palestra – eram às segundas e quintas e nós procurávamos não faltar a nenhuma delas, tal a sede de conhecimento que tínhamos – em casa íamos folhear os demais livros, sempre que o palestrante fazia alguma referência ou citação. Esse exercício, creiam os leitores, fez-nos avançar bastante na teoria espírita básica, porque da busca inicial de uma ou outra citação, em dado capítulo ou item, a leitura dos demais, que a rodeavam, eram consequentes.


Todos os dias Kardec me fitava. E eu olhava para ele, tentando entender o que havia de tão especial naquele homem. Aos poucos, acessando biografias e textos escritos sobre ele, sua personalidade, suas atividades não-espíritas e também aquelas que ele coordenou e desenvolveu na nascente Doutrina Espírita, ia descortinando as facetas daquele grande homem. 

Mas, uma coisa me intrigava. Por que Kardec nunca sorria? 




E não eram apenas as capas de livros daquela editora. Toda e qualquer imagem de Kardec, seja em quadros nas instituições, seja em ilustrações de livros, jornais ou revistas espíritas sempre traziam um Kardec taciturno, sisudo, quase zangado. Lembro-me de questionar alguns dirigentes e expositores, sobretudo aqueles com quem eu, aos poucos, acabava tendo proximidade e afinidade. Alguns deles me diziam que era uma característica da época, os quadros e desenhos – já que não havia, ainda, o acesso fácil à fotografia, recém-inventada (1839) – e os retratos, além de muito caros eram bem raros. A opção era, então, o retrato-desenho ou o retrato-pintura e, quase sempre, com a expressão “fechada”. 

Fui, então, me acostumando ao Kardec “bravo”, de feições graves, compenetradas, como se somente esta sisudez refletisse a seriedade e a excelência de sua missão de Codificador do Espiritismo. Ou como se, de alguma forma, houvesse sobre seus ombros um peso gigantesco, tanto relacionado à altura de sua tarefa, quanto das incompreensões e dificuldades (externas e internas) a que ele se submeteu, em nome da verdade espírita. 

Ainda adolescente e no início da juventude, eu me perguntava: - quando é que o homem Rivail-Kardec sorriria? Será que não gargalhava? Não tinha motivos para render graças e iluminar seu belo rosto, de homem maduro de feições francesas, polido, educado e nobre em virtudes e caráter, com um largo sorriso? Não sorria, ele, na intimidade, para a bela Amélie-Gabrielle, por quem se enamorou ternamente e com quem conviveu por décadas? Não ficava contente, alegre, quando lhe contavam algo positivo, ou quando ouvia, numa roda de amigos do círculo de seus ofícios, como professor, cientista, magnetizador, alguma anedota? Não sorria com a satisfação do dever cumprido, como quando realizava atividades de benemerência, distribuindo alimentos e roupas aos desvalidos de Paris? 

Então... 

Onde é que estaria o Kardec sorridente? Não precisaria ser o homem de gargalhadas espalhafatosas, um galhofeiro ou piadista, alguém que não tivesse, sequer, equilíbrio nas emoções. Longe disso! 

O que o jovem Marcelo Henrique desejava – e, até, com entusiasmo e expectativa – era encontrar uma imagem de um Kardec esboçando um leve sorriso. Anos e anos, décadas se passaram e... nada! 

Até que um belo dia, em atividades da Comunicação Social Espírita, a que me afiliei desde 1987, quando editei o primeiro periódico espírita, bem rudimentar e artesanal, quando estava eu na faculdade de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina, o “Harmonia”, que nasceu ‘Boletim Informativo” e depois se tornou “Revista Espírita”, já como militante da Associação Brasileira de Divulgadores do Espiritismo (Abrade), conheci o querido e saudoso Alamar Régis de Carvalho, a quem apelidei carinhosamente de “O Boca-de-Trombone”. O porquê do apelido? Simples, o doce e barulhento Alamar dizia o que pensava, sem rodeios. Era direto. Às vezes, duro. Mas transparente, honesto, defensor da fidelidade a Kardec e um porta-voz da observância estrita dos postulados espíritas. 

Foi no final da década de 90 que Alamar me fez ter contato com uma figurinha de um Kardec sorridente. Um amigo dele, estudante de artes visuais, havia preparado a ilustração, que ele passou a exibir e divulgar como uma de suas “marcas”. Depois, uma outra imagem também passou a ser veiculada por ele, mostrando Kardec sorridente envolto por muitas crianças de tenra idade. Aquilo tudo me marcou positivamente. Os meus sonhos juvenis se concretizaram. Ali estava, em cores, um Kardec real, bem próximo de nós, com a estampa da felicidade na face. Como nós fazemos em tantos momentos de nossas trajetórias, não é mesmo? 

Olho para o movimento espírita, que integro há quase quarenta anos, e vejo muitos homens e mulheres sisudos. Vejo muitas expressões pesadas, carregadas. Vejo uma rigidez excessiva, como a castrar os sentimentos de abertura que o riso (e os sorrisos abertos e espontâneos) carrega em si. Vejo ambientes taciturnos, pesados, em reuniões e atividades espíritas, como se seriedade não se coadunasse com alegria (de viver e externar sentimentos). 





Há um contingente muito grande de espíritas que parece carregar nos próprios ombros, braços e mãos, todas as “dores do mundo”, como se as dificuldades do Plano de Provas e Expiações, como se as mazelas espirituais que fazem parte, ainda, de nossas atmosferas psíquicas, como se o errar, cair e levantar, não fosse a tônica de todos os que passam, atualmente, pelo orbe. E que a opção pela “cara fechada”, quase um rompante ou uma máscara de aparente seriedade, fosse melhorar a ambiência planetária e conduzir as pessoas às melhoras possíveis. 

Por isso, sempre que posso, sempre que participo de atividades espíritas, seja uma palestra, um seminário, um curso, um encontro de debates, uma reunião de estudos ou de trabalhos, um fórum, um congresso, procuro portar um sorriso no rosto – autêntico – e falar de coisas alegres e, porque não, divertidas. Uma piada bem contada, no momento oportuno, uma jocosidade bem aproveitada para tirar uma lição valiosa, são elementos de pedagogia e de convencimento. Experimente, você, também, e verá os resultados. 


Mais recentemente, todos nós espíritas tivemos a feliz oportunidade de estarmos diante de um Kardec real. Não que tenha sido uma iniciativa pioneira, já que filmes ou documentários sobre o Mestre Lionês são listados por sites e são descritos pelos cinéfilos espíritas. Mas, em 2019, Wagner de Moraes nos brindou com a filmagem de “Kardec, a história por trás do nome”, e nos apresentou ao Kardec fisicamente real, vivo, sorridente, humano, na “pele” de Leonardo Medeiros, o ator escolhido para a performance cinematográfica. 

Leonardo foi primoroso ao “encarnar” o Professor Rivail em seus dois momentos da história: como Rivail, o pedagogo e cientista. E como Kardec, o Codificador, o homem da Ciência Espírita. Nas variadas cenas da história baseada na obra biográfica de Marcel Souto Maior, primorosa, também, por sinal, podemos ver um Kardec sereno ou agitado; preocupado e aliviado; triste e alegre; incisivo na defesa de ideias e amoroso; decepcionado e exultante; um Kardec que chorou e riu. Riu muito das conquistas, dos medos vencidos, ou de situações que aproximam o Mestre de cada um de nós, seus discípulos. Um Kardec que teve tempo para contemplar, junto à amada Gabi, as estrelas do firmamento, com poesia, música, risadas e contentamento. 

Olho para o que me rodeia, tanto nas plataformas das redes sociais como na vida “ao vivo” e ainda vislumbro um sem-número de espíritas que se parecem com aquele Kardec retratado nas capas de livros federativos da década de 1980. E isso me entristece. Porque nem a mensagem espírita nem a de Jesus de Nazaré, em que se apoia, são mensagens carregadas de rancor, do peso da amargura, do silêncio da tristeza, expressões de faces acabrunhadas e desmotivadas. 

A mensagem espírita é de alegria e de contentamento. 




O Yeshua de J.-J. Benítez (“Operação Cavalo de Tróia) guarda muita similitude com o Rivail de Moraes-Medeiros, no filme. Ambos sonharam e realizaram. Ambos se entristeceram e se alegraram. Exultaram diante de realizações e lamentaram os fracassos e as incompreensões. Mas sem, jamais, perder a essência humana, que o aprendizado de cada dia propicia: fazer, experimentar, ousar e ser feliz! 


Um Kardec sorridente me fita, quando termino este despretensioso artigo...



Marcelo Henrique, é advogado, escritor, espírita, divulgador da doutrina espírita em Santa Catarina e em todo o Brasil, é colaborador deste blog.

domingo, 13 de outubro de 2019

BOAS NOTÍCIAS - POR NUBOR ORLANDO FACURE





Contava Dr André Luiz Peixinho Medico baiano, psiquiatra, psicologo e filosofo, trabalhando no Hospital da Irmã Dulce, que quando o então Presidente, João Batista Figueiredo foi visitar o hospital a Irmã pediu ao Dr Peixinho que queria receber o presidente numa cadeira de rodas.

Precisava cobrar do Presidente Figueiredo, promessas anteriores que ele não cumpriu e na cadeira de rodas ela ia tocar seu coração.

Assim que se encontraram, e ela lhe dá um bilhete com a recomendação de só ler quando seu avião estivesse nas alturas.

Agora as ordens seriam dados entre ele e Deus, não preciso dizer que a irmã recebeu tudo que queria.


Noutra ocasião o Dr Peixinho diz que a ambulância trouxe um paciente, mas que estavam sem vagas Hospital lotado.


A Irmã Dulce disse ao Dr Peixinho; "Nada de dispensar o paciente, vá até ao depósito pegue um colchão e vamos começar a ocupar os espaços em baixo das camas."





E assim fez Dr Peixinho, E assim se fez uma santa.



Nubor Orlando Facure, 79, médico, neurologista, espírita, presidente do Instituto do Cérebro em Campinas SP, é escritor, divulgador da doutrina espírita, durante 50 anos viveu o milagre do espiritismo em Uberaba MG, ao lado de Chico Xavier seu paciente e seu amigo pessoal, como diretor médico da UNICAMP, foi o primeiro a falar de Espiritismo para os médicos daquela instituição, é escritor, e colabora com este blog.

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

PERGUNTAS E RESPOSTAS - Por Marcelo Henrique




Diz-se que o ser humano vive em busca de respostas. Desde que retoma a consciência de si mesmo, em nova existência, a encarnação se consolida e o ser passa a viver plenamente neste orbe, ele indaga a si mesmo e aos outros (pessoas, organizações, crenças, filosofias, etc.) acerca de questões pontuais de sua existência: o que sou, de onde vim, para onde vou, como fui criado, além dos porquês em relação a tudo que vivencie ou observe. Indagar, assim, é o caminho para o conhecimento, num contínuo e incessante processo.

Quanto me tornei espírita – e já vão lá bons 38 anos – à medida que fui participando das atividades (palestras e reuniões de estudo), vislumbrei, de início, um “universo” até então desconhecido. Usando uma analogia comum nas lides espiritistas, foi como se tivessem tirado uma “trave” de meus olhos, fazendo-me descortinar realidades que, conscientemente, não me apercebia. Diversas das explicações dadas por expositores e coordenadores de grupos pareciam ser tão “reais”, “inteligentes”, “lógicas”, que me fizeram (e, creio, até hoje devem provocar nos outros a mesma reação): - por que não pensei nisso antes?




Tinha eu a noção de que o Espiritismo responderia todas as (minhas) indagações, possuiria a resposta certa para qualquer questão, explicaria conveniente e racionalmente tudo o que pertencesse a este mundo físico, quanto à realidade espiritual. E, por extensão, talvez, imaginasse que, em satisfazendo todos os questionamentos, nada mais haveria a ser indagado...

Ledo engano! A seqüência dos anos e o envolvimento (maior) nas atividades e nas pesquisas espíritas me fez ver justamente o contrário: o Espiritismo não tem a “obrigação” de responder a todas as dúvidas existenciais do(s) indivíduo(s). Nem, tampouco, “resolve” as questões mais ou menos importantes da realidade individual do ser. Ele é, do contrário, o (um) caminho para algumas certezas e muitas outras dúvidas.






Sua função é “provocar”, fazer o ser continuar a questionar acerca de tudo. Como aquele sábio da Antigüidade que reconhecia suas limitações (“só sei que nada sei”), também a Doutrina dos Espíritos oferece-nos um horizonte (até então) inexplorado e, à medida que passamos a conhecer algo sobre dado tema, ao invés de esgotá-lo, ampliam-se ainda mais as perspectivas de conhecimento, e novas perguntas são iminentes.





Assim, ao invés de somente “procurar” e querer encontrar respostas na filosofia espírita, capazes de “saciar” sua fome e sede de conhecimento, deve o indivíduo (Espírito encarnado com as limitações diversas que a matéria impõe) estar cônscio de que quanto mais souber, quanto mais conhecer, mais haverá a ser indagado, perscrutado, raciocinado e entendido.

Então, desejamos que a sua presença na Instituição Espírita e, também, o seu contato com as fontes de informação (livros, revistas, jornais, panfletos, assim como no “universo virtual” de sites, blogs e redes sociais) possa ser o incentivo para novas indagações, respostas, indagações, respostas...




Marcelo Henrique de Santa Catarina, é advogado, espírita, palestrante, escritor e divulgador da Doutrina Espírita de acordo a codificação de Allan Kardec, escreve semanalmente para este blog.

sexta-feira, 20 de setembro de 2019

MEMÓRIA ONDE ESTÁS QUANDO ESCONDES DE MIM? Por Nubor Orlando Facure




Se há uma coisa fugidia são as nossas memórias Todos já nos sentimos perdidos quando elas se perdem de nós, mas, se há uma função complexa dentro e fora de nós é justamente a memória. digo dentro e fora, porque, sou daqueles que acredita na existência de memórias extracerebrais.


                                          (ilustração de memórias celular)


Vamos fazer uma leitura simplificada sobre onde encontrar minhas memórias: Memória celular: Se memória for a recordação de um fato que aconteceu no passado, podemos dizer que ela existe, inclusive, nos nossos glóbulos brancos e anticorpos. 

Eles entram em contato com o vírus do sarampo e constroem uma resposta química para essa invasão Um novo ataque, numa epidemia de sarampo, eles reconhecem o invasor e toma medidas para sua expulsão os neurônios e a memória Neurônio aprende com a repetição do estímulo.
Há dois fenômenos nesse processo A "Sensibilização" Repetindo um choque o neurônio fica super excitável a cada vez que recebe o estimulo elétrico, e a "Habituação".
De tanto repetir uma picada incômoda, você acostuma o cérebro e a memória, primeiro capto com os olhos a visão de um objeto que passa voando. observo detalhes e percebo que é um pássaro, agora vejo suas cores, ele bate as asas, voa num vai e vem ora para um lado ora para o outro Peito amarelo, da um piado estridente cantando: seria um Bem-ti-vi ?





O cérebro tem áreas para vermos o objeto, outras áreas para percebermos as suas cores e outras ainda para vermos os seus movimentos.
A seguir, todos esses detalhes são comparados com meus arquivos no hipocampo, ali vejo os pássaros que já vi no passado e os guardo arquivados. Noto que não era um Bem-ti-vi, é totalmente diferente, deve ser um sabiá.


                                        (em destaque amarelo o hipocampo do cérebro)


E a seguir, o que vai ocorrer? Percorro o caminho inverso: Do hipocampo para todo cérebro Nossas memórias não são arquivadas. os detalhes de todas coisas do mundo são esparramadas por todo meu córtex cerebral. No futuro, quando passar por mim um pássaro piando eu saberei quem é, já o conheci antes, meu cérebro fica cheio de informações que o mundo vai jogando para dentro dele, mas, vale repetir: O cérebro não coloca as informações numa gaveta ou numa pasta de arquivos. Ele distribui as peças do quebra cabeça para várias áreas no córtex Isso trás vantagens: Quando vejo uma cruz na torre, lembro logo da igreja matriz, quando vejo a ambulância, logo me vem a lembrança do pronto socorro onde trabalhei, Quando a gente esquece um fato, ele pode ser resgatado com uma pequena pista.
Um sapatinho de cristal me lembra a Cinderela, o Perispírito e a memória.






O perispírito é um corpo de natureza espiritual e fluídica (semi-material)., As memórias nesse corpo podem se utilizar de dois sistemas Um deles se sobrepõe ao cérebro físico funcionando com a mesma fisiologia dos neurônios e suas conexões.
Um outro sistema é decorrente das propriedades "metafísicas" do Perispírito, ele é dirigido por ação direta do pensamento, por isso ele se desloca no espaço e no tempo seguindo a força dos nossos desejos, ele atua sobre objetos inanimados dando-lhes propriedades dos seres vivos, vivifica os objetos.
Algumas descrições clínicas podem facilitar nosso entendimento: Indivíduos hipnotizados podem deslocar sua atividade mental ou mais precisamente, o seu Perispírito para um acidente que participou no passado distante.
Durante o fenômeno hipnótico ele vivencia o passado como se fosse o presente Poderá fazer descrições detalhadas do ambiente do desastre que na ocasião não percebera.
O Perispírito não tem limites em sua memória, ele nos permite vivenciar de novo os detalhes do passado.
Os obsessores, utilizando os recursos da hipnose, podem manter suas vítimas fixadas na cena de um crime, é a memória cristalizada,  Nos fenômenos de sonho lúcido, são descritos que, as percepções se ampliam e as recordações se expandem. 






A mente transita com o Perispírito durante esse tipo de sonho, o Espirito e a memória, não conhecemos a natureza do Espírito.
Sabemos ser o principio inteligente Fonte dos nossos saberes Senhor do nosso passado multimilenar Numa linguagem física, podemos dizer que tudo no Universo é energia é vibração Ensina a filosofia chinesa que qualquer partícula contem em suas vibrações toda história do Universo Mas que "partícula" vibra no Espírito? Um centelha do pensamento de Deus.




Nubor Orlando Facure,79, é médico Neurologista, diretor do Instituto do Cérebro de Campinas SP, é escritor, espírita, um dos grandes divulgadores da doutrina espírita de acordo a codificação de Allan Kardec, foi o primeiro médico como professor e diretor a falar de Espiritismo na Unicamp - Campinas, amigo pessoal de Chico Xavier, viveu o milagre de Uberaba durante 50 anos, é colaborador deste blog, os e-mails para ele podem ser enviado pelo lfacure@uol.com.br 

terça-feira, 10 de setembro de 2019

COMO LIDAR COM AS INTERPRETAÇÕES ESDRÚXULAS TIDAS COMO ESPÍRITAS? - Marcelo Henrique







Ainda que a base kardeciana tivesse estabelecido as importantes referências para o "pós-morte", seja pela explicação lógico-racional dos Espíritos sobre a condição espiritual de muitos espíritos após o desencarne e, também, pelo registro de depoimentos de inúmeros espíritos em dissertações inclusas na Revista Espírita, o movimento espírita - sobretudo o brasileiro - tem preferido, desde a primeira metade do século XIX, os relatos dos chamados "romances mediúnicos". 
Esta literatura genuinamente brasileira vem carregada do caldo cultural que mistura diferentes crenças e paradigmas religiosos com o misticismo e a miscigenação entre conceitos europeus, negros e indígenas. E reflete, ainda que de modo não totalmente compreendido pelos espíritas ou simpatizantes da Doutrina dos Espíritos, impressões muito particulares derivadas da condição espiritual pouco desenvolvida dos seres que viveram neste Planeta e que se utilizaram de médiuns distintos, prestigiados ou não, para ditar seus relatos. 







É fato que a morte não altera substancialmente a "condição espiritual" daqueles que por aqui tiveram suas trajetórias, mantendo, portanto, atavismos, condicionantes, crenças e idiossincrasias. Não raro se diz que levamos para o "outro lado" muito de nossas convicções e ideologias, esperando lá encontrar aquilo que tínhamos como "referência" e "formação", além de desejos, gostos e simpatias. 







É justamente por isso que Allan Kardec no consórcio com os Espíritos Superiores para produzir a Filosofia Espírita, adotou um critério essencial para o reconhecimento da validade das informações recebidas por meio dos médiuns. Esse critério foi o do Consenso Universal dos Ensinos dos Espíritos (CUEE), justamente para afastar tanto as impressões de espíritos pouco adiantados e suas "ilusões" na visão do que "encontraram" após o túmulo, bem como os reflexos do animismo, quando o médium interfere, em maior ou menor incidência, sobre a mensagem que produz. 
O caminho para a compreensão das questões espirituais passa, assim, necessariamente, pela continuidade do uso deste critério - senão diretamente, pela aprovação ou rejeição das mensagens que são, diariamente, nas casas espíritas e suas reuniões de médiuns, como, também, de modo geral, como reflexo da atitude de um espírita consciente, estudioso e proativo, analisando os livros que lhe chegam às mãos, para, no dizer de Erasto, afastar as mentiras (fantasias e impressões imperfeitas) que estão nos relatos dos citados romances e, também, em páginas de orientação "doutrinária". 






A consciência dos fundamentos espíritas e o preparo para o regresso ao Mundo dos Espíritos, sem misticismo e sem crendices, indica o caminho mais adequado para não se ter "surpresas" quando da "passagem". E, para nós que ficamos e ainda estamos por este plano material, nos impede de acreditarmos de modo ingênuo em informações que não guardam pertinência com a realidade espiritual que nos aguarda futuramente. 

Ainda que não se deseje instituir qualquer censura sobre livros, textos, médiuns ou espíritos, porque é livre a manifestação do pensamento, como preceitua a própria Doutrina Espírita, é fundamental que todo espírita que zela belas bases kardecianas adote um filtro capaz de desconsiderar tudo o que não esteja em consonância com os princípios, fundamentos e orientações expressas pelo Espiritismo.








Marcelo Henrique, é professor, escritor, palestrante, espírita, advogado, e divulgador da Doutrina Espírita nos conceitos de Allan Kardec em Santa Catarina, e em todo o Brasil.
É colaborador semanalmente deste blog.



* fotos meramente ilustrativas da comunidade espírita no Brasil, e sem direitos recolhidos, abertas ao uso público, como a do Filme Amor Além da Vida, Espiritsmo e seus médiuns, e a imagem pública do codificador Allan Kardec.

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Uma nova ordem social - Marcelo Henrique





Sociedades e leis evoluem com o tempo. Em algumas épocas, marcantemente influenciados pelo desenvolvimento individual e pela disseminação de conceitos e propostas, se percebe uma maior suscetibilidade ao processo construtivo e progressivo. Alteram-se os costumes e destes à reestruturação das normas o passo é natural e consequente. A nova ordem social, assim, instaura-se pouco a pouco, produzindo efeitos, em contrapartida, nos próprios homens e agrupamentos sociais que os criaram ou desenvolveram.

A encarnação de criaturas dotadas de um maior nível evolutivo e, comprometidas com tarefas específicas, em distintas áreas de atuação, assumem missões junto às coletividades, fomentando a veiculação de ideias e a realização de ações em benefício de destacados contingentes populacionais. São exemplos: atividades assistenciais, projetos de preservação do meio-ambiente, comitês de cidadania, entre outros, proporcionando o acesso à informação e o benefício específico e individualizado.






A proposta filosófica da Doutrina Espírita encampa a difusão do serviço ao semelhante, calcado na palavra-ação CARIDADE. Esta, por sua vez, já na cátedra de Jesus de Nazaré, abandona o conceito de esmola (distribuir o excedente) para atingir a benemerência e a beneficência, perspectivas em que cada um contribui dentro de sua área de especialidade, com base em capacidades e/ou habilidades desenvolvidas, no serviço para o semelhante. Dissocia-se, assim e, em consequência, a velha cátedra do “fazer espiritismo somente entre os limites físicos da Casa Espírita”, de uma nova postura comportamental e edificadora do espírita, que concretiza o envolvimento de todos, nas comunidades, contribuindo para as mudanças e à redução da exclusão social.
Deixar de lado os interesses prosélitos de “fazer adeptos” ou engrossar fileiras, lotando instituições e alcançando contingentes numéricos expressivos e trabalhar pela real difusão da mensagem espiritista sem imposição de credo, sem arregimentação de adeptos, sem violação de consciências ou violência de qualquer tipo, muito menos a que resulta de uma possível coação moral. É hora de dar um basta às ameaças e às prescrições do “como proceder”, bem como aos dedos apontados para aqueles que não se moldam a padrões de conduta que idealmente são concebidos e apresentados por alguns, com base nos ensinos espíritas, olvidando a diretriz que é a da liberdade incondicional, o livre-arbítrio nos procedimentos usuais – na carne e fora dela.

Se das consciências aclaradas desponta a viabilização de propostas reais de crescimento coletivo, com a ampliação de direitos e garantias e à socialização dos bens materiais, é preciso que os espíritas sejam agentes competentes para fomentar as mudanças de paradigmas nas associações e instituições humanas em que os mesmos estiverem inseridos. A nova ordem social que se consolida, todavia, não se opera sem traumas ou rupturas. Esta nova massa, então, deve estar constituída de muitos espíritas, não os de carteirinha ou os que apenas ocupam cargos gerenciais em instituições espíritas, mas, verdadeiramente, todos os que, diante a verossímil proposta qualitativa de reengenharia de nosso mundo material, a partir do paradigma espírita-espiritual, levam as mãos ao arado que sulca a terra no preparo do lançamento de novas sementes na edificação da Nova Era, sem deixar que as mesmas restem ofuscadas entre espinhos, ou repousem em terreno ainda arenoso e pouco favorável. No replantio de hoje, inspiramo-nos naquele Galileu...



Façamos a nossa parte, lembrando Bezerra, no labor que é “urgente, mas sem pressa”. Quiçá nossa tarefa, em dias presentes, possa ser abençoada e competentemente exercida. Engajemo-nos, pois, na construção de uma nova ordem social, espiritualizada e plena de felicidade!





Marcelo Henrique, é professor, advogado, espírita, escritor, palestrante, colabora com este blog, divulga a doutrina espírita, de acordo com a codificação de Allan Kardec.

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Mediunidade Por que nos afastamos tanto de Kardec ? - Por Marcelo Henrique






O Espírito é uma realidade! O século 21, em seus primeiros albores, tem consagrado a presença das temáticas de teor espiritual na grande mídia, em seus mais diversos veículos, além de ocupar espaço entre as alternativas de entretenimento (teatro, cinema, novelas, músicas, etc.). Inegável o interesse de milhares de pessoas por saberem mais sobre a realidade "do outro lado da vida", com espaço, inclusive, para a busca por meio das diversas "ferramentas" disponíveis ao homem contemporâneo.
Se pararmos para pensar, a necessidade pela informação de cunho espiritual data de tempos imemoriais. Nestes tantos séculos de caminhada, a Humanidade entrou em contato com um sem-número de filosofias, crenças ou religiões, dispostas a interpretar os chamados "sinais" da transcendência, ainda que limitados, muitas vezes, em função dos atavismos, das idiossincrasias, e dos fundamentalismos.
Estudiosos do comportamento humano e, mais especificamente, das técnicas de comunicação não se cansam de afirmar que os diálogos travados entre os seres - de nosso tempo, ou dos anteriores - quase sempre se destinam ao convencimento do outro, a persuasão e, até, a cooptação - por meio daquilo que se convenciona chamar de doutrinação.
Assim sendo, quase todos os que se enveredam por codificar ou interpretar os "sinais" espirituais, disponíveis através do intercâmbio mediúnico - mesmo que, em muitos casos, não se mencione explicitamente o termo mediunidade, recorrendo a conceitos como dons, revelações, mistérios, milagres, etc. - apõem-lhes traços muito particulares, condicionados à sua visão das coisas, dos fenômenos, do mundo, enfim. Daí, por exemplo, existirem, só em relação ao Cristianismo, um sem-número de facções que mantém entre si certa sintonia (ligação com o Evangelho, a Boa Notícia ou Boa Nova), mas possuem antinomias interpretativas ou diferenças inconciliáveis.




Voltando ao mote inicial deste artigo, o mesmo momento favorável à disseminação das informações espirituais é pródigo para o aparecimento de enxertias, de neologismos e adulterações, comuns em relação ao nível precário de entendimento não só dos encarnados como dos Espíritos que, alegadamente, possam estar transmitindo várias mensagens - muitas das quais levadas ao mercado por meio de editoras espíritas ou não. Herculano Pires, a seu turno, por diversas vezes levantou-se contra diversas tentativas malogradas de alteração dos textos originais de Kardec e sempre se posicionou, independente e fiel à Codificação, contra qualquer "novidade" que as lideranças e os médiuns tentassem sugerir ou implementar no movimento espírita. Não é à toa que o Professor ganhou a alcunha de "síndico do Espiritismo", uma referência ao controle e à supervisão atenta de tudo o que ocorria em sede de Espiritismo.






Qualquer visita a um stand de livros, seja em livraria espírita ou genérica, nos permite identificar um sem-número de títulos classificados como "espíritas", não obstante tratarem de temas que não o sejam verdadeiramente, e que ficariam mais adequadamente denominados como espiritualistas. Em paralelo, há editoras que, percebendo o enorme filão de vendas que os produtos de natureza espiritual têm na atualidade, não têm critérios claros e objetivos na seleção do material que recebem e, muitas vezes, embalados pelo desejo de lançarem outros títulos para aproveitarem os já consumidores, editam novos livros dos autores contratados ou de novos que apareçam.
O título deste nosso ensaio enquadra justamente esse cenário: a falta de cuidado na seleção dos textos mediúnicos e a necessária e pontual correlação destes com o edifício doutrinário espírita. Evidentemente, não há, na Doutrina Espírita, censores ou controladores, que fariam um prévio exame do que foste apresentado, no sentido de posterior divulgação. Por ser uma doutrina aberta, dinâmica, evolutiva, o Espiritismo permite que novos conceitos sejam apresentados e até agregados à estrutura originária, naquilo que atualmente se convencionou chamar de atualização doutrinária. De outro modo, o caráter livre-pensador da filosofia espírita não está sujeito à chancela de pessoas ou instituições, sendo faculdade de cada indivíduo o livre exame de tudo o que chegue às suas mãos, selecionando o que for bom, útil e verdadeiro, conforme critérios pessoais. O estudioso espírita, no entanto, terá um maior embasamento teórico para tal seleção e a verdade, assim considerada, estará mais robusta e planificada.
Como, entretanto, são diversos os níveis de entendimento e valoração, há que se pensar em critérios de aferição, os quais não são "inventados" pelos espíritas da atualidade, nem mesmo por aqueles que se autodenominam "livres-pensadores". Eles estão alinhados nos próprios textos kardequianos, em especial em “O que é o espiritismo”, “O livro dos espíritos” e “O livro dos médiuns”, além de serem repetidos, complementados e detalhados em várias das dissertações contidas na Revista espírita (“RevueSpirite”).


O principal deles, repetido e decantado inúmeras vezes nas páginas deste periódico, é o da Metodologia Científica da Mediunidade, segundo Kardec, que pressupõe, para a aferição de veracidade e pertinência das "novas revelações" (novas informações que forem obtidas através do intercâmbio mediúnico), os seguintes parâmetros: 1) concordância entre as informações recebidas e os princípios doutrinários básicos; 2) recebimento das mesmas por médiuns diferentes, isentos, insuspeitos e idôneos, tanto do ponto de vista moral, quanto em relação à pureza de suas faculdades e da assistência espiritual; 3) coerência das comunicações e do teor da linguagem utilizado pelos Espíritos; 4)  confronto das novas observações com as verdades científicas demonstradas, afastando-se o que não possa ser logicamente justificado; 5) o Consenso Universal dos Ensinos dos Espíritos, ou seja a concordância/concomitância entre os relatos obtidos em diferentes lugares, ao mesmo tempo, por médiuns distintos.




Nosso compromisso diuturno e inafastável deve ser o do resgate da metodologia de Kardec e da progressividade do Espiritismo, evitando que a divulgação de dadas obras e autores, pós-kardecianos, sobretudo sob a formatação de literatura mediúnica, não assuma o papel principal, sem critério de concordância, apondo enxertias e acréscimos indevidos ao conteúdo fundamental espiritista.
Sem tais balizas, corre-se o risco de validar informações inverídicas/inverossímeis quanto cair no ridículo, fazendo afirmações que, muitas vezes, em pouquíssimo tempo, serão desmentidas/desmascaradas em função de novas comunicações espirituais ou do próprio progresso material (científico) da Humanidade.
Kardec, como homem de ciência e pedagogo, cunhou este verdadeiro “certificado de qualidade”, legítima “norma de certificação” para as produções mediúnicas, no sentido da aferição da boa procedência e da utilidade das comunicações mediúnicas, sob o método científico da produção (e análise) mediúnica. Convém não nos afastarmos dele, se não desejamos que o Espiritismo se transforme em qualquer coisa, menos o que Kardec e os Espíritos Superiores desejavam: o caminho interpretativo das distintas situações da vida espiritual (física ou extra-física) e suas conseqüências no sentido do aprimoramento moral de indivíduos e Sociedades.




Cada um é livre para escrever, publicar e divulgar o que bem entenda. Mas adicionar ao conteúdo espírita "verdades" não-demonstradas, não-aferidas ou não-certificadas, é caminhar no sentido inverso da oportuna recomendação do Espírito Erasto (ao próprio Kardec): "É preferível rejeitar nove verdades do que aceitar uma única mentira".





Marcelo Henrique,de Santa Catarina,  é advogado, professor, pesquisador, palestrante e escritor espírita, concede seus conhecimentos e estudos em várias páginas no Facebook, e vídeos, é seguidor da Doutrina Espírita nos conceitos de Allan Kardec, e colabora com este blog.

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

A Religião – milagres, profecias, prodígios e dogmas irracionais. - Por Nubor Orlando Facure





Na condenação de Galileu ele foi obrigado a refugiar-se em sua própria casa e renunciar aos princípios científicos que divulgava. A Igreja da época estava dando o recado de que não suportaria a perversão dos fundamentos aristotélicos que ela adotava.
O sistema do mundo criado por Deus correspondia ao que Aristóteles e Ptolomeu haviam decifrado. “Deus como Ser supremo e onipotente, criou e pôs o mundo em movimento e, desde então, tudo funciona com perfeição e harmonia, com ou sem a sua presença”. 
“Ele estabeleceu a ordem para o Universo e nada pode mudá-la”. “As estrelas que estão fixadas e imóveis nas abóbadas do firmamento são formadas de uma substância divina diferente da que existe no mundo sublunar”. “A Terra ocupa o centro do Universo e o Sol, que vai de um extremo ao outro do horizonte, serve de lâmpada que ilumina o céu”. “Tudo que é perfeito e escapa ao entendimento humano é obra de Deus”. “O círculo é tido como a figura perfeita, submetendo os planetas a uma órbita circular nas suas trajetórias em volta do Sol”. “Não há qualquer ligação entre a vida do homem e a dos animais, eles fazem parte da criação apenas para povoarem o mundo”. “O Homem conhecido na época era o homem branco, originado de um casal criado no paraíso, de onde foi expulso por ceder à tentação do sexo”. “Condenado a viver na Terra, terá de seguir os mandamentos da Lei de Deus, que só a Igreja é competente para revelar, podendo ser salvo ou condenado a penas eternas conforme sua submissão”. 




Como doutrina que esclarece o início e o fim do Homem, a Religião da época era um sistema acabado, pronto e que não admitiria mudanças desnecessárias. Seu conteúdo era completo e suficiente para consolar e aliviar nossas dores, ensinar a tolerância aos nossos sofrimentos, justificar a incoerência aparente da Justiça divina e garantir a salvação para os fiéis submissos aos seus sacerdotes. As desigualdades também ocorrem por obra e vontade de Deus e não nos compete desafia-Lo em seus desígnios.
Conseguindo “explicar” os mistérios do mundo e da vida, as concepções religiosas desempenhavam um papel superior ao da ciência iniciante que Galileu inaugurava na época. A religião com esse formato fornece segurança, conforta no sofrimento, alivia nossos medos, faz troca com nossos “pecados” e assegura a esperança numa vida futura, onde conseguiremos obter o que a Terra não nos privilegiou.






A Ciência – o estatuto do conhecimento verdadeiro, racionalidade, indeterminação, pensamento livre para criar a sua verdade.

Galileu criou um novo sistema de entendimento do mundo, daí o perigo que ele representava para a Igreja. Usa o raciocínio matemático para comprovar as tese de Copérnico deslocando o Sol para o centro e colocando a Terra no cortejo dos planetas ao seu redor. Num mundo tido como regular e perfeito ele descobre as irregularidades da superfície lunar onde viu suas crateras. Num sistema tido como imutável ele acrescentou luas acompanhando o planeta Júpiter que não foram descritas por Aristóteles.



















Ao mesmo tempo, o alicerce da Igreja via-se abalado por novas descobertas que sucederam rápidas. Ticho Brahe testemunhou por dois meses a passagem de uma estrela nova no firmamento que a Igreja supunha fixo e invariável. Johanes Kepler comprovou matematicamente que as órbitas dos planetas são elípticas e não círculos perfeito como se supunha.














                 










René Descartes construiu um sistema filosófico que permitiria separar o corpo da Alma e André Vessálius inaugurou o estudo da anatomia humana num corpo que lhe parecia comportar-se como uma máquina, capaz de mover-se com músculos sem a ajuda do Espírito.
Mais tarde, Isaac Newton, identificou a “força atrativa” que mantém os astros em suas órbitas, que movimenta as águas dos oceanos no sobe e desce das marés e provoca a queda os corpos.
Gradativamente as “forças imateriais” que produziriam o movimento e a ordem do Universo foram reconhecidas como “forças da gravidade”. As Leis divinas que mantém a regularidade dos fenômenos físicos foram substituídas por princípios matemáticos. Os “mistérios” que sustentam a vida foram compreendidos como combustão do oxigênio, fermentação dos alimentos ou metabolismo celular. Os “espíritos animais” que transitam pelo corpo humano produzindo seus reflexos e movimentos, foram identificados quimicamente como neuro-transmissores. A regularidade dos acontecimentos foi violada pelo princípio da incerteza. O determinismo linear de uma causa para cada efeito foi abalado pela casualidade circular em que o padrão de resposta determina a intensidade da causa.











O paradoxo: “ciência como religião” – dogmas, rituais, hierarquia, o sagrado e o profano

Historicamente a Religião tem base na tradição cultural dos seus seguidores. Seu conteúdo, que orienta o comportamento dos fiéis, está redigido em textos sagrados que persistem inalterados por séculos. A linguagem ai empregada é quase sempre simbólica permitindo interpretações conflitantes. Daí a importância do sacerdote e do sistema de hierarquia que os classifica. Entre esses sacerdotes são distribuídas as regalias materiais e o poder divino que os pressupõem representantes de Deus na Terra.
Por outro lado, a construção do saber produzido pela ciência é uma conquista do esforço individual ou de um grupo de pesquisadores. Seus textos, embora redigidos em linguagem técnica, procuram ser o mais claro possível para compreensão dos interessados. A verdade é procurada exaustivamente pela observação ou pela experimentação. Textos escritos ou opiniões pronunciadas por personalidades hierarquicamente destacadas têm importância relativa e, para serem aceitas, precisarão submeter-se a comprovação realizadas por experimentadores independentes. O conhecimento cientifico tem duração relativamente curta, costumam reunirem-se em um conjunto de proposições teóricas que constituem um paradigma e, de tempos em tempos, os cientistas envolvem-se na tentativa de proporem novos e mais adequados paradigmas.
A Ciência não deixou de ocupar-se, também, com dilemas que sempre estiveram sob o domínio das religiões. Ela tem, a seu modo, uma proposta para a origem do Universo e da vida na Terra. É apropriado para a Ciência pesquisar o mecanismo que desencadeia os fenômenos, como eles acontecem, mais do que tentar explicar porque eles acontecem. Ela se ocupa minuciosamente com a causa da dor e muito pouco com o porquê do sofrimento humano. A opção da Ciência é esclarecer, mais do que consolar.
Já é aceito por todos que para fazer ciência é preciso adotar o método científico. Classicamente a pesquisa precisa estar enquadrada na liturgia do método. Usa-se a dedução ou a indução; a observação ou a experimentação. Os fenômenos estudados fornecem os elementos que, aplicados a raciocínios matemáticos, fornecem o valor da verdade descoberta.
Algumas proposições científicas já estão de tal forma comprovadas e aceitas que deverão ter a duração eterna das verdades sagradas das religiões - a gravidade existe como força de atração em todo universo - a energia tem valor inviolável, ela se transforma, mas, não se cria nem se perde – o calor tende a se dispersar, assim como toda energia do universo onde a tendência é o caos - a luz é um fenômeno eletromagnético - a matéria visível em todo universo é da mesma natureza da matéria existente na Terra - as moléculas de todas as substâncias estão em constante movimento - a variedade das espécies se deve a evolução pela seleção natural.




A Ciência Espírita - Fundamentos teóricos, controle experimental, filosofia espiritualista e conteúdo moral.

O texto da Doutrina Espírita teve início com as revelações transmitidas por Espíritos desencarnados de natureza superior, com o propósito de esclarecerem e orientarem a humanidade.
Os objetos de estudo da Doutrina Espírita incluem o mundo espiritual, os seres que o habitam, suas relações com o mundo material e as conseqüências dessa relação.
Para o Espiritismo, a grandiosidade do Universo e as leis inteligentes que o governam são provas suficientes para comprovarem a existência de Deus.
Deus é criador de tudo que existe e sua criação é incessante. Na situação evolutiva em que se encontra a humanidade, ainda não temos condições de compreender a origem do Universo e da vida na Terra. O que se tem como certo é que Deus sempre criou e sempre continuará criando.
Existem dois elementos fundamentais no Universo, o espiritual e o material. O elemento espiritual tem início como “princípio inteligente”. Essa “centelha espiritual” transita do mundo espiritual ao mundo material ocupando corpos que lhe permite evoluir na escala da vida inteligente na Terra. O Universo é preenchido por um “fluido” de natureza sutil, com propriedades que ainda escapam ao nosso entendimento. È dele que se origina toda matéria conhecida. As propriedades das substâncias só existem em função desse fluido e pela sua atuação essas propriedades podem sofrer as mais diversas alterações. A acidez ou a alcalinidade é dada pela presença desse fluido e por sua atuação um copo de água pode curar ou produzir malefícios.
Existe um propósito divino na criação. Estamos todos destinados a caminhar pela extensa fieira das existências, na Terra ou em outros mundos, buscando a condição de espíritos angélicos que um dia atingiremos.
Deus atua através de Leis que a inteligência humana irá gradativamente descobrindo. Estamos todos “mergulhados no pensamento de Deus” e nada que ocorre no Universo escapa ao seu consentimento. Somos livres para agir e obrigados a arcar com as conseqüências dos nossos atos. Cada um é responsável pelo seu próprio destino. As Leis morais são pressentidas pela consciência de todos nós e à medida que a humanidade avançar na sua evolução o Homem será cada vez mais consciente da aplicação dessas Leis. 
O mundo espiritual está permanentemente em íntimo contato com o mundo material. Um e outro processam trocas fluídicas entre si e exercem influência sobre o outro. Essa interferência recíproca é tão intensa que não há como permanecer sem sua convivência. Uma multidão de espíritos desencarnados transita com cumplicidade em todos ambientes da Terra. Eles nos acompanham e nós os atraímos compartilhando com eles nossa intimidade. Os pensamentos, que freqüentemente temos como sendo nossos, são, muitas vezes, o pensamento deles. Dentro das Leis divinas está estabelecido que atraímos para nossa companhia aqueles com quem sintonizamos nossos propósitos. O bem atrai os bons e o mal conviverá com a ignorância. 



Por envolver o mundo espiritual e os Espíritos que aí habitam, não temos controle da comunicação espiritual, e, os métodos da ciência humana, seu sistema de controle e experimentação, não se aplicam à ciência do Espírito. Entretanto, alguns homens têm em sua constituição uma disposição especial que lhes permite entrar em contato lúcido com os espíritos desencarnados. Trata-se do fenômeno da mediunidade que se registra em todos os povos e em todas as épocas da humanidade. A mediunidade é o grande campo de experimentação em que a doutrina espírita apóia-se para revelação e comprovação dos seus postulados. A expectativa futura é de que no decorrer dos séculos todos os homens possam estar conscientes do seu intercâmbio com o mundo espiritual. Os fenômenos mediúnicos explicam uma série de ocorrências frequentemente tidas como sobrenaturais ou produzidos por uma energia desconhecida. A transmissão do pensamento, a visão à distância, as premunições, a xenoglossia, a psicometria, a psicografia e a psicofonia são exemplos já bem estudados e esclarecidos pelo espiritismo.





Nubor Orlando Facure, 79, é médico, espírita, escritor, pesquisador e cientista, durante 50 anos esteve ao lado de Chico Xavier seu amigo e paciente, viveu como espírita o milagre de Uberaba MG, onde Chico Xavier passou maior parte da sua vida, praticando a caridade e o amor, conviveu e conheceu as lideranças espíritas do Brasil, recebe e-mails pelo lfacure@uol.com.br e colabora com este blog.