quarta-feira, 18 de junho de 2014

PARÁBOLA DO AMIGO IMPORTUNO - POR JULIO FLÁVIO ROSOLEN





  • “Se um de vós tiverdes um amigo e fordes procurá-lo à meia-noite e lhe disserdes: Amigo, empresta-me três pães, porque um amigo meu acaba de chegar à minha casa de uma viagem, e nada tenho para lhe oferecer: e se do interior o outro lhe responder: Não me incomodes; a porta está fechada, eu e meus filhos estamos deitados, não posso levantar-me para tos dar, digo-vos: embora não se queira levantar para lhos dar, por ser seu amigo, ao menos por causa da sua importunação se levantará e lhe dará quantos pães precisar. E eu vos digo: Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á. Pois todo o que pede, recebe; o que busca, acha; e ao que bate, abrir-se-lhe-á. Qual de vós é o pai que, se o filho pedir um peixe, lhe dará em vez de peixe uma serpente? Ou se pedir um ovo, lhe dará um escorpião? Ora se vós, sendo maus, sabeis dar boas dádivas a vossos filhos, quanto mais o vosso Pai celestial, que dará um bom Espírito aos que lho pedirem". (Lucas XI, 5-13)  

INTERPRETAÇÃO
Que o sublime Rabi nos inspire sempre para o bem.
Como há dois mil anos, a humanidade quer queira ou não, estará sempre insatisfeita, buscando algo que ela, muitas vezes, não percebe e para atender aos múltiplos pedidos que aquela multidão formulava ao Mestre, naquela tarde fria, Ele contou esta parábola.
Tinha o divino Rabi vindo do lago.
Estava cansado.



Do outro lado da margem, inúmeras pregações fizera. Ao lado de Pedro, enquanto os últimos raios de sol desapareciam no horizonte, contemplando, a princípio as águas espumantes, deixou que o seu Espírito alcançasse as esferas sublimes e entrasse, assim, em pequeno repouso.




Foi trazido à realidade, quando o pequeno barco encostou na outra margem do lago e uma multidão delirante gritava por Ele, suplicando a cura dos seus males.


Pedro, impulsivo como era, ficou zangado por terem acordado o Mestre que estava descansando e tentou impedir que a turba d’Ele se aproximasse, mas o Senhor, com um grito, impediu que ele assim fizesse e contou aos seus queridos discípulos a parábola que acabastes de ler e arrematou:


- Pedro, todos nós, ainda em caminho da redenção, somos importunos. Deixai-os vir, para que ouçam a palavra do meu Pai e que, aqueles que o merecerem, levem consigo para toda a vida as graças do reino de Deus.
Meus irmãos, minhas irmãs! Não é necessário relembrar que devem aprender a pedir.



Muitos existem que pedem impondo, exigindo quanto quer.
Para bem pedir, é preciso sentir humildade no seu coração.
Pedir, todos pedem, mas implorar de maneira a ser ouvido, a serem atendidos os seus apelos, não é tão fácil para esta humanidade dominada ainda pelo orgulho e pela vaidade.
Aquele que pede de coração tocará nas cordas sensíveis daquele a quem suplica e este, muitas vezes, a princípio contrafeito, acabará cedendo e premiando a persistência com que ele implorava.
Todos nós, na vida terrena ou espiritual, precisamos sempre de um consolo, de uma palavra amiga, de um braço que nos aconchegue, de quem enxugue as nossas lágrimas e, para encontrar essa ajuda, precisamos procura-la através da prece.



Eis porque o Mestre garante: batei e abrir-se-vos-á.
Todos, sem exceção, terão de bater à porta da caridade, primeiro, para si; uma vez transposta esta pequena porta, integrados no amor do Cristo de Deus, compreenderão que é dando que recebemos; é consolando, que somos consolados; é perdoando que somos perdoados.
Cresce, então, dentro destas almas, uma vontade infinita de subir cada vez mais, aproximando-se da fonte inesgotável de bênçãos que é o amor divino e, para isto, necessário se faz, abrir cada vez mais os braços, dando de si, sem olhar a quem, sem pensar em recompensa, sem olhar as horas, porque aquele que quer subir ao Pai tem que estar pronto a segui-Lo a qualquer hora que por misericórdia divina recebeu.
Queridos irmãos, queridas irmãs! Não vos deixeis dominar pelo orgulho e pela vaidade.


Quando sentirdes que a dor vos visita, apelai para o Mestre dos mestres. Abri os vossos corações; desabafai n’Ele as vossas mágoas sem ter medo de vos tornardes importunos, desde que analiseis o vosso pedido. Achando-o justo, não deveis temer uma negativa.
Se não fordes atendidos, é necessário que compreendais. Talvez não haja, da vossa parte, merecimento para tal.


Deixai que o tempo corra, amadureçam os vossos sentimentos e voltai a analisar o que pedistes. Estamos certos de que, muitas e muitas vezes, ficareis envergonhados de terdes mentalizado tal pedido.
Reconhecereis que, se ele viesse, se ele fosse atendido, não seria para o vosso bem e, assim, mais uma vez, é preciso reconhecer que a bondade do Pai paira acima dos nossos corações.
Deixai sempre que os vossos espíritos em prece partam para pontos luminosos do infinito para poder retornar ao casulo terrestre com mais força de vontade, com maior tenacidade nos propósitos de o bem cumprir, com mais fé nos corações.


Batei e abri-vos-á; suplicai e atender-se-vos-á.
Pedi ao Pai o conhecimento das vossas faltas, para que possais delas vos livrar e o melhor caminho é procurar junto aos vossos irmãos o conhecimento das coisas que justificam e possais com isto, sentir a misericórdia de Deus quando os vossos forem para a eternidade, uma eternidade banhada de luz, através de um trabalho profícuo em favor dos que sofrem.


Que a misericórdia de Deus ilumine os vossos caminhos para todo o sempre!

Extraído do livro: As Divinas Parábolas – Autor: Samuel (Espírito), médium: Neusa Aguiló de Souza – Centro Espírita Oriental “Antônio de Pádua”, Recife, PE – 1982, p. 121-124).




JULIO FLÁVIO ROSOLEN é Espírita, participa da Sociedade Espírita Casa do Caminho (SECCA), em Piracicaba, Estado de São Paulo, casado com a professora e espírita Jussara Rosolen, é Coronel (da reserva) do Corpo de Bombeiros e colabora com o nosso Blog.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

SEMINÁRIO FRATERNO DE ESTUDOS ESPÍRITAS -


6º SEFRATE
Seminário Fraterno de Estudos Espíritas
- Jaú -

Realização:
ADE – Regional Jaú
Associação de Divulgadores do Espiritismo 

19 e 20 de Setembro de 2014


Tema central:
A irresistível força do bem


Dia 19 – sexta-feira | 19 horas
Palestra com Dr. Pedro Bonilha – Jales | SP
Com a presença do Coral O Consolador de Araraquara


Dia 20 – sábado | 14 horas
Palestras com Edson Sardano – Santo André | SP e
Dr. Pedro Bonilha – Jales | SP
Com presença do Coral Alegria de São Manoel

No evento haverá o lançamento do livro
“Fidelidade Espírita” de Roosevelt A. Tiago

Local:
Auditório do SINCOMERCIO 
Sindicato do Comercio Varejista de Jaú e Região
Rua Rolando D'Amico, 381 - Vila Assis
Jaú – SP 
Telefone: 14-3622-5883


Informações:
www.adejau.com.br



Entrada franca!
Convite aberto para todas as pessoas.

domingo, 15 de junho de 2014

UMA DECLARAÇÃO DE AMOR - POR ORSON PETER CARRARA





Você conhece Tales e Nelly? Ele, 76 anos; ela, 74. Um amor construído ao longo de larga convivência, com os filhos e netos que vieram, e que nasceu durante o velório dos pais de Tales, mortos em acidente automobilístico. Os pais eram sócios durante a infância dos filhos, se desentenderam, ficando um clima difícil entre as famílias e especialmente na pequena cidade onde todos se conheciam. Tales e Nelly tiveram pouco relacionamento durante a infância e a adolescência, mas o reencontro na troca de olhares durante o triste episódio da partida dos pais do rapaz, desencadeou uma série de novos encontros que culminaram com o casamento e especialmente com a paz entre as duas famílias.
Mas Nelly morreu primeiro. Um AVC levou a esposa de Tales que, sem revolta, mas com imensa tristeza, continuou sua vida de homem bom – sempre voltado às causas de servir o próximo. Dessa postura cristã surgem os desdobramentos que lhe permitiram colher resultados felizes mesmo na ausência da esposa querida, com emoções que vão surpreender o leitor.
Sim, refiro-me ao romance Uma declaração de amor, do notável amigo e escritor Wilson Frungilo Jr., de Araras-SP, um especialista em textos que não deixam a gente parar de ler, tamanho o envolvimento que vai criando em nossa mente, na expectativa de saber o que vem pelas próximas páginas e nos capítulos seguintes.
Ocorre que os personagens não enganaram a morte, apenas acreditaram na vida. Utilizando-se da possibilidade da emancipação da alma durante o sono do corpo, Tales passou a encontrar-se com Nelly. Embora não se recordasse dos diálogos que mantinham, quando acordava no dia seguinte, tais encontros aliviavam a saudade de ambos e traziam conforto especialmente ao viúvo que continuava sua vida com os afazeres normais do cotidiano.
Com um final emocionante, inimaginável conforme se segue a leitura – mas perfeitamente possível e explicado pelas já conhecidas leis de comunicação entre os dois planos de vida – o belo romance é um refrigério para a alma humana nesses tempos bicudos de preocupações, tal a emoção que traz ao coração nos suaves contornos da esperança e no poderoso estímulo para a conduta honesta e volta para o bem de si mesmo e do próximo.
Não resisti ao desejo de sugerir o romance ao leitor. É um livro que todo mundo deve ler. Seu conteúdo muito sensibiliza, traz inúmeras explicações sobre a velha e dolorida questão da separação de entes queridos pelo fenômeno biológico da morte e reacende de forma expressiva as esperanças de quem está saudoso e sofrido pela partida do ente querido.
Não deixe de ler leitor. Você mesmo vai me dizer posteriormente. Você pode adquiri-lo pelo fone 0800 707 1206 ou pelo site www.candeia.com . Basta citar o nome do livro, do autor, acima referidos. A editora é o IDE.



Orson Carrara, é escritor, espírita, palestrante, e colabora com este blog semanalmente, está no Facebook com seu Orson Carrara, e atende e-mails pelo orsonpeter92@gmail.com

sexta-feira, 6 de junho de 2014

NÃO É O FUTEBOL - POR ORSON PETER CARRARA








O problema não é o futebol. Ele é o esporte mais popular do Brasil, é saudável, afasta jovens e crianças das drogas, é educativo, abre perspectivas de vida para muitos jovens carentes que encontram no esporte seu caminho de vida, retirando inclusive famílias da miséria. Além dos benefícios físicos, é um esporte como os demais e ganhou dimensões destacadas no país especialmente com a era Pelé e outros grandes craques.
Em termos de Copa do Mundo, os fundamentos e ideologia do esperado campeonato internacional igualmente traduzem objetivos nobres com o intercâmbio entre as nações, em todos os aspectos, principalmente o cultural.
O problema está mesmo nos abusos e nas manipulações que fazem a vergonha neste como em outros esportes, fruto das imperfeições morais de nosso estágio humano, ainda caracterizado pela noção de tirar vantagem e dirigido pelo egoísmo galopante que gera a corrupção. E no caso da Copa no Brasil, convenhamos que foi um equívoco histórico face às dificuldades do país, a ponto de perder o encanto a Copa vir para o país e mesmo se a seleção foi desclassificada.
Não é para menos. Os sinais de supostos desvios, superfaturamento e toda sorte de corrupção supostamente envolvidos enojaram o evento.
É lamentável o abuso que se alcançou. Com tanta necessidade de investimentos em escolas, construção ou reforma – e o mesmo pode-se dizer dos hospitais, bem como em segurança e tantas outras necessidades gritantes, é inadmissível o bilionário investimento em estádios – que poderiam ser apenas melhorados, em detrimento de tanto que ainda falta fazer pelo país. Nem é preciso elencar aqui em termos explícitos as necessidades que o país apresenta, pois que bem conhecido de nossa realidade cotidiana.
Isso chega ser tremenda irresponsabilidade. E isso sem dizer de tantas outras iniciativas mal explicadas. Na verdade queremos, em termos de nação, mostrar o que não somos.
Mas isso não é desanimador. Ao contrário, é estimulante para o amadurecimento da razão e do bom senso. Os fatos agora acumulam os desacertos e pedem coerência nas escolhas e decisões. Vai ser uma dura lição, de alto custo para o país, com reflexos para décadas. Em síntese vivemos uma prova moral, que visa transformar-nos para o bem.
Pelo menos vamos amadurecer mais um pouco. E por outro lado o descuido infantil de nossas lideranças políticas solicita ao sentimento cristão vibrações em favor do equilíbrio e recuperação moral desses que já se comprometeram perante si mesmos, cuja consciência vai exigir reparação no devido tempo.
E aqueles que tenhamos consciência cristã somos convidados a não engrossar a fileira dos críticos e sim somar forças nas preces e visualizações positivas em favor da Pátria, pelo menos por gratidão ao tesouro de aqui termos sido acolhidos. Este extraordinário país, de imensas riquezas culturais, naturais, sua diversidade que acolhe todos os povos e crenças, além de sua beleza continental, nos pede a prudência que prossegue confiante. Afinal a condução do país não está em mãos que julgam tudo poder, mas nas sábias mãos do Cristo que conduz a vida no planeta e, por consequência, no país. Confiemos! E continuemos a trabalhar. 
Será de muita utilidade buscar na letra e música do Hino Nacional – não apenas por ocasião de jogos de futebol – a inspiração que indica a proposta de trabalho no país, também muito bem representada no lema que brilha em nossa bandeira: Ordem e Progresso. Se pensarmos com cuidado e muita seriedade que o lema traz em síntese as sábias e amorosas Leis de Deus! O descuido ao lema e ao que representa trouxe-nos ao momento complexo e difícil, mas nunca é tarde para retomar os próprios caminhos, inclusive coletivamente.
Sem desânimo, pois. Avante Brasil! 



  Orson Peter Carrara, é espírita, palestrante, escritor, e divulgador da doutrina espírita, colabora semanalmente com nosso blog, no Facebook atende por Orson Carrara, e emails para contato e comentário sobre este texto e outro para orsonpeter92@gmail.com



domingo, 1 de junho de 2014

O PRÍNCIPE ENCANTADO - POR RICHARD SIMONETTI






Dizia estar à procura de seu príncipe encantado.
Só que o fazia de forma errada, cultivando experiências amorosas promíscuas, em atividade inconsequente e comprometedora.
Os familiares preocupavam-se. Sua mãe a aconselhava. O pai aborrecia-se. Os irmãos faziam ameaças... Tudo inútil.
– Sou independente, maior de idade, dona de meu nariz – retrucava Marta, julgando-se gente, só porque, aos 22 anos, concluíra a Faculdade, tinha bom emprego, bela aparência, numerosos admiradores.
E petulante, contestadora:
Considero-me uma mulher liberada, com direito de relacionar-me afetivamente com quem desejar. Casar-me-ei um dia, terei filhos, mas só quando encontrar meu príncipe. O modo como o procuro é problema meu! Não me aborreçam!...
Um dia engravidou.
A primeira reação: abortar.


Chegou a procurar um médico amigo.  Não conseguiu, entretanto, consumar o ato criminoso. Estranhamente, o pequenino ser que levava em suas entranhas a sensibilizara.
Não sabia explicar exatamente o que ocorria, mas sentia, com todas as forças de sua Alma, que desejava aquele filho.
Na medida em que a gestação avançou, foi forçada a informar a família.
Os pais ficaram horrorizados. Era preciso tirar a criança. Família bem posta na sociedade, seria uma vergonha...
Marta resistiu com a desenvoltura de sempre. O filho era seu. Ficaria com ele. Devotava-lhe, desde o início, incontido amor.
Desejava, ardentemente, tê-lo em seus braços. Iria embora se insistissem! Jamais renunciaria à criança!...
Os familiares, que a conheciam suficientemente, concluíram que seria inútil tentar demovê-la e decidiram assumir a situação.
Com o passar do tempo, observaram, agradavelmente surpresos, que, acompanhando a evolução da gestação, a jovem passava por radical transformação.
Tornou-se mais comedida, já não saía tanto, deixou a bebida e o cigarro, afastou-se de amizades indesejáveis, perdeu o contato com os rapazes...
Apesar dos percalços, a criança que estava por vir atuava providencialmente em seu benefício.


Finalmente chegou o grande dia. Experimentando as primeiras contrações, Marta foi levada ao hospital. Atendida prontamente, em breve nascia um belo menino, sorridente e calmo.
Toda a família logo se tomou de amores por ele, particularmente a jovem, que, sem o saber, detinha nos braços seu “príncipe encantado”, nobre entidade espiritual ligada a ela desde recuada época. Viera em seu socorro para afastá-la da inconsequência...

***

Há Espíritos que retornam à carne em experiências sacrificiais.
Embora as abençoadas oportunidades de aprendizado, suas existências são marcadas, sobretudo, pelo compromisso maior de auxiliar companheiros retardatários.
Sua presença desperta neles incontidos anseios do coração, ajudando-os a afastarem-se de perigosas ilusões.

Doações ao Albergue e Núcleos de Periferia
Atendimento de favelados, migrantes e população de rua
Móveis, roupas, gêneros alimentícios, utensílios domésticos.
Ligue para 3366 3232
Ouça Diálogos Espíritas Rádio Bandeirantes, sábados, 11 horas
Sintonize  www.radioceac.com.br 24 horas no ar





Médium, espíria, palestrante, aos quase 80 anos, viaja pelo Brasil e o Mundo divulgando suas obras, e a dourina denro da codificação de Allan Kardec, é tido como um dos grandes espíritas de nosso tempo, colabora com o blog e mantém página no Facebook como Richard Simonetti.



quinta-feira, 22 de maio de 2014

METANEUROLOGIA UMA VISÃO ESPIRITUAL DO CÉREBRO - POR NUBOR ORLANDO FACURE




As novas áreas
O estudo de crânios fósseis está acumulando revelações surpreendentes sobre o cérebro de animais que viveram há milhões de anos. Essa nova especialidade, a neuropaleontologia, estuda pequenos sinais marcados no crânio desses animais. A expansão do cérebro com o uso predominante da mão direita, o aprimoramento da visão em detrimento do olfato, a capacidade de produzir ferramentas e o desenvolvimento das áreas da linguagem, reflete no crânio mudanças em determinadas áreas que podemos observar mais tarde, milhares de anos depois.




A partir dos anos setenta do Século passado os cientistas perceberam que poderiam estudar o cérebro visualizando seus mecanismos biológicos. Fenômenos tão complexos como a memória, a atenção e a linguagem são analisados, agora, partir dos neurônios, suas sinapses, os neurotransmissores, as redes neurais e os sistemas modulares comprometidos com essas funções. Foi criada assim a neurociência cognitiva, cujo propósito é revelar quais os fenômenos biológicos acontecidos no cérebro estão relacionados a determinados fenômenos psicológicos.
Outro belo estudo ocorreu analisando comportamentos que ocorrem em animais de diversos níveis evolutivos, os estudiosos criaram a psicologia evolucionista e, quantificando a participação do patrimônio genético ligado a esses comportamentos desenvolveu-se a genética comportamental.
O progresso nas neurociências aplicando a Ressonância Cerebral revelou funções cerebrais jamais suspeitadas. Hoje conhecemos grupos de neurônios ligados ao prazer, ao livre-arbítrio, a tomada de decisões, à teoria de mante, aos neurônios em espelhos, ao neurônio Avó, aos neurônios para cada palavra ou mesmo cada letra. Até mesmo a espiritualidade, que se revela em matizes variados em cada um de nós, está sendo estudada neurologicamente. Denominamos de neuroteologia a área que vem identificando a atividade cerebral que se relaciona a esse tipo de sentimento transcendente.





Como estudar o cérebro?
Antigamente buscávamos descobrir os módulos cerebrais – cada área parecia ter uma função. Hoje sabemos que o cérebro trabalha mobilizando múltiplas funções, integrando áreas e organizando-as dentro de sistemas hierarquizados. Sistemas motores, sensoriais, visuais, auditivos, emoção, etc. Um fenômeno simples como sentir o efeito da picada de uma agulha tem um local anatômico preciso numa região cerebral ligada à sensibilidade dolorosa, mas, sua repercussão psicológica mobiliza diversas áreas para identificar o significado dessa picada. Por outro lado, funções complexas como a linguagem, o cálculo, a escrita, a memória e a tomada de decisões exigem desde seu início, a integração de várias regiões anatômicas e, cada um desses procedimentos pode recrutar caminhos diversos para sua execução.
A interpretação de cada um dos fenômenos cerebrais que conhecemos, ainda exige o raciocínio reducionista usado pelo método científico. Numa determinada área cerebral que motiva nosso interesse, podemos estudar as vias de entrada e saída dos seus feixes de fibras nervosas e ampliar com o microscópio o estudo dos seus neurônios. O neurônio, por sua vez, nos revelará suas membranas, seus receptores e sua química que dispara a comunicação com seus milhares de vizinhos. A composição química dos neurotransmissores já está identificada em dezenas de substâncias que os compõem. Já temos métodos bioquímicos para identificar sua produção e distribuição em regiões particulares do cérebro. Conhecemos, por exemplo, por onde circula a serotonina, a noradrenalina e a dopamina em diversas regiões cerebrais.
No estudo das funções complexas, que todos nós usamos diariamente, podem ser seguidas no caminho inverso. Agregamos funções de diversas áreas na tentativa de compreender toda complexidade que envolve o fenômeno. A memória, a linguagem e as emoções são ótimos exemplos para exigir nossa reflexão sobre sua apresentação multiforme. O que nos faz lembrar e esquecer? Porque a criança expande tão rapidamente o seu vocabulário e o adulto tem enorme dificuldade de aprender uma segunda língua? Como conseguimos lembrar de um rosto familiar no meio de uma multidão? Quantas regiões do cérebro usamos na hora de fazer um discurso de improviso? Porque certas coisas nos faz rir, outra nos faz chorar e uma terceira nos provoca grande surto de raiva?




O estudo da Mente
As diversas áreas das neurociências estão, reconhecidamente, produzindo um avanço extraordinário na interpretação do cérebro e da mente, entretanto, ainda estão longe da fronteira final. A Física já se consolidou com Teorias que funcionam muito bem no seu papel de explicar o mundo físico. A relação de identidade entre energia e matéria unificou princípios fundamentais entre essas Teorias. A Biologia já construiu seus fundamentos básicos ao descobrir a célula, a evolução das espécies e o DNA, mas, a psicologia, pretendendo estudar a mente, só produziu até agora Teorias provisórias e nenhuma com certificado de validade. Temos de reconhecer que ainda estamos longe de contar com uma Teoria unificadora para explicar mente.

O Corpo Mental
Quando escrevi sobre o “corpo mental” tive a intenção de trazer para a neurologia estudo clínico que pode introduzir um novo paradigma no conhecimento da mente. Estou chamando este conhecimento neurológico que estuda nossa dimensão extrafísica de metaneurologia.

Vamos rever um pouco da Neurologia Clássica
Consideremos as funções cerebrais cujos mecanismos já estão razoavelmente conhecidos:
A visão de um objeto – A luz que reflete nesse objeto se projeta aos nossos olhos sinalizando os neurônios na retina. A partir daí o estímulo nervoso percorre vias anatômica que levam este estímulo até ao córtex visual. Distribuídos em camadas concêntricas como uma casca de cebola, os neurônios codificam em áreas próximas, cada uma das particularidades do objeto a ser visualizado. Assim é que temos um local específico para ver a forma do objeto, outro local para ver sua cor e outro ainda para perceber seus movimentos. Esse objeto pode ser, por exemplo, a mão de alguém nos chamando. Depois disso temos pela frente um grande enigma: como o cérebro junta essas informações decompostas – a forma, a cor e o movimento, em um único objeto acompanhado do seu significado, ou seja, o reconhecimento de um objeto que nos é familiar ou não.




Vamos falar da memória – Todos sabem que temos uma memória de curto prazo, que nos serve para as resoluções do cotidiano. Qual meu compromisso hoje? O que acabo de ver na televisão? Quando minha mulher perguntou, que hora eu disse que voltaria para casa? Temos também uma memória de longo prazo. Quem são meus pais, onde nasci e que remédio eu uso para dor de cabeça. Essa memória pode ser resgatada parcialmente a partir de certo esforço. Podemos nos lembrar de cenas que vivenciamos na última viagem de férias. Outras vezes essa memória é traiçoeira e nos deixa na mão não nos permitindo lembrar do nome de um amigo. Estudos sistemáticos sobre o resgate de memória têm confirmando que todo relado de fatos memorizados estão impregnados de imaginação. Podemos confirmar, também, que a gente não se lembra do que aconteceu, na verdade, lembramos do que pensamos ter acontecido. Os cientistas da mente estão usando a expressão “facção” para nomear essa mistura de fatos com ficção. E nossa memória é generosa em criar essa mistura explosiva.
A linguagem falada – Em 1867, Paul Broca, confirmou que o giro frontal inferior do hemisfério esquerdo está relacionado com a emissão da linguagem falada e, alguns anos mais tarde, Carls Wernick, relacionou a compressão da linguagem a uma área situada um pouco mais atrás, no lobo parietal esquerdo. A partir daí, com acréscimos de eminentes neurologistas como Pierre Marie, ficou delimitado um “quadrilátero”, com estruturas corticais e sub-corticais relacionados com nossa capacidade de revelar nosso pensamento pela linguagem falada e sermos compreendidos pelos que nos ouve. Noan Chronski, sugere que a criança nasce com um módulo gramatical que lhe facilita aprender qualquer uma das línguas humana. O estímulo do ambiente e a cultura de cada povo vão acrescentando o vocabulário que sedimenta na criança a língua materna.
A escrita – atividades motoras simples como estender a perna, pode ser realizada com o reflexo patelar, envolvendo teoricamente dois neurônios – uma para estimular o reflexo e outro para elaborar a resposta. Apertar a mão já exige certa dose de intencionalidade e, escrever um texto, implica em uma capacidade especial para se criar uma idéia, produzi-la em um texto com palavra e se utilizar de um instrumento como a caneta ou o computador para transcrevê-lo.
O diálogo humano – manter uma conversação com um amigo que acaba de chegar vai nos obrigar a mobilizar uma série de idéias e transmiti-las em palavras. Esse amigo pode nos perguntar: Que carro você tem agora? Eu, quase que imediatamente, respondo: Um Honda Cyvic verde. Daí a pouco nós dois escutamos a voz de minha esposa fazendo a correção - O Honda verde era o carro do ano passado, agora temos um Honda preto. Fui traído pela distração e pela falha da memória. 
Os sonhos – a neurologia já nos esclareceu os ritmos que transitamos durante o sono e alguns mecanismos químicos ligados a ele. Já foram identificados centros no hipotálamo estimulam o lobo frontal nos mantendo acordados e núcleos de neurônios situados na ponte que nos induz ao sono. Sabemos, também, que durante alguns períodos de sono, os olhos se movimentam, revelando que neste instante estamos sonhando. Dormir e sonhar são indispensáveis à nossa própria sobrevivência. Conseguimos ficar mais tempo sem comer do que sem dormir. O sonhar está intimamente relacionado com a consolidação de memórias. A nossa véspera não será lembrada se não dormimos e produzirmos sonhos, alguns deles ligados aos últimos momentos da festa que nos animava. Nos pacientes com doença mental quase sempre seu padrão de sono está alterado.

O estudo da mente 
Grande parte da atividade cerebral é fácil de ser reconhecida e definida. Por exemplo:
Reflexos, são respostas que o sistema nervoso produz reagindo a estímulos. 
Comportamentos, podem ser reduzidos a um conjunto de atitudes. Emoção, é um estado de humor. 
Entretanto, quando pretendemos definir mente, não haverá termos competentes nem acordo entre os especialistas. Classicamente a mente é vista como um conjunto de funções complexas que inclui memória, percepção, linguagem, consciência e emoção. De qualquer maneira, a mente seria o produto de atividade complexa do cérebro.
A neurologia entende que para todos os fenômenos psicológicos existe um substrato biológico que se expressa e revela na atividade cerebral: Neurônios que se despolarizam, circuitos que se organizam em redes, áreas cerebrais que se especializam em movimentos e sensações e, regiões que se agrupam compondo funções mais ou menos complexas construindo a memória e compondo a linguagem. A mente seria resultado imanente dessa atividade complexa do cérebro. Sem o cérebro não existiria a mente.





O Corpo Mental
Minha proposta sobre o “corpo mental” se baseia em evidências clínicas. Exemplos neurológicos sugerem a existência de um corpo que compõe, constrói e expressa os fenômenos da mente. Com a “meta neurologia” pretendemos sedimentar a idéia de que podemos investigar e acrescentar, paulatinamente, conhecimento sobre a anatomia e a fisiologia desse “corpo mental”.
A neurologia conseguiu fragmentar diversas funções cerebrais. Sabemos, por exemplo, onde o cérebro decodifica a características físicas de um objeto, mas, não sabemos como o cérebro faz a integração dessas informações. Como o cérebro integra nossas memórias para nos fornecer uma identidade única e permanente?
O “corpo mental” pode resolver todas essas questões.
A investigação do que ocorre em quadros clínicos como na histeria, no transe sonambúlico, na narcolepsia, no membro fantasma, nos permite acreditar na existência de uma fisiologia específica desse “corpo Mental”. Assim, podemos considerar que ele não se aprisiona nos limites do nosso corpo físico; não se restringe aos circuitos e vias da anatomia cerebral e circula por ambientes que transcendem a realidade física que conhecemos.







Funções do “corpo mental”

A visão – O olho humano registra o impulso luminoso que nos permite identificar os objetos a nossa volta. O “corpo mental” vê sem a necessidade de luz. Ele se apodera das propriedades dos objetos. Vamos considerar que estamos diante de uma moeda. Com nossos olhos vamos saber do seu tamanho, cor, forma, talvez a sua procedência e o seu valor. Vamos dizer que se trata de uma moeda do tempo do Império. Com o “corpo mental”, independente da luminosidade que clareia a moeda, vamos identificar, além das características físicas relatadas, podemos registrar todos acontecimentos relacionados com esta moeda. O ambiente da sua fabricação e as mãos por onde ela foi negociada inúmeras vezes. O “corpo mental” registra os aspectos físicos e os eventos psicológicos a ela relacionados.
O olho humano, não é o instrumento de visão do “corpo mental”. Como o que ele detecta é a vibração dos corpos, os objetos são percebidos em qualquer parte do “corpo mental” como, por exemplo, as pontas dos dedos que tocam este objeto.
A linguagem falada – a capacidade para falar, ler e escrever estão intimamente inter-relacionadas. Para cada uma destas funções o cérebro usa um conjunto de módulos que se ligam por vias de associação. A criança aprende a falar ouvindo as pessoas à sua volta aumentando progressivamente o seu vocabulário. Para ler e escrever ela terá que absorver o significado dos símbolos que representam as coisas e as idéias traduzidas em palavras. Existem quadros clínicos em pacientes neurológicos que ilustram didaticamente o comportamento dessas funções. Temos lesões capazes de produzirem incapacidade para reconhecer as palavras – agnosia visual; para escrever – agrafia; para ler – dislexia e para falar – afasia. No corpo mental essas capacidades estão ligadas à percepção do conteúdo mental das idéias, independente da forma como elas são expressas. Vamos agora considerar que estamos diante de um livro. Precisamos ler todo seu conteúdo para nos inteirarmos do seu conteúdo. Com o “corpo mental” nos apoderamos das idéias expressas no livro, dos eventos com ele relacionados e com seu autor.
A memória – O indivíduo comum é capaz de memorizar uma seqüência de sete números, retém alguns telefones familiares, sabe endereço de alguns amigos, lembra de seus nomes e é capaz de relatar o que fez nos últimos dias. Quando faz relatos de eventos antigos como festas ou encontros com amigos, os relata de maneira mais ou menos incompleta, ressaltando que alguns desses encontros ficaram mais marcados e são tidos como inesquecíveis. Cada um desses relatos, quando são confrontados com o testemunho de terceiros, tem sempre o colorido de outras versões mais ou menos enfáticas. Descrever uma festa de formatura tem tantas versões quanto o número de formandos.
A memória de um computador nos permite abrir um texto já escrito e revisa-lo para corrigir ou acrescentar detalhes. A memória do “corpo mental” nos permite abrir o cenário do ambiente vivido durante os acontecimentos que presenciamos. Ele nos permite reviver o passado como se o trouxéssemos para o presente. Vivenciando um fato por uma segunda vez podemos acrescentar elementos que não nos tínhamos dado conta na primeira ocasião em que ocorreu. Um detetive poderia rever um assalto e dessa vez anotar a placa do carro que vira sair fugindo.
Os sonhos – O “corpo mental” não é prisioneiro do corpo físico e, durante o sono, ele tem possibilidade de se libertar mais ou menos parcialmente. A emancipação do “corpo mental” facilitada pelo sono põe o “corpo mental” diante de outras realidades que ele apreende conforme seu nível de conhecimento. Uma pessoa inexperiente colocada diante de um ambiente desconhecido perceberá muito pouco do que está presenciando. Sem experiência ficaremos totalmente perdidos na UTI de um hospital, no meio de uma mata fechada, no comando de um avião ou entre a multidão em um país estranho. E, será assim que essas vivências terão de ser relatadas após passarem pelo filtro do cérebro físico. É esse o conteúdo extraordinário dos sonhos, uma percepção espiritual filtrada pelo cérebro físico. Vez por outra, em situações especiais, conseguiremos registrar uma cópia fiel de acontecimentos que vivenciamos sonhando fixando-a com completa lucidez. 
A mente – Temos como hipótese, que, a mente é uma entidade que se corporifica numa estrutura organizada que denominamos “corpo mental”. Esse corpo tem existência extra-cerebral e propriedades que se diferenciam das funções cerebrais conhecidas. 
A semiologia neurológica, analisando determinados quadros clínicos, pode revelar funções que confirmam claramente a existência do “corpo mental”. Podemos perceber que a fisiologia do “corpo mental” nos dá informações confiáveis que o situa para além do cérebro físico. Explorando suas memórias podemos reviver claramente o passado. Confirmamos que sua sensibilidade é afetada pela vibração das substâncias. Sua forma de percepção nos possibilita contato com o conteúdo e significado dos objetos, mais do que com a forma e, a linguagem se processa pela transmissão de idéias.
O “corpo mental” inaugura um novo paradigma para a neurociência clínica.






Nubor Orlando Facure, 74 anos, é neurologista, um dos maiores estudiosos do cérebro Humano, é espírita, escreveu várias obras sobre a mente e o cérebro, e também sobre a doutrina espírita, durante 50 anos esteve acompanhando seu amigo pessoal Chico Xavier, é figura de alto respeito tanto na Medicina, onde estudou com Waldo Vieira, ex parceiro de Chico Xavier, hoje líder de uma ciência futurista não sendo mais espírita, porém considerado uma das mentes brilhantes da doutrina e da medicina. Nubor Orlando Facure, mantém uma página no Facebook onde atende quando é possível seus amigos, e fãns pelo Brasil e pelo Mundo, o email é Lfacure@uol.com.br

sexta-feira, 16 de maio de 2014

A DIMENSÃO ESPIRITUAL E A SAÚDE DA ALMA - POR NUBOR ORLANDO FACURE




As organizações médicas de hoje definem a Saúde como um bem estar físico, psíquico e social – e alguns grupos médicos passaram a incluir o elemento espiritual nessa definição.
Uma das situações mais graves por que passa a humanidade nos dias de hoje é a doença social nos seus múltiplos aspectos. A fome, a violência, a intolerância religiosa, o preconceito social com seus inúmeros matizes e toda sorte de mazelas que, freqüentemente, nos colocam uns contra os outros. Se lançássemos mão dos recursos tecnológicos que já dispomos, não teríamos porque conviver com a fome e com inúmeras doenças que já sabemos como nos prevenir e tratar. Ainda não sabemos ser solidários uns com os outros para distribuirmos os recursos necessários para o bem estar de todas as nações e ainda não aprendemos a reconhecer que o Homem é a causa do seu próprio sofrimento.
Quase sempre procuramos encontrar do lado de fora a origem das nossas doenças, sem olhar por dentro e perceber que foram as nossas próprias escolhas que traçaram o rumo que a vida parece nos levar. São poucos os que se empenham em abandonar os pequenos vícios, em ajustar os comportamentos afetivos evitando magoar os familiares mais próximos, e quando mal percebemos estamos às voltas com a úlcera, a hipertensão, a diabete ou as dores reumáticas.




É urgente reconhecermos que todas as doenças, no fundo pertencem à Alma, são produtos da nossa mente antes de se expressarem no corpo físico que as reflete.
Por outro lado, as doenças não podem ser vistas como castigo ou punição. Precisamos descobrir em todas elas uma oportunidade de recomposição das nossas energias espirituais e reconstrução do perispírito que nossa irresponsabilidade permitiu ultrajar.
Todos nós nos posicionamos ansiosos para curar qualquer mal estar que nos afeta. Lamentamos e fazemos mil promessas de renovação diante de uma ou outra doença mais grave. Nos esquecemos, porém, que mais importante que a cura é a iluminação do espírito, seu crescimento diante da dor, avançar espiritualmente é tão importante como sarar as moléstias do corpo. As dificuldades com as doenças são provas que nos aprimoram ensinando-nos a superar obstáculos. O aprendizado diante das doenças é extraordinário quando sabemos identificar suas lições.
Não propomos qualquer atitude de estoicismo para suportar resiguinadamente as dores que nos afetam. O sofrimento oferece a oportunidade de superação e de autoconhecimento, é essa a lição que está subentendida nas dificuldades que as doenças nos faz percorrer.




A dimensão espiritual

A Espiritualidade pode ser percebida pelo ser humano dentro de dois contextos:
1 - Uma manifestação subjetiva que o faz crer em sua transcendência
2 - Uma dimensão objetiva situada além dos limites que seus sentidos sugerem.
Uma avaliação científica destes dois domínios ainda esbarra nos preconceitos religiosos e nas ilusões de teorias pseudocientíficas.
Admitindo um paradigma espiritualista, devemos considerar que o ser humano é uma entidade espiritual, sua Alma é imortal e atua e dirigindo toda fisiologia do corpo físico. Esta atuação se exerce através de um corpo intermediário, denominado de corpo espiritual ou períspirito, o qual, estabelece sintonia vibratória com o corpo físico.
A Alma é livre para transitar pelas dimensões do mundo espiritual mantendo uma ligação mais ou menos parcial com o corpo físico e a morte significa a rotura definitiva desta ligação.
A Alma desencarnada passa a conviver no mundo espiritual com outros Espíritos que a precederam no desencarne. Por sua vez, os Espíritos desencarnados participam e atuam constantemente em nossas vidas conhecendo e interferindo intimamente em nossos pensamentos e decisões.
A partir destas afirmações, que consideramos fundamentais, podemos enumerar diversos campos de pesquisa que usando metodologia científica podemos investigar:

1 - A psicometria da espiritualidade
2 - As doenças espirituais
3 - As crises psíquicas
4 - Os desdobramentos patológicos
5 - A noção de uma presença







A Espiritualidade

A dimensão espiritual que está implícita na natureza humana é aceita por uns, mas, não por outros. Aquilo que permite alguém ter acesso a esta dimensão poderá não ter nenhum significado para aquele que não admite a sua existência. Cada indivíduo pode ser caracterizado, por sua religiosidade,
suas crenças particulares e práticas relativas a sua religião, sem, no entanto,
manterem um vínculo elevado com a espiritualidade.
A vivência espiritual comumente é uma experiência subjetiva, individual, particular, que algumas vezes pode ser compartilhada com os outros. Algumas pessoas experienciam sua espiritualidade como um assunto altamente pessoal e privado, focalizando elementos intangíveis que os suprem de vitalidade e grande significado em suas vidas. Espiritualidade não envolve religião necessariamente.
Cada pessoa define sua espiritualidade particularmente. Ela deve ser vista como um atributo do indivíduo dentro de um conceito complexo e multidimensional. Possivelmente tem alguma coisa a ver com caráter, com personalidade e com cultura.
Para uns, a espiritualidade se manifesta ou é vivenciada em um momento de ganhos materiais prazerosos tão simples como, pisar na relva descalço ou caminhar pela noite solitário, para outros, será um momento de contemplação, de meditação, uma reflexão profunda sobre o sentido da vida, uma sensação de íntima conecção com o que pensa amar ou um contacto psíquico com seres espirituais.

Psicometria da Espiritualidade

Podemos perceber que a espiritualidade se manifesta em três domínios pelos quais poderemos sistematizar sua avaliação com critérios científicos: os domínios da “prática”, das “crenças” e o da própria “experiência espiritual”.
Na “prática”, quando se exercita a contemplação, a meditação, a prece ou uma atividade de culto religioso. Esta participação prática pode ser individual ou em grupo. Pode ser expontânea e informal como a que cada um pode realizar na intimidade do seu lar ou pode seguir os rituais ou a liturgia das casas de oração que as diversas igrejas construíram para o encontro com seus fiéis.
O domínio das “crenças” espirituais varia com a cultura dos povos e inclui a crença na existência de Deus, da Alma, da vida após a morte e da realidade da dimensão espiritual para além do nosso conhecimento sensorial e intelectual. Está ligada à fé de cada um e nenhum outro pode aquilatar a sua extensão.
Por fim, no domínio da “experiência espiritual” há uma série enorme de situações que parecem sugerir “contacto direto” com a espiritualidade. Incluem-se aqui, por exemplo, aquelas vivências rotineiras, representadas pelo encontro íntimo e pessoal que cada um faz com o transcendente e o sagrado. É o diálogo interior que cada um faz com o seu Deus ou com quem o representa. Outras “experiências” incluem aqueles quadros freqüentemente mais dramáticos, quase sempre súbitos, acompanhados de forte transformação pessoal que se seguem a um acontecimento psíquico marcante na vida. São casos de envolvimento dramático com acidentes ou situações de alto risco como uma cirurgia cardíaca nas quais o paciente sentiu a ameaça de morte eminente. De maior expressividade ainda, incluem-se , entre outros, os relatos de “experiências de quase morte” (near death experience) e as “projeções fora do corpo físico” (out of body experience) nas quais, o indivíduo transita com sua consciência por outras dimensões, vivenciando a plenitude da vida espiritual . 




A Mediunidade

Podemos afirmar que, em termos de “experiência espiritual”, nada supera a mediunidade. Entre nós, parece que a espiritualidade convive dentro de casa dirigindo cada passo de nossas vidas. Pelos nossos médiuns, os recados do outro lado tem sido tão freqüente, que as portas da morte não isolam mais nosso contacto com os que mais amamos. Estamos diante de um “campo de experimentação” extraordinário onde é corriqueira a comprovação da intercomunicação entre nós e o “outro lado da vida”. 

Doenças Espirituais

Assim como a saúde tem a ver com espiritualidade, a doença também tem ligação estreita com ela. Pode-se dizer, na verdade, que toda doença tem uma razão ou uma motivação espiritual. Dentro de um critério que leva em conta a fisiopatogenia das doenças, estamos propondo os seguintes grupos de doença que se expressam como decorrentes de processos espirituais:
1 – Doenças espirituais auto-induzidas
a - Desequilíbrio vibratório
b - Auto-obsessão
2 - Doença espirituais compartilhadas
a - Vampirismo 
b - Obsessão
As doenças espirituais auto-induzidas são decorrentes de dois mecanismos fisiopatogênicos: A perturbação na sintonia entre o corpo físico e o corpo espiritual, produzindo sintomas decorrentes deste desequilíbrio vibratório e, a criação de idéias-formas, elaboradas pelo psiquismo doentio, que perturbam o indivíduo às custas do domínio que estas idéias fixas provocam.
Nas doenças compartilhadas ocorre a parceria ou a interferência de outra entidade espiritual. No vampirismo, esta outra entidade espiritual usufrui junto de sua vítima, dos prazeres que atitudes viciadas facilitam, como no uso de drogas, do fumo, do álcool, dos excessos alimentares e dos abusos sexuais.
Na obsessão ocorre uma interferência ou um domínio de uma entidade espiritual sobre suas vítimas, devedores ou comparsas.

Crises psíquicas

Em função de alterações, principalmente nas regiões temporais do cérebro, certos pacientes podem manifestar as chamadas crises psíquica, nas quais eles descrevem vivências subjetivas que tem estreitas ligações com o conteúdo das descrições que os místicos fazem da espiritualidade. Assim é que eles descrevem crises nas quais estão alterados para eles, o tempo, os objetos, a realidade, o pensamento e as sensações. Estas descrições são com freqüência superponíveis ao que informam os místicos quando falam sobre sus percepções sobre o tempo, a essência dos objetos e a noção de realidade quando transitam pelas dimensões espirituais.

Desdobramentos patológicos

A narcolepsia é uma condição patológica do sono conhecida há mais de um século pelos neurologistas. Estes pacientes fazem relatos de situações vividas durante o surto de sonolência com descrições ricas dos ambientes que transitam durante estas perturbações. A neurologia clássica costuma rotular estes estados de “alucinações hipnagógicas” sem se deter em examinar mais cuidadosamente a possível “realidade” dos episódios vivenciados durante o sono destes pacientes. Na nossa avaliação eles têm muito a nos ensinar sobre as dimensões que compões a espiritualidade que nos envolve.



A noção de uma presença

Pode-se dizer que é uma constatação corriqueira a possibilidade de se perceber uma outra “presença” perto de nós. Esta sensação é freqüentemente vaga, de curta duração e na maioria das vezes não se deixa confirmar.
Situações acidentais ou de doenças tem revelado esta sensações de outra presença com mais intensidade. Assim é que pessoas que se perderam no deserto, em alto mar ou em florestas, tem relatado que num determinado momento se viram como que ajudados por “uma presença” que lhes indicava o melhor caminho a seguir. Na epilepsia, em portadores de foco nos lobos temporais, também é freqüente o relato de uma presença que se aproxima, às vezes com a idéia de dar uma proteção, momentos antes de ocorrer a perda da consciência que configura a crise epiléptica.
Creio eu, que a Medicina materialista dos dias de hoje, precisa abrir-se em busca das causas profundas do nosso sofrimento. Nenhum dos recursos da tecnologia será avançado o suficiente para nos esclarecer, onde está a justiça que distribui tanta dor para uns e poupa outros. A existência da Alma, sua imortalidade e os fundamentos da reencarnação precisam fazer parte, doravante, dos textos que preparam os médicos para o futuro.







Nubor Orlando Facure, é espírita, médico, neurocirurgião, professor de medicina, presidente do Instituto do Cérebro em Campinas, um dos maiores estudiosos da mente e do cérebro humano, como espírita militou com  Chico Xavier  que era seu amigo por cerca de 50 anos, escreveu vários livros, fez inumeras palestras, hoje escreve em seus sites e blogs, em o Consolador, e colabora com este blog.
Contato pelo ifacure@uol.com.br e no Facebook Nubor Orlando Facure.